Marcelo Veiga: rumo ao segundo título da Série C

O técnico, que foi campeão brasileiro da série C em 2007, tenta chegar a mais uma final

Marcelo Veiga é técnico do Clube Atlético Bragantino, da cidade de Bragança Paulista, localizada no estado de São Paulo. O Bragantino é um dos quatro times que conquistaram o acesso da série C para série B do Campeonato Brasileiro em 2018. Agora, prestes a disputar a segunda partida da semifinal da série C, no domingo, dia 09, no Paraná, contra o Operário, o objetivo do time chegar a mais uma final.

O técnico tem 54 anos é um ex-lateral esquerdo. Essa é a sexta vez que Veiga está à frente do clube paulista. Como treinador, ele também dirigiu a Portuguesa (2014), o Guarani (2014-2015), o Botafogo-SP (2015), o Remo (2016), e o Mogi Mirim (2017).

(Divulgação/Rafael Moreira/Assessoria)

Confira a entrevista exclusiva que o Futebol na Veia fez com o treinador:

Muitos jornalistas avaliaram o grupo B da série C deste ano, que normalmente é composto por clubes das regiões Sudeste e Sul, como o mais difícil. Você concorda, e a que atribui isso?

“Acho que pelas estruturas, pelo planejamento e pela condição financeira, serem melhores que as dos clubes do Norte/Nordeste, que tem uma dificuldade maior em termos de organização. Mas eu vi sim, alguns clubes que tiveram uma capacidade muito grande de manter elencos competitivos. Tanto é que, cominou na possibilidade do acesso para clubes do grupo A. Mas sabíamos que era um grupo realmente com uma característica mais séria, mais firme e mais forte dentro da competição”.

O fator casa foi essencial para o Bragantino durante a série C 2018? E na disputa do acesso, onde o primeiro jogo foi em casa?

“O fator casa ele é primordial em qualquer competição que você venha disputar. Se você não for forte em casa, seja pontos corridos ou mata-mata, dificilmente você consegue atingir seu objetivo. Porque na realidade, os pontos para uma classificação estão dentro de casa. Então, se seu papel dentro de casa for bem feito, dificilmente você deixa de chegar a uma decisão ou conquistar o seu espaço. Na disputa do acesso também foi favorável pelo ambiente que se criou. O jogo que fizemos dentro de casa, sem dúvida, nos deu a tranquilidade para fazer o resultado e levar uma vantagem para fora. Sabíamos da importância da partida junto da nossa torcida e do mínimo de vantagem em cima de uma equipe difícil como era o Náutico, era importante levar para Recife essa vantagem, e foi feito isso. Conseguimos um resultado bom, elástico, e poderia ter sido maior se tivéssemos tido um pouco mais de concentração. Mas sem dúvida, que o jogo dentro de casa foi primordial para a classificação. Fomos para lá com moral, com mais confiança, e com mais credibilidade, para trazer o acesso”.

Vocês se classificaram em quarto no grupo B e enfrentaram o Náutico, primeiro colocado do grupo A, porém, que só tinha três pontos a mais que o Bragantino. A que você deve a classificação em cima do time pernambucano?

“Primeiro, respeitamos muito o Náutico. Segundo, sabíamos da dificuldade que seria enfrentar uma grande equipe, com uma tradição enorme, e que ainda vinha de dez resultados positivos, e de uma recuperação muito boa dentro da competição. Além disso, desde que o Márcio assumiu, eles não tinham perdido. Então, sabíamos que seriam dois jogos duros e difíceis. Mas, o planejamento do Bragantino foi em cima de qualquer adversário. Sabíamos que o nosso time também era muito bom, qualificado, e que teria condições de enfrentar de igual para igual o clube pernambucano. Lógico, que por estar decidindo fora de casa, o planejamento foi para que matássemos o jogo dentro de casa, levando a vantagem para fora. E isso foi feito. Acredito que aquilo que era necessário foi realizado, e fomos até Recife e conquistamos o acesso”.

Na segunda partida das quartas-de-final, em Recife, contra o Náutico, você considerou mudar o esquema de jogo por estar empatando?

“Não. Na partida de volta eu não mudei o esquema, pelo contrário, mantive a mesma coisa. É lógico que sabíamos que iríamos enfrentar uma pressão, mas, a gente manteve praticamente o mesmo time. A única mudança foi a entrada do Leo no lugar do Marquinhos, que tomou o terceiro cartão amarelo, e não pode jogar o segundo jogo. E o Leo é um jogador agudo, de ataque, então não tive essa necessidade de mudar a estrutura do time não. Nós sempre jogamos dentro e fora de casa com a mesma estrutura de jogo. Mas claro com a marcação forte, sempre explorando a velocidade dos nossos atacantes. É evidente que tivemos que mudar em alguns momentos do jogo. A linha alta, a linha baixa, para que a gente pudesse retomar a posse de bola, e criar também a oportunidade, tendo campo para poder contra golpear, e matar o jogo. E foi dessa forma que conseguimos sair na frente, e segurar o jogo até o finalzinho”.

O time se comportou diferente durante as quartas?

“Não. Não teve nenhuma mudança de comportamento do time. Mantemos a mesma postura do começo ao fim da competição. Claro que em alguns momentos a gente se adaptava a maneira dos adversários atuarem. Dependendo do lado que saia mais, quem se fechava, como é que eles se comportavam, aí a gente tinha uma postura diferente. Mas, nunca perdendo o padrão de jogo que criamos”.

Quem são os jogadores que foram essenciais para a conquista do acesso para série B?

“Claro que alguns jogadores se destacaram. Poderia citar alguns, mas prefiro citar o trabalho do grupo, porque foi um trabalho incrível, todos fizeram parte do mesmo planejamento. Demos condições para que todos pudessem desenvolver aquilo que a gente precisava. Todos tiveram oportunidade de jogar e contribuir em algum momento. É lógico que você tem uma equipe titular, consistência e tudo mais. Mas, prefiro destacar o trabalho do grupo que realmente foi sensacional, por tudo que apresentaram e pela conquista que tiveram. Até porque era uma pressão muito grande e sabíamos da responsabilidade que era esse Campeonato Brasileiro da série C. O acesso era muito importante e enfrentamos grandes adversários. Por isso eu enalteço o trabalho de todos”.

(Divulgação/Rafael Moreira/Assessoria)

Por conta de apenas os clubes do grupo B se classificarem, e vocês já conhecerem a forma de jogo desses clubes, as semifinais estão sendo mais disputadas?

“Não tenha dúvida disso. A disputa ela acaba sendo mais difícil, mais dura, porque todos já se conhecem. e querem chegar a uma final. O Bragantino vai levar certa desvantagem agora nessa segunda partida porque perdeu seus principais jogadores. Perdeu cinco jogadores e pode perder o sexto. Infelizmente tivemos que abrir mão porque clubes da série A e da série B acabaram levando. Mas aposto muito no nosso time, porque é um time que tem um grupo muito forte. Em vez de escolher a individualidade de alguns, eu prefiro escolher a qualidade do grupo que fez com que o acesso acontecesse”.

Qual a expectativa para o jogo de domingo?

“A expectativa é a melhor. Sabemos da necessidade de um bom resultado. Então vamos encarar uma guerra no Paraná, uma cidade que vai vibrar muito com tudo que vem acontecendo, pelo acesso que eles também tiveram. Mas sabemos da importância desse jogo e respeitando muito o adversário. Um adversário duro e que também vai buscar chegar a uma decisão de final de Campeonato Brasileiro. Vamos usar a força e a história do clube. Nossa história já incomoda muita gente, a gente sabe que é muito importante. Isso tem feito a diferença. Então, espero que quem for a campo nesse domingo tenha a possibilidade de se entregar ao máximo para que sejamos coroados com uma decisão, que é o que vai premiar o trabalho de todos”.

Vocês empataram em zero a zero o primeiro jogo em casa. Agora irão tentar conquistar a vaga para final, fora de casa. A equipe está pressionada para ganhar esta partida, ou o acesso já foi o objetivo principal, e o time está tranquilo?

“Lógico que queremos chegar a uma decisão. Mas, o mais importante era o acesso, e foi o que já conquistamos. Agora é ir lá com tranquilidade, como foi no primeiro jogo. A pressão já não existe mais. Acho que os dois times estão um pouco mais relaxados, mais confiantes e com mais credibilidade naquilo que estão fazendo. Temos que ser inteligente para fazer um jogo seguro no Paraná, e tentar envolvê-los para conquistar a vitória. Tanto o Operário, quanto o Bragantino, tem condições de passar e ainda está em aberto. Acho que vai ser um jogo bom, mas duro, porque todos os dois times querem chegar a final. E vamos lá tentar buscar essa possibilidade”.

Você pretende realizar muitas mudanças para a segunda partida da semifinal?

“Eu não pretendia fazer nenhuma mudança, mas infelizmente estou fazendo por conta de não ter os principais jogadores. Perdi o lateral esquerdo Fabiano, o zagueiro Lázaro, o volante Adenilson, o meia Vitinho, e o Peixoto, Mateus Peixoto, que é atacante. Então não conto com esses cinco titulares da equipe”.

Se classificado para final, o Bragantino prefere enfrentar o Cuiabá ou o Botafogo-SP?

“Se a gente se classificar para final, o desejo é pegar quem passar da outra semi, porque sabemos que são duas grandes equipes. Não temos que escolher adversário, muito pelo contrário, estamos brigando pra estar numa final, e quem vier vamos enfrentar da melhor maneira possível”.

Se campeão, você vai conquistar seu segundo título de série C no mesmo time, qual a importância disso na sua vida?

“A importância é enorme. Conquistar um título brasileiro, pela segunda vez, e pela mesma equipe, acredito que seja inédito. Além dessa possibilidade, ter a felicidade de se passar, com os dois últimos jogos da final, chegar a 500 partidas pelo Bragantino. Acho que é muito difícil alguém atingir esse número nesse momento e ainda mais com um título, sendo bicampeão pelo mesmo clube seria uma felicidade e um prazer enorme. Estou trabalhando muito para que isso aconteça. Respeito muito o adversário, mas a também temos um objetivo. E eu espero que eu seja premiado com essa possibilidade”.

Como é comandar um mesmo clube por tantas vezes, e ser um herói de uma torcida?

“Muito legal. É muito bom dirigir o clube que você gosta e teve a possibilidade de ver o crescimento. Hoje, em termo de evolução, não só na parte estrutural, como também na parte técnica, eu tive a oportunidade de participar. Então, fico muito contente, me sinto muito a vontade. Tem um cara que tenho uma confiança muito grande, que é presidente Marquinhos, que me da liberdade para fazer meu trabalho. Respeito muito o trabalho dele, é um cara que tem uma visão incrível, um dirigente que poucos clubes têm, e eu tenho esse prazer. Estou tentando tirar o máximo que eu posso toda vez que eu volto pra cá. Então, sou muito feliz de ter voltando ao clube que me abriu as portas”.

Tem apenas dois anos que o Bragantino voltou à série C. É mais fácil conquistar o acesso quando se passa menos tempo nesta divisão?

“Não tenha dúvidas. Quanto menos tempo você passar na divisão, menos você sofre. Porque é um campeonato duro, que financeiramente é completamente deficitário, além das estruturas dos campos, dos vestiários, do nível de arbitragem, realmente é um campeonato difícil de ser disputado. Então, quanto mais você fica, mais judia. E a gente teve a felicidade de fazer um planejamento legal para não correr esse risco esse ano”.

A intenção do Marcelo Veiga é continuar no clube para série B do ano que vem? E o bragantino o que deseja?

“Claro que a minha intenção é permanecer, não tenha dúvida. E espero que o Bragantino também tenha esse mesmo pensamento. Acho muito difícil não permanecer, mesmo que aconteça uma proposta muito absurda pra que eu saia. Estou muito feliz aqui e tenho um objetivo de realizar um grande Campeonato Paulista, uma Copa do Brasil legal. Além da possibilidade de fazer uma série B, com uma possibilidade de um novo acesso. Esse é o meu objetivo. Acredito que eu tenho a confiança do presidente, um cara que eu gosto muito, e que devo muita coisa a ele. E espero que eu consiga colocar esse clube na série A do Campeonato Brasileiro, que é um sonho antigo, e de repente o ano que vem isso pode acontecer”.

Já falando em série B 2019, qual a expectativa do Bragantino para disputar novamente a segunda divisão do Campeonato Brasileiro?

“A expectativa é grande. Sair de uma série C depois de dois anos e voltar a uma série B competitiva como está essa série B. Sabemos da importância de ter um planejamento positivo e que consiga entrar na competição para buscar um acesso. Esse é um acesso que eu ainda não tenho, da série B para série A. Então, se eu tiver essa oportunidade no Bragantino, eu espero que consiga atingir esse objetivo, e a gente vai trabalhar muito para que isso aconteça”.

Manuella Miranda

Sobre Manuella Miranda

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Manuella Miranda, jornalista, 27 anos. Formada em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, pelo Universidade Federal de Sergipe – UFS, em dezembro de 2016. Estudante de Rádio e TV no Senac Sergipe.Atuação em Assessoria de Comunicação, nas áreas de projetos sociais e cultura.Desde janeiro de 2018, repórter de campo. Trabalho de cobertura de jogos de futebol, Campeonato Sergipano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série C e Campeonato Brasileiro da Série D.Atualmente repórter e apresentadora do programa Esporte é Cultura da Rádio Cultura de Sergipe 670 AM.


 

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Manuella Miranda, jornalista, 27 anos. Formada em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, pelo Universidade Federal de Sergipe – UFS, em dezembro de 2016. Estudante de Rádio e TV no Senac Sergipe.Atuação em Assessoria de Comunicação, nas áreas de projetos sociais e cultura.Desde janeiro de 2018, repórter de campo. Trabalho de cobertura de jogos de futebol, Campeonato Sergipano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série C e Campeonato Brasileiro da Série D.Atualmente repórter e apresentadora do programa Esporte é Cultura da Rádio Cultura de Sergipe 670 AM.

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