Marcas da Copa – Enredo dos sonhos, realidade do pesadelo

A história que todo brasileiro quer esquecer e todo estrangeiro fará questão de lembrar

Mais uma edição da coluna retrô sobre as Copas do Mundo, o “Marcas da Copa”. Colunistas FNV e convidados vão descrever a emoção única de algum jogo marcante de Copa que ficou fincado na memória. Serão crônicas desde a época de Pelé, até os tempos atuais. E hoje é Eric Filardi quem nos contempla com suas lembranças. Confira abaixo:

BRASIL 1 x 7 ALEMANHA

Há quase quatro anos, numa tarde ensolarada do oitavo dia do mês de julho, os pássaros cantavam o hino do Brasil, o verde e amarelo tomava conta da cidade de Belo Horizonte… E que belo era este horizonte antes do início da fatídica partida entre Brasil e Alemanha. O estádio estaria lotado, mais de 58 mil pessoas, fora a multidão nos arredores do Mineirão. Atmosfera arrepiante para qualquer pessoa, principalmente para quem estava com ingresso para curtir a semifinal da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, ó pátria amada.

Foto: Copa Writers

O SONHO

Os sonhos faziam das mentes brasileiras refém. Talvez ilusão fosse a palavra certa para descrever o cenário da ocasião. Tudo muito metódico, perfeito. Não poderia ser verdade. A massa já havia voltado a ter adoração por seus selecionados. Não poderia ter alguém melhor que o chefe da família brasileira da Coréia e Japão, para comandar seus “filhos” diante do maior desafio já tido, triunfar em sua própria nação após o fracasso do Maracanazo, em 1950. Pressão nas costas de 23 jogadores mais o comandante. A confiança exalava de qualquer cidadão brasileiro.

Imagem You Tube

Enquanto as bandeiras tremulavam, as gargantas se esgoelavam, os times entravam em campo… O Brasil aclamado, endeusado por seu povo apaixonado, entrara desfalcado de sua estrela guia, e também de seu capitão, que os lideraria, até então, Neymar. No lado oposto estavam os fortes germânicos, que conquistavam os tupiniquins a cada jogo com extrema habilidade, coletividade e carisma, destoavam no gramado brasileiro tirando toda a cor da nossa alegria com seu manto preto e branco, tentando descolorir o brilho do canário, apagar nosso raio tão fúlgido até então.

O FIM DO SONHO

Diferente das outras edições do Marcas da Copa, esta não tem primeiro e nem segundo tempo. A tragédia é grande demais para nós brasileiros contarmos. Palavras não são mais necessárias. Nada silenciará a dor desta derrota. Talvez seria este o castigo pago pela autoconfiança que beirava a arrogância. O chefe da família havia dito que seria muito difícil perder a Copa, mas não foi o que vimos. O sonho foi-se pelo ralo, junto com a o brasileiro que não desiste nunca. Que pesadelo! Um Müller aqui, um Klose lá, dois Kroos’ seguidos e um Khedira. Até reserva aqui vez. Schürrle entrou e mais dois fez. Merecemos um “Oscar” de pior atuação! Certamente seria o Framboesa de Ouro.

“200 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a…”

Que baque. Os alemães nos calando, dando uma aula de como jogar futebol. O clima que era de festa dá lugar a melancolia. Os sorrisos estampados nos rostos de todos os brasileiros foram murchando, e a boca aberta que mostrava os dentes por prazer de ser feliz, some. O queixo começa a tremer, nos olhos a enchente começa a fazer estrago e as mãos que antes batiam no peito de tanto orgulho, sobem a cabeça dando início ao desespero.

Foto: Laurence Griffiths/Getty Images

O futebol é uma religião para o povo nascido entre o Oiapoque e o Chuí. Qualquer hematoma se torna câncer. E após muitas batalhas enfrentadas em um novo ciclo de Copa, a Seleção Canarinha incorpora outro pássaro, aquele acostumado a ressurgir das cinzas e se reinventa. Novo comandante e novos comandados. Uma nova Copa do Mundo está por vir. De fato estamos mais preparados, tanto para o choro, quanto para a glória. Tomara que um novo encontro aconteça, este agora com uma elástica vitória. Brasileira, claro.

Lucas Figueiredo/Mowa Press/Mowa Press
Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.
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