New York Cosmos: os primeiros galáticos da história

- Pelé, Beckenbauer, Carlos Alberto Torres... Esses são alguns nomes que pintaram na equipe
New York Cosmos: os primeiros galáticos da história

Antes mesmo da “Era Galática” do Real Madrid com Zidane, Ronaldo e Beckham, o New York Cosmos fez história ao contratar o Rei do Futebol. Sim, em 1975, Pelé foi contratado pelo time dos Estados Unidos. O futebol, que vinha se profissionalizando aos poucos no território estadunidense, se viu obrigado a se tornar uma potência mundial na chegada de um dos maiores de todos os tempos. E a coluna “Desbravando o Tio Sam” dessa semana, conta essa história.

A criação da NASL e do New York Cosmos

Muito antes da famosa Major League Soccer, os Estados Unidos tinham outra liga considerada sua “primeira divisão”. Essa era a NASL (North American Soccer League) que foi criada no final de 1967, após o sucesso de sua antecessora, a United Soccer Association (USA). Entretanto, o Cosmos, foi fundado apenas em 1970 pelos irmãos turcos Ahmet e Nesuhi Ertegün, donos da Atlantic Records, gravadora de grande sucesso, responsável por lançar estrelas do rock e do blue nos EUA. O presidente da Warner, Steve Ross teve interesse na criação dos turcos, assim, comprando a marca. E toda criação do clube saiu por essas pessoas, já imaginando um clube midiático.

No mesmo ano, os responsáveis pelo clube foram atrás de alguém para gerir o clube, e assim encontraram Clive Toye, que era executivo do Baltimore Bays, clube da NASL. Após isso, o próximo passo da instituição era a escolha o nome da equipe. Dessa maneira, foi realizada um concurso. E ironicamente, dois professores foram os vencedores dando a mesma ideia: New York Cosmos.

Enfim, na temporada de 1971, as atividades do Cosmos começaram, vencendo sua partida inaugural no Estádio dos Yankee contra o Saint Louis Stars, por 2 x 1. Ainda sem contratações bombásticas, o clube conseguiu o vice-campeonato daquele ano. Na temporada seguinte, o time deslanchou. Vieram Chinesinho, ex-palmeiras e Josef Jelinek, tchecoslovaco vice-campeão mundial de 1962. Assim, conquistando o campeonato de 1972, antes dos gigantes chegarem. Os anos sucessores foram de menor destaque, público caindo gradativamente na liga, estava na hora da mudança de patamar que faltava para o soccer deslanchar na terra do Tio Sam.

Pelé abriu os caminhos para os Estados Unidos

Em junho de 1975, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, largou sua aposentadoria por 3 milhões de doláres, para defender o New York Cosmos. Toye tinha a ideia de trazer o Rei desde a fundação do clube, e conseguiu convencer os executivos da Warner à trazer-lô. A apresentação foi em um restaurante, mais conhecido como “21 Club”, com a imprensa toda cobrindo. A estreia do maior da história do Santos foi cinco dias depois de sua apresentação contra o Dallas Tornado, sendo transmitido para mais de 22 países e um público gigante no Downing Stadium. A partir daí, o patamar do futebol nos Estados Unidos mudou completamente.

O soccer virou febre, reunindo 10 mil pessoas por jogo da liga e fechando contratos de televisão. Entretanto, o primeiro ano do Rei foi abaixo do esperado, e o time de Nova Iorque ficou em terceiro na NASL. Na sequencia, além de todo impacto de público, Pelé também incentivou a chegada de novos craques. O brasileiro ganhou uma dupla de ataque à altura: Giorgio Chinaglia, italiano ídolo na Lazio. Mesmo com isso, e com o aumento de oito mil de média de público, novamente a equipe ficou no meio do caminho. Eis que no ano seguinte, chega a consagração do esquadrão.

A despedida do Rei em grande estilo

Antes da temporada 77 iniciar, o Cosmos traz ninguém mais, ninguém menos, que o alemão Franz Beckebauer para tomar conta da defesa do clube. Além disso, Carlos Alberto Torres, o querido “Capita” da Copa de 1970, também chega na equipe, juntamente do também brasileiro Rildo. Assim estava montado o elenco , que seria campeão nacional no final do ano, em sua primeira temporada no Giant Stadium. Esse ano foi emblemático, a média de público foi de 34 mil pessoas (maior que a média atual da MLS), o Cosmos passou por cima dos adversários com Pelé e Chinaglia no ataque, e solido na defesa com Capita e Beckenbauer.

Por fim, no dia 2 de setembro de 1977, Pelé jogou sua última partida de futebol. E só poderia ser um Cosmos x Santos, no qual o Rei vestiu no primeiro tempo a camisa do clube estadunidense e no segundo, à do seu berço no futebol. O jogo foi 2 x 1 para o time verde, e Edson Arantes marcou um golaço de falta para eles. Infelizmente, com a camisa santista não marcou, mas a maior tristeza foi a despedida do maior da história brasileira.

Era pós Pelé

A saída do Rei, por incrível que pareça, não resultou necessariamente na queda da liga e do clube. Muito pelo contrário, o título veio novamente em 1978, e a média de público ainda maior: 47 mil pessoas. Para o ano seguinte, mais um craque chegou, o holandês Johan Neeskens. Entretanto, caindo nas semifinais da liga. O Cosmos voltaria a glória em 80 e 82, mas infelizmente a liga vinha em queda. E essa foi a história dos primeiros galáticos da história do futebol mundial.

Foto destaque: Reprodução/NY Cosmos

Carlos Vinícius Amorim

Sobre Carlos Vinícius Amorim

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Carlos Vinícius Amorim, 20 anos, atualmente cursando jornalismo pelo amor ao futebol. Que se iniciou lá em 2005, com apenas seis anos de idade, já imaginam qual o clube, né. Sempre se informando e informando aos outros, buscando referências e fontes. Como o jornalismo manda.

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