Marcas da Copa – A estreia do Brasil em casa

Brasil estreia com vitória sofrida sobre a Croácia na Copa do Mundo de 2014
Marcas da Copa - A estreia do Brasil em casa

Mais uma edição da coluna retrô sobre as Copas do Mundo, o “Marcas da Copa”. Colunistas FNV e convidados vão descrever a emoção única de algum jogo marcante de Copa que ficou fincado na memória. Serão crônicas desde a época de Pelé, até os tempos atuais. E hoje é Ale Xavier quem nos contempla com suas lembranças. Confira abaixo:

BRASIL 3 X 1 CROÁCIA

Aaaaah, o futebol! Quem é apaixonado por ele, assim como eu, sabe que esse “aaaaah” foi aquele de suspiro com muito amor. O futebol me conquistou desde muito cedo! Ainda pequenininha, ia no clube da minha cidade, no interior de São Paulo, ver meu pai jogar bola. Ele era goleiro. Para se aquecer, ele jogava a bola e rolava para eu chutar, mesmo não sabendo ainda fazer isso. Chutava igual criança mesmo, daquele jeito que a bola mais rola e quase não chega no adulto. Mas eu adorava e todo santo jogo estava lá aquecendo ele.

Fui crescendo e aprendendo a jogar. Cresci, cresci, cresci e virei jogadora. Cresci mais e parei de jogar para estudar. Mas, no meio de tudo isso, teve uma coisa que eu aprendi a fazer: torcer. Torcer por um time é maravilhoso e torcer pela seleção é melhor ainda. Vi o Brasil ser penta em 2002 e lembro exatamente de cada detalhe: estava na sala, sentada com a perna de índio, comendo pipoca, quando Rivaldo abriu a perna pro maior jogador de todos os tempos, Ronaldo Fenômeno, marcar. Mas não é sobre esse jogo que eu vou falar. Em 2006 vi também o Brasil ser eliminado pela França e em 2010 vi perder para os Países Baixos. Vi também a Copa em casa e é sobre 2014 que eu vou falar. Quem imaginou assistir uma Copa do Mundo no Brasil? Eu nunca, nem nos melhores sonhos de criança. Tudo bem que depois tudo virou um pesadelo, mas não tinha como prever.

Marcas da Copa - A estreia do Brasil em casa
Foto: Julio Cortez/AP

A SAGA

A empolgação em ter uma Copo do Mundo tão pertinho era inevitável. Obvio que eu ia querer assistir o Brasil e não ia me contentar com qualquer jogo de outra seleção. Então a saga dos ingressos começou. Não fui sorteada pelo sorteio oficial dos ingressos da FIFA. Comecei uma nova estratégia: assistir jogo em São Paulo, por ser a cidade mais perto e pela seleção estrear em Itaquera. Tentei comprar bilhete de gente que tinha sido sortudo em ter conseguido e que não iria ao jogo, mas os valores eram inviáveis. Fiquei atrás por muito tempo e desisti. Não dava mesmo. Os valores eram s-u-r-r-e-a-i-s. A minha indignação não tinha tamanho. Ia ter uma Copa no quintal da minha casa e eu não ia conseguir ir. Fiquei mal, muito mal. Mas calma, tudo deu certo.

Dois dias antes do jogo encontrei um tio meu, o Augusto. Ele é muito bem relacionado no meio futebolístico. Comentei com ele que queria ir no jogo, mas não tinha conseguido comprar ingresso, e nossa conversa ficou por isso mesmo. Não gosto muito de ficar pedindo coisa para os outros. No dia seguinte ele me ligou e disse que tinha arrumado um ingresso para mim. S-É-R-I-O, foi a melhor ligação que já recebi até hoje. Eu, finalmente, tinha conseguido. E vou contar para vocês como foi agora!

Marcas da Copa - A estreia do Brasil em casa
Foto: Gazeta do Povo

1º TEMPO

Brasil x Croácia era o jogo. Croácia! Quem não estava animado para essa estreia? Como eu estava ansiosíssima para esse jogo, cheguei muito cedo ao estádio. Tirei mil fotos, comprei pipoca, copo de cerveja (mesmo não bebendo, era só para ter o copo mesmo), e sentei no meu lugar. Eu parecia uma criança indo pela primeira vez no parque de diversão, o sorriso não saia do meu rosto. Demorou, mas o jogo começou. E não foi como eu, e todo o brasil, esperava. Croácia abriu o placar ainda no primeiro tempo, com um gol contra do Marcelo. O Brasil estava meio abatido, nem parecia que era jogo de Copa e na nossa casa. Mas foi do pé dele, do cara que era a esperança pro hexa, Neymar, que saiu o gol do empate. Um gol chorado, no cantinho, pegando na trave, mas que aliviou um país inteiro. Respiramos pelo menos até o intervalo.

Foto: Getty Images

2º TEMPO

No segundo tempo deu Brasil, mas da metade para o final. O começo do segundo tempo não teve gol. Eu estava completamente aflita na arquibancada, pensando que tinha sido muito difícil estar ali e que eu poderia não ver uma vitória da seleção na Copa da nossa casa. Mas o menino Ney, mais uma vez, salvou. Ou será que foi o juiz? Porque, na minha opinião, não foi pênalti naquele lance do Fred dentro da área. O jogador da Croácia não chega a puxar ele, mas o brasileiro, malandro, conseguiu fazer com que o juiz acreditasse no lance. Pênalti marcado, Ney na bola e… Ufa, 2 x 1 para nós. Jogo segui e nos acréscimos ainda teve mais um do Oscar.

Foto: Reuters

FIM DE JOGO

Ufa! Não foi como a gente esperava, com o Brasil jogando fácil, abrindo o placar, mas pelo menos saímos com a vitória no primeiro jogo da Copa do Mundo na nossa casa. Fizemos o dever de casa. Eu saí do estádio com o gostinho de ter realizado um sonho. Tudo bem que depois esse sonho se tornou pesadelo e fomos escorraçados pela Alemanha. Não tinha como prever isso, né? Mas o que mais me marcou na Copa do Brasil foi ter assistido a esse jogo em Itaquera. Sinto orgulho em contar como o Brasil começou esse campeonato. Como terminou eu prefiro não contar. Vou guardar só as boas lembranças da competição.

Marcas da Copa - A estreia do Brasil em casa
Foto: Odd Andersen/AFP
Redação FNV

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