Megan Rapinoe: a importância da representatividade

Nessa semana, na Rainhas da Bola, conheça a mulher que domina a artilharia dentro e fora de campo

Muito além do cabelo roxo e das incríveis habilidades dentro das quatro linhas, Megan Rapinoe consegue se destacar e ser exemplo fora de campo. Da mesma forma que, levanta a bandeira de igualdade e luta pelo futebol feminino, também defende as questões de igualdades sociais e raciais. Assim, conseguiu consagrar-se uma das maiores atletas e mulheres fortes de todos os tempo. Na Coluna Rainhas da Bola, dessa semana, descubra mais sobre a brilhante jogadora norte-americana.

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Início de tudo

Nascida em Redding, na Califórnia, Megan Rapinoe teve influências esportivas desde cedo. Logo aos três anos de idade, começou a jogar futebol através da convivência com seu irmão. Já na juventude, jogava em equipes treinadas por seu pai e, no ensino médio praticava três modalidades: futebol, basquete e atletismo.

Quando entrou na Universidade de Portland, em 2005, ela e sua irmã gêmea começaram a integrar o time de futebol feminino Portland Pilots. Ainda nesse ano, Megan conseguiu se destacar e foi titular do na equipe que, foi invicto na conquista do campeonato nacional. No ano seguinte, foi uma das principais artilherias dos EUA, somando 10 gols e duas assistências, em 11 partidas. No entanto, em outubro sofreu uma grave lesão e teve de encerrar sua participação. E, em 2007, teve uma segunda lesão, faltando apenas dois jogos para as finais.

Megan atuando pelo Portland Pilots (Foto: Reprodução/Will Crew/Universidade de Portland)

Megan pôde retomar a titularidade no clube em 2008, quando se recuperou da lesão. Dessa forma, foi destaque na temporada, marcando cinco gols, além de somar 13 assistências numa única partida, quando o Pilots venceu por 20 x 2. Ainda nesse ano, foi eleita Jogadora do ano na Costa Oeste, porém a profissionalização ainda estava por vir.

Profissionalização e Carreira

Aos 25 anos de idade, Megan Rapinoe se tornou profissional, ao ser selecionada para jogar pelo Chigado Red Stars, em 2009, na estreia da Women’s Professional Soccer (WPS) que, na época era a principal divisão americana de futebol feminino. Com atuações brilhantes e sendo titular em 17 dos 18 jogos da temporada, a jogadora foi nomeada para o All-Star Team da Liga.

Mais tarde, já em 2013, a atleta fechou por seis meses com o Lyon que, vinha de uma sequência de seis campeonatos nacionais e dois títulos europeus, de forma consecutiva. Na França, somou a marca de oito gols em 28 jogos, tornando-se a 5ª mulher americana, da história, a disputar uma final de Liga dos Campeões, porém a equipe foi derrotada por 1 x 0, pelo Wolfsburg.

Rapinoe
Megan Rapinoe pelo Lyon (Foto: Reprodução/Olympique Lyonnais Féminin)

Já no segundo semestre do ano, Rapinoe foi para o Seattle Reign FC, onde conquistou, em 2014 e 2015, o NWSL Shield que, premia a equipe com melhor campanha regular na temporada. A jogadora permanece na equipe até hoje.

Seleção

Megan Rapinoe estreou na Seleção dos Estados Unidos em 2002, quando começou a integrar o time sub-16. Já durante a faculdade, jogou pela Seleção sub-19, disputando 21 partidas e somando nove gols. Seu primeiro jogo na equipe principal, aconteceu no dia 23 de julho de 2006, num amistoso contra a Irlanda e, em outubro do mesmo ano, a atleta jogou contra a seleção de Taiwan e, marcou seus dois primeiros gols.

A primeira Copa do Mundo de Rapinoe foi em 2011 e, a jogadora foi titular em todos os jogos. Além disso, um dos fatos que marcou sua aparição, foi a assistência para o gol de Abby Wambach, que aconteceu nos acréscimos da prorrogação das quartas de finais, contra o Brasil. Depois, Megan converteu sua cobrança e classificou os EUA para às semifinais. Nessa Copa, o país foi para a final, no entanto, acabou perdendo para o Japão, por 3 x 1. Depois do torneio, a cidade natal da jogadora organizou um desfile em sua homenagem e, nomeou o dia 10 de setembro como “Megan Rapinoe Day”.

Comemoração do Megan Rapinoe Day (Foto: Reprodução/Redding Record)

Reviravoltas

Em 2012, Megan brilhou ainda mais pela seleção, levando a equipe até a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres. Um dos pontos de destaque foi a atuação no dramático jogo da semifinal, no qual marcou dois gols – incluindo um gol Olímpico -, na vitória por 4 x 3, contra o Canadá. Já na final, atropelou o Japão por 2 x 1. Com a participação e os gols na competição, conseguiu ser nomeada em várias listas de Seleção da Competição dos veículos de comunicação como, BBC e All White Kit. No ano de 2015, o título da Copado Mundo Feminina ficou com os Estados Unidos e, Rapinoe marcou dois gols ao longo da campanha. Novamente, o país encontrou o Japão, e venceu por 5 x 2.

Por outro lado, nos Jogos Olímpicos do Rio, que aconteceram em 2016, o desempenho norte-americano não conseguiu destacar-se e nem avançar em muitas etapas. Assim, a retomada do brilho aconteceu em 2019, na Copa do Mundo da França, em que Rapinoe não só protagonizou momentos dentro, como também se posicionou em diversos assuntos e mostrou a importância da representatividade.

Conquista da Chuteira e da Bola de Ouro, na Copa da França, em 2019 (Foto: Reprodução/Getty Images)

Além de marcar seis gols e dar duas assistências nos jogos disputados, a jogadora ainda fez um dos gols no jogo que coroou a equipe campeã da Copa, contra a seleção da Holanda, por 2 x 0. Juntamente a isso, Rapinoe foi eleita a melhor jogadora da competição e, junto de sua companheira de seleção Alex Morgan e, da inglesa Ellen White, ficaram com a artilharia da competição.

Artilharia fora de Campo

Em prol do bem maior, Megan Rapinoe sempre se posiciona e faz declarações de impactos sociais. Nas véspera da final da Copa de 2019, por exemplo, a jogadora criticou à FIFA, em relação as agendas do esporte que, marcaram partidas da Copa América e da Copa Ouro no mesmo dia. “É um planejamento terrível para todos. Para as pessoas que trabalham com o futebol, que jogam futebol, essa foi uma ideia terrível, colocar tudo no mesmo dia. Em todos os aspectos”, disse Rapinoe, numa entrevista coletiva antes da final.

Ainda nessa Copa, a jogadora já havia causado muitos comentários ao rebater Donald Trump. A atleta fez apontamentos em relação ao governo do presidente norte-americano que, para ela, representa retrocessos nos campos de igualdade e discriminação racial e social. Além disso, Megan afirmou que, caso a seleção ganhasse o torneio, não faria a tradicional visita à Casa Branca. Dessa forma, Trump postou tweets ríspidos, dizendo que a jogadora precisava ganhar antes de falar. Rapinoe não só faturou o título, como também levou Bola e Chuteira de Ouro.

Megan Rapinoe ajoelhada em protesto (Foto: Reprodução/Dibradoras/Getty Images)

Do mesmo modo, Megan também ganhou muita visibilidade ao solidarizar-se à Colin Kaepernick, ao ajoelhar-se na execução do hino nacional, num movimento contra o racismo. A atleta também é casada com Sue Bird, tetra campeã olímpica pela seleção de basquete dos EUA, o que a tornou uma das vozes mais ativas nas defesas dos direitos LGBT. Assim, Rapinoe mostra que representatividade, política e futebol se jogam juntos.

Foto Destaque: Reprodução/El País

Emanuelly Cardoso

Sobre Emanuelly Cardoso

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Emanuelly Cardoso, 18 anos. Estudante de jornalismo, apaixonada pelo mundo da comunicação. Gosto de levar a vida com alegria e leveza. Sempre tive interesse por esportes, cultura e questões sociais. O futebol foi o tema que meu coração escolheu para falar sobre meus interesses e dar voz ao que me conecta com o universo.

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