Memória Lusitana: Pedro Pauleta, o Ciclone dos Açores

De origem humilde, o atacante foi ídolo no PSG e um dos maiores goleadores da Seleção Portuguesa
Pedro Pauleta

Olá, amigos e amigas de Brasil! Daqui de Lyon, cá estou eu para trazer uma nova coluna da seção “Memória Lusitana” dedicada aos ídolos da bola de meu país. Aqui, já estive a contar a história do Rei Eusébio, The Legend, do meu amigo Luís Figo, nosso príncipe, e, agora, chegou a vez do Ciclone dos Açores, o segundo maior goleador de Portugal, é… ele passou o Pantera Negra, mas não foi páreo para mim… estou a falar de Pedro Pauleta! Nosso figura do O Gajo Conta dessa semana fez história no PSG, antes do Neymar Jr. chegar por lá, e na Seleção, ao meu lado, fez parte da geração do Luzaço e da melhor campanha em copas do mundo.

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OS ANOS NO FUTEBOL PORTUGUÊS

Pedro Miguel Carreiro Resendes, esse é o nome do Pauleta, nasceu em 28 de abril de 1973, na freguesia de São Roque, na Ilha de São Miguel, nos Açores. O apelido é herança de família que vem a partir de seu bisavô. Desde gajo que começou a chamar atenção de alguns clubes portugueses. Assim, iniciou sua trajetória na bola aos oito anos de idade na equipe da Comunidade Jovem de S. Pedro. Posteriormente, chegaria ao União Micaelense e ao Santa Clara, ainda como juvenil. Em seguida, suas boas exibições em campo levaram-no a fazer testes no Benfica. No entanto, a saudade da família o fez retornar mais cedo e não fazer estadia no outro clube de Lisboa.

Logo, de volta aos Açores, seguiu apresentando um bom futebol e não tardou para que o Porto fizesse contato para uma contratação. Dessa forma, desembarcou na cidade para jogar pelos juniores na temporada 1990-1991. Ao passar do ano, os Dragões quiseram emprestá-lo ao Rio Ave, mas Pedro Pauleta preferiu retornar ao Santa Clara. Pela equipe de sua cidade natal, o atacante passou a disputar a terceira divisão nacional pela equipe sênior. Nesse ínterim, começou sua história com a Seleção Portuguesa, ainda nas categorias de base, sob o comando do técnico Carlos Queiroz.

UMA GRANDE OPORTUNIDADE: ESTORIL PRAIA

Na sequência, houve a transferência para o Operário, da Vila da Lagoa, por onde jogou as temporadas de 1992-1993 e 1993-1994. Até chegar ao Sport Angrense e ao União Micaelense. Apesar de atuar nas divisões inferiores, por onde passava era sempre o artilheiro da equipa. Muito devido a esse fato, teve seu grande destaque em Portugal pelo Estoril Praia. Antes, a transferência somente foi viabilizada ao cumprir a condição imposta por seu pai, Manuel Resendes: casar com a namorada de sempre, Sandra. Após um período de testes, ingressou nos Estorilistas em 1995, onde marcou 19 gols em 31 jogos sob a orientação do treinador Carlos Manuel. Dessa forma, deixou a terceira divisão para jogar a Liga de Honra, a maior oportunidade, até então, de sua carreira.

Após uma negociação frustrada com Belenenses, que enfrentava uma crise financeira, foi para o Salamanca, da Espanha, do técnico João Alves, maior responsável por sua quase ida aos Azuis do Restelo. De lá, catapultou ao futebol mundial, tendo destaque também no La Coruña até desbravar a França pelo Bordeaux e Paris Saint-Germain, onde se tornou ídolo dos Parisienses. Dessa forma, foi o primeiro jogador português a competir pela Seleção de nosso país sem nunca ter atuado por uma equipa da elite do futebol de Portugal.

Pedro Pauleta no Estoril
Pedro Pauleta no Estoril

A FASE INTERNACIONAL

SALAMANCA E LA CORUÑA

Assim, na Espanha, atuou por Salamanca e La Coruña. No entanto, o início não foi fácil, pois, logo de cara, enfrentou a dificuldade de ser a quarta opção no ataque. Com um começo de campeonato ruim e lesões dos principais atacantes, o técnico João Alves promoveu a estreia de nosso gajo, que marcou dois gols e garantiu a vitória por 2 x 0 frente ao Toledo. Dessa forma, não perdeu mais a titularidade e seguiu marcando gols, ao todo, foram 19 tentos na primeira temporada, conquistando o prêmio de artilheiro da Segunda Liga Espanhola e o acesso a elite do futebol espanhol. Na temporada seguinte, deixou 15 bolas nas redes e garantiu a permanência da equipe no alto escalão da Espanha.

Desse modo, sua carreira seguiu para outra equipa espanhola, dessa vez, o Deportivo La Coruña. Após um novo início difícil no clube, marcado por uma lesão grave, Pedro Pauleta ainda disputaria 34 jogos e marcaria 10 gols na primeira temporada. Já no segundo ano pelos Blanqueazulis, conquistou seu primeiro título ao ser campeão da Liga Espanhola, superando o maior poder de compra de Barcelona e Real Madrid. Assim, realizando uma façanha dada a competitividade dos Catalãs e Madrilenhos. Logo, após quatro anos à serviço na Espanha, se transferiu, em 2000, para o futebol francês, onde viria a ter a melhor fase de sua carreira.

BORDEAUX

Portanto, tido por ele como os seus melhores anos, Pedro Pauleta encontrou no Bordeaux o palco para brilhar. Isso porque, entre os anos de 2000 e 2003, o atacante fez 90 gols em 130 jogos pela equipa francesa. Além disso, por duas vezes, foi considerado o melhor jogador da Liga, conquistou ainda a Taça da Liga e foi o artilheiro da competição. Dessa forma, foram três temporadas marcantes com a camisola dos Girondins. Tal desempenho fez despertar o interesse do Paris Saint-Germain, clube da capital, por onde fez história e é considerado, até hoje, como uma lenda.

PARIS SAINT-GERMAIN

Com isso, mesmo após uma espetacular passagem pelo Bordeaux, Pauleta ainda encontrou terreno para mais gols no PSG. Pois, pela atual equipa de Neymar Jr., ele chegou em 2003 e ficou por cinco temporadas, marcando 109 gols em 212 jogos. E não parou apenas nos números individuais. Ainda foi capitão do clube e artilheiro da Liga por duas ocasiões, ajudando a conquistar a Taça da França, duas vezes, e a Taça da Liga Francesa. Diante disto, em 2010, após sua aposentadoria, ele foi eleito o melhor jogador da história do Paris Saint-Germain, em uma votação que incluía nomes como dos brasileiros Raí e Ronaldinho Gaúcho e o sueco Ibrahimovic.

Ao final das temporadas pelo PSG, o Ciclone dos Açores já estava com 35 anos e não era mais o mesmo de quando chegou. Dessa forma, pendurou as chuteiras em 2008. No entanto, à pedido dos dirigentes do Grupo Desportivo de São Roque, retornou aos relvados açoreanos para contribuir na formação de uma equipa sênior e por quatro jogos voltou a brilhar. Em uma das partidas, por uma final valendo taça, Pedro Pauleta, já com 37 anos, marcou sete gols e deu o título ao São Roque.

OS GOLS PELA SELEÇÃO PORTUGUESA

No entanto, não poderia deixar de falar de seus grandes momentos que mais tocam nossa memória afetiva: os gols que lhe tornaram o segundo maior goleador de nossa Seleção. Como havia dito, a sua história com Portugal se iniciou desde os tempos de gajo. Todavia, veio a atuar como profissional em 1997, em um jogo frente a Armênia, pelas Eliminatórias da Copa de 98. Após, foram 88 exibições com a camisola portuguesa, por onde marcou 47 gols, ultrapassando em 2005, nosso Eusébio como o maior artilheiro. Mas, nove anos depois, o Robozão aqui passou a frente e, hoje, já possuo 99 golos, e chegarei ao centésimo esse ano!

Além disso, esteve na Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul e Japão, e ao meu lado, disputou a Euro 2004 e o Mundial de 2006, quando fizemos a maior campanha de Portugal em copas, sob o comando do Felipão de vocês. Além disso, durante a Copa na Ásia, Pauleta entrou para a lista seleta de portugueses com hat-tricks em Mundiais, que, claro, tem o Papai Cris aqui e Eusébio Durante o período à serviço de nossa esquadra, disputou posição com outros grandes nomes de nosso futebol como Nuno Gomes e Hélder Postiga, que certamente ganharão seu espaço nesta coluna.

Pedro Pauleta nos dias de hoje…

Após, com o fim da carreira, nosso gajo abriu uma escola de futebol na Ilha de São Miguel, uma fundação e um clube com seu nome. Segundo o próprio, foi uma pequena contribuição para que os meninos dos Açores joguem futebol com qualidade. Assim, Pedro Pauleta ainda desempenha funções na Federação Portuguesa de Futebol e é embaixador do PSG.

Dotado de uma alegria singular ao correr com os braços abertos a cada gol, Pedro Pauleta foi além de um exímio fazedor de gols. Ao sair da pequena Ilha dos Açores, de origem humilde, para ganhar o mundo no futebol francês e fazer história por Portugal, se tornou símbolo da terra em que deixou para trás. Simplicidade era sua marca, mas o futebol era de um mágico que apenas queria ser feliz fazendo o que mais gostava. Assim, ele é mais um que estará, para sempre, na memória lusitana.

Foto Destaque: Reprodução / Lawrence Jackson / UOL Esporte

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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