Marcas da Copa – Itália Vita Mia

Após anos de percalços, a redenção italiana então viera
Marcas da Copa – Itália Vita Mia

Mais uma edição da coluna retrô sobre as Copas do Mundo, o “Marcas da Copa”. Colunistas FNV e convidados vão descrever a emoção única de algum jogo marcante de Copa que ficou fincado na memória. Serão crônicas desde a época de Pelé, até os tempos atuais. E hoje é Fernando Galuppo quem nos contempla com suas lembranças. Confira abaixo:

ITÁLIA 1 (5) X (3) 1 FRANÇA

Copa do Mundo de Futebol para mim sempre foi um momento de fortalecer ainda mais as minhas raízes ancestrais italianas. Sou descendente de imigrantes da península tanto por parte de mãe quanto por parte de pai.

Em casa, nunca teve divisão de torcida. Todos somos Itália quando a bola rola no Mundial. No futebol, essa sempre foi (e será) a nossa pátria. Amigos e parentes, nessa época do ano, acostumamos a nos reunir em alguma cantina da cidade de São Paulo para acompanhar as partidas da nossa querida Azzurra, junto com os demais membros da comunidade radicados por aqui. Um ritual que une paixão, saudosismo e tradição.

Tenho recordações de inúmeros momentos festivos, a partir da Copa de 1986. Enquanto na minha rua pintavam a bandeira do Brasil e coloriam tudo de verde e amarelo, no fortim dos Razzo Galuppo era tudo verde, vermelho e branco. Um pequeno quintal de italianinhos vestidos de azul se divertiam com pizza, vinho e macarrão, antes, durante e após as partidas. Pura alegria. Pura nostalgia.

Os percalços

A Copa na Itália, em 1990, é a primeira grande lembrança. Meus tios trouxeram chaveiros oficiais do torneio vindos diretamente da “Bota”. O álbum de figurinhas com os ídolos como Maldini, Baresi e Zenga. Mamma mia!!! Era um sonho.

O futebol italiano em si era muito popular no Brasil naquela época, graças as transmissões matutinas da TV Bandeirantes nos domingos pela manhã, antes da macarronada da nonna com a famiglia. Silvio Luiz e Silvio Lancelotti na narração e comentários é uma reminiscência das mais doces que carrego na alma. Era o único campeonato europeu que passava na televisão ao vivo, até então. Na TV Cultura passava o campeonato alemão no fim da noite, mas em forma de reprise. Não tinha o mesmo charme.

Naquela edição, surgiu um herói improvável (que não estava no álbum de figurinhas): Salvatore (Toto) Schillaci. Um centroavante goleador e carismático. A Azzurra caiu nas semifinais para a Argentina de Maradona, astro que brilhava no Napoli e dividiu os corações italianos, numa decisão por pênaltis.

Maradona foi um dos carrascos da Azzurra na Copa do Mundo de 1990 | Foto: ESPN

Na trave

Quatro anos depois, nos Estados Unidos, em 1994, a Azzurra mostrou sua força e chegou a uma decisão de mundial. Conduzido pelo gênio Roberto Baggio, os italianos teriam o Brasil de Romário pela frente na final. Novamente, os pênaltis frustraram o sonho de ver a Itália campeã. Justamente o craque do time errou a cobrança decisiva. Recordo-me de ouvir e ver a festa da torcida brasileira pela conquista, tomando todas as ruas da cidade, enquanto chorava calado com a minha camisa azul num canto. Só fui consolado quando me lembraram que havia dois brasileiros que atuavam no Palmeiras (Zinho e Mazinho) levantando a taça. Isso me acalmou e até esbocei uma comemoração.

Em 1998, novamente nos pênaltis, caímos nas quartas de final para os donos da casa e campeã França. Em 2002 fomos roubados na prorrogação e caímos perante os anfitriões da Coreia do Sul, com um gol na morte súbita, nas oitavas de final.

Baggio perde pênalti que quarto título de Campeão do Mundo a Seleção Brasileira | Foto: Squawka

A redenção

A redenção, enfim, aconteceria em 2006. Novamente estávamos numa decisão, perante um dos nossos mais tradicionais rivais: a França. No dia 9 de julho, em Berlim, na Alemanha, os franceses comandados pelo astro Zinedine Zidane tinham pela frente um Itália com Buffon, Cannavaro, Pirlo, Del Piero e Totti.

Aqui, na véspera da partida, nos reunimos na cantina C… Que Sabe, no italianíssimo bairro do Bixiga, em São Paulo. Viramos a madrugada preparando o molho do macarrão que havíamos prometido distribuir gratuitamente a todos que lá fossem torcer pela Azzurra. Logo pela manhã, a rua em frente a cantina já toda enfeitada, recebia gente de toda parte para o esquenta pré-jogo.

Os nonnos ocupavam os assentos mais próximos do telão que foi montado no interior do restaurante. A cada hora que se aproximava da partida, o local era um misto de Palestra Itália e San Siro. Camisas italianas (de clubes e principalmente da seleção) se misturavam com a maglia verde inconfundível do Palmeiras. Os antepastos e o vinho não davam conta. A ansiedade consumia os nervos de todos, que amenizavam com uma boa garfada nas iguarias mediterrâneas.

O JOGO

Com a bola rolando, Zidane abre o placar logo no início, após penalidade cometida por Materazzi. O zagueirão italiano não tardou e anotou o gol de empate logo em seguida, com uma cabeçada, após cobrança de escanteio perfeita de Pirlo. Um bálsamo na angústia que já tomava conta de todos.

O jogo ganhava ares de alta tensão, com a persistência do empate no tempo normal. Materazzi e Zidane viriam a ser protagonistas novamente, com um lance inusitado. Na prorrogação, o camisa 10 francês agrediu Marco Materazzi com uma cabeçada e viu sua vitoriosa história no futebol ser encerrada com um cartão vermelho. Euforia total de nós torcedores! Vibramos como um gol de desempate!

Zidane dá cabeçada em Materazzi após provocação do rival | Foto: Notícias ao Minuto

No entanto, a decisão do título foi para os pênaltis, o que sempre é sinônimo de sofrimento. Mais uma vez, a sorte italiana estava lançada na marca da cal.  O filme de 1994 passava na cabeça. Não pode ser. “De novo, não!”, era o que pedia!

Quando David Trezeguet acertou o travessão de Buffon, a nossa sorte mudou! Todos os atletas italianos converteram seus tiros e nos deram o quarto título mundial. Uma alegria arrebatadora invadiu o coração e a alma de todos que ali estavam. O bairro do Bixiga explodiu em festa, como se fosse a Piazza della Repubblica, em Roma! Quanta emoção! Inesquecível. Uma memória que carrego para sempre em minha vida!

Trezeguet perde pênalti na final da Copa do Mundo de 2006 contra a Itália | Foto: Yahoo Esportes

Com a não qualificação dos italianos para a Copa da Rússia de 2018, essa será a primeira vez que assistirei essa competição com certa indiferença e neutralidade. Talvez possa dar uma atenção maior aos países em que algum atleta do meu querido Palmeiras estiver atuando. Nada mais que isso. Sem Itália. Sem paixão. Que venha rápido 2022 para sonharmos com o pentacampeonato e viver momentos tão felizes como o que passamos na conquista do tetra!

FORZA RAGAZZI

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