Memória lusitana: Luís Figo, o príncipe de Portugal

Revelado no Sporting, o craque marcou época na Seleção e no Real Madrid dos Galácticos
Figo .

Olá, tudo bem com vocês de Brasil?! Estou acá mais uma vez na coluna O Gajo Conta do Futebol na Veia, mas, hoje, é especial. Ora pois, aqui já trouxe para meus gurizinhos um pouco da trajetória do nosso rei Eusébio, The Legend, lá no começo desse nosso pequeno espaço lusitano. Todavia, a partir dessa semana, e em cada final de mês, apresentarei a história de nossos ídolos da bola. Assim, aos poucos cada um terá seu momento. Para começar, se o Pantera Negra é o nosso rei, o príncipe de Portugal é Luís Figo. Mas claro, quem precisa de títulos de nobreza para fazer o que eu faço dentro de campo? Então, deixemos a monarquia com eles.

É, eu estava ao lado de Figo quando perdemos a Eurocopa de 2004, em Lisboa. Vocês não podem imaginar a decepção que tomou conta dos vestiários, do tamanho de Alvalade! Verdade, também estivemos juntos na derrota pela semifinal da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Mas, isso são temas para outras colunas. Dessa forma, o príncipe esteve presente nos meus primeiros passos no futebol e, quando se aposentou em 2009, digamos que… eu o substitui como pilar técnico da equipa, não desmerecendo meus companheiros portugueses, mas eu sou o melhor do mundo. E ele também foi. Vocês estão a ver que essa não é a única semelhança entre nós.

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OS PRIMEIROS ANOS DE SPORTING

Então, vamos contar a história desse gigante da bola português. Nascido em Almada, perto de Lisboa, em 4 de novembro de 1972, é, está a caminhar para os 50 anos, Luis Filipe Madeira Caeiro Figo, como toda criança lusa, amava futebol. Aos 11 anos, fez base no meu Sporting, assim como este que vos fala, e, com apenas 16 anos, já dava mostras do que viria a se tornar. Pois, ainda nas categorias de acesso, já era campeão europeu Sub-17 e da Copa do Mundo Sub-20 com Portugal. No ano seguinte, estreou pela equipa profissional do clube de Alvalade. E, com apenas 18 anos, já havia recebido sua primeira convocação à Seleção Portuguesa.

Os primeiros anos no elenco principal dos Leões foram tímidos, sem títulos e grandes campanhas, mas com boas atuações. Até que na temporada 1994-1995, conquistou a Taça de Portugal, seu único título em Alvalade, chamando a atenção de clubes portugueses e do resto da Europa. Pelo Sporting, foram 169 partidas e 20 gols marcados durante seis anos vestindo o manto verde e branco. Contudo, a carreira do príncipe foi marcada por algumas polêmicas e a primeira delas foi em terras lusitanas.

AS PRIMEIRAS POLÊMICAS

Tudo ia bem no Sporting até que uma crise financeira assolou o clube de Alvalade e Figo negociou sua transferência para o rival Benfica, algo que foi entendido como desrespeitoso por parte da nossa diretoria e dos adeptos Sportinguistas. No entanto, ele ficou e foi campeão. Além disso, duas tentativas fracassadas de desembarcar na Itália envolveu até uma batalha judicial. Em 1994, ele assinou com a Juventus, meu clube atual, por seis bilhões de Libras, mas acabou desistindo antes mesmo de viajar. Todavia, a Velha Senhora não aceitou, mesmo assim, ele assinou com outro clube italiano, o Parma. Na justiça, a Federação Italiana de Futebol anulou os dois contratos e Figo não pode jogar, por ora, em solo calcio.

BARCELONA

No entanto, quem o tirou mesmo de Portugal foi o Barcelona, à pedido do técnico e ex-jogador Johan Cruyff. Assim, no clube catalão, Figo se tornou um dos maiores ídolos da equipa, que ainda estava em construção após quatro anos do último título da Champions League. Já na primeira temporada, alcançou o 3º lugar na La Liga e foi campeão da Supercopa da Espanha, marcando ao todo nove gols. No ano seguinte, apesar do vice nacional, conquistou três taças, a Copa do Rei e as Taças das Taças e da UEFA, anotando sete gols. Dessa forma, se nas outras temporadas bateu na trave, nos dois anos seguintes, enfim, foi campeão espanhol, e também da Copa do Rei. Talvez, a temporada 1999-2000 tenha sido a melhor vestindo a azul grená, pois em 47 partidas fez 14 gols, mas não saiu com títulos, ao menos coletivos.

Todavia, veio a virada de século e a ascensão do presidente Florentino Pérez no Real Madrid que contratou Figo por 61 milhões de Euros, na maior negociação da história do futebol, à época. Claro que, fanáticos como são os Culés, a transferência causou nova polêmica na carreira do príncipe. Não foram poucos os episódios de descontentamento com a mudança de clube dentro da Espanha, especialmente nos clássicos no Camp Nou. Ora pois, pelo Barça, ele havia sido um dos melhores jogadores da equipa, tendo sido eleito o melhor jogador da Europa e o segundo do mundo pelas atuações na Catalunha, em 2000. Dessa forma, encerrou a passagem de seis anos pelo Barcelona com 45 gols em 249 partidas, conquistando sete títulos.

REAL MADRID

Pelo Real Madrid, foram cinco anos bem jogados. Assim, Figo foi o primeiro da geração galáctica dos Merengues que ainda tinha Zidane, Ronaldo Fenômeno, Raúl e Roberto Carlos. Assim, na temporada 2000-2001, chegou sendo campeão espanhol e da Supercopa da Espanha. Ao final da temporada, as boas exibições em Madrid, que lhe renderam 14 gols em 49 jogos, fez ser eleito, pela única vez, o melhor jogador do mundo. É bom lembrar que o Robozão aqui já tem cinco prêmios desse e também pelo clube madrilenho. No ano seguinte, fez sua melhor temporada na carreira conquistando a Supercopa Europeia, a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes.

Na Champions, a campanha foi irrepreensível, com vitórias sobre Bayern de Munique, Barcelona e, na final, contra o Bayer Leverkusen. Em 2002-2003, já com os galácticos consolidados, ao lado de David Beckham, foi campeão espanhol e da Supercopa da Espanha. Mas parou por ai. Pois, nos anos seguintes, a geração estrelada, que ainda ganharia as aquisições de Sérgio Ramos e Michael Owen, não conquistou títulos e ficou manchada na história do Real Madrid. Com a queda técnica da equipa e a chegada do brasileiro Vanderlei Luxemburgo, Figo e Raúl foram barrados do time principal. Assim, no clube de Madrid, fez 239 partidas marcando 57 gols.

INTER DE MILÃO

E, assim, finalmente, ele conseguiu se transferir para Itália para jogar na Inter de Milão, de Adriano Imperador. Mudança de ares que também fiz ao deixar Madrid, mas para o maior clube italiano, La Vecchia Signora. Pela Inter, foi quatro vezes seguida campeão nacional. Além disso, conquistou a Supercopa e a Copa da Itália. No entanto, já com 35 anos, o futebol não era mais o mesmo de antes e a cada temporada diminuía seu aproveitamento. Dessa forma, em 2009, aos 36 anos, pendurou as chuteiras. Logo, pela equipa de Milão, foram 138 partidas e 11 gols marcados durante cinco anos.

Após a despedida dos gramados, o craque luso seguiu representando a Inter de Milão como embaixador pelo mundo, colaborando com instituições de caridade, algo que faz até hoje. Na eleição que consagrou Gianni Infantino presidente da FIFA, Figo tentou lançar candidatura, mas, no final, apoiou o ex-secretário da UEFA e torcedor da Internazionale.

SELEÇÃO PORTUGUESA

Mas, talvez, a nossa memória afetiva esteja mais relacionada aos feitos por Portugal. Na Seleção desde 1991, Figo participou de duas Copas do Mundo. Assim, na Coréia do Sul e Japão, era a grande referência técnica do selecionado que caiu na primeira fase. Dois anos depois, foi um dos líderes do vice-campeonato europeu em 2004, com uma das melhores gerações portuguesas que tinha Deco, Fernando Couto, Rui Costa, Maniche, Pauleta, e o Gajo aqui. Nomes que certamente terão lugar na nossa coluna, futuramente. Mas a derrota na final, no Estádio da Luz, para a Grécia, derrubou o sonho do nosso primeiro título internacional. Algo que eu conquistei 12 anos depois, na França.

Derrotado, o príncipe pensou em abandonar a Seleção Portuguesa, que nem aquele jogador argentino do Barcelona. No entanto, ficou e nos ajudou a classificar para a Copa de 2006. Já na Alemanha, liderados por Luis Felipe Scolari, chegamos à semifinal, tás a ver?, na segunda melhor campanha lusa em mundiais, atrás apenas da realizada por Eusébio, 40 anos antes. Quem diria que um velho colega de Real Madrid seria o algoz na eliminação da Copa? Pois, Zidane fez o gol da classificação francesa à final. E eu que guardo boas lembranças de Zinédine treinando-me em Madrid (!). Todavia, nada que impedisse a escolha de Figo como um dos melhores daquele mundial. E então, finalmente, ele se aposentou da Seleção após o campeonato do Mundo, com 127 jogos e 32 gols.

Importância em minha terra

Dessa forma, o Luís Figo das grandes arrancadas e das fintas impossíveis é, até então, o jogador que chegou mais perto da genialidade do Pantera Negra, não é por acaso que é o príncipe de Portugal. Claro que depois eu o superei. Mas, até hoje ainda é um dos atletas portugueses mais vitoriosos da história e um dos que mais vestiu o manto da Seleção Portuguesa. Apesar de não ter tido o sonho realizado de voltar a vestir a camisola do Sporting, e de ser campeão pelo nosso país, possui uma fantástica carreira que nenhuma torcida apagará e nenhuma polêmica clubística diminuirá seus feitos. Estará para sempre na memória lusitana.

Foto Destaque: Reprodução / YouTube

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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