Kléber Gladiador e seus excessos!

Kléber Giacomazzi de Souza Freitas, este é o nome do mais gladiador de todos os “Kléberes” que já existiram no futebol. Jogador brigador, raçudo mesmo, que divide bola com “gente grande” e ganhou a alcunha de Gladiador nos tempos de Dínamo de Kiev.

Oriundo da base do São Paulo Futebol Clube, surgiu na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2000, conquistada pelo Tricolor Paulista, numa geração que ainda tinha Kaká, Júlio Baptista e Fábio Simplício. Se profissionalizou em 2003, aos 20 anos, e se destacou no Brasileirão de 2003, no qual o São Paulo terminou em 3º lugar. Ainda foi artilheiro da equipe na Copa Sul-Americana de 2003, com 5 gols. A boa fase o levou ao Dínamo de Kiev, onde começou a ganhar experiência e também a torcida, com muita vontade demonstrada e sendo peça importante em duelos da Champions League como 2 empates com Real Madrid em fase de grupos, e uma quase classificação às oitavas em 2005/06 com 1 ponto a menos que Real Madrid e Bayer Leverkusen. No time de Kiev foram 28 gols e 77 partidas oficiais em 3 temporadas.

Chegou ao Palmeiras em 2008 para a disputa do Campeonato Paulista em empréstimo de uma temporada. O modo guerreiro como dividia as bolas e ainda marcava gols e dava passes em partidas decisivas, o fez titular e se tornou um dos melhores jogadores daquele Paulistão, sem contar que caiu nas graças dos torcedores.

  • Deu uma cotovelada no zagueiro do São Paulo, André Dias, durante a goleada por 4 a 1 sobre o rival. Sua ação foi considerada como “ato hostil” pelo TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) e foi condenado a 3 jogos de suspensão.

Após a cotovelada, ficou conhecido como jogador agressivo e a fama de “bad boy” logo pegou e ele não fez nada para se redimir, pelo contrário, apenas confirmava cada vez mais que era um jogador que passava um pouco do limite na vontade de querer vencer. No 1º turno do Brasileirão 2008, recebeu 9 cartões amarelos e 3 vermelhos. Porém, mesmo sendo voraz demais, terminou a competição com 8 gols marcados em 30 partidas. Seu ano foi de 12 gols em 47 partidas, para um atacante de beirada de campo, segundo atacante, são bons números. Sua ajuda fez do companheiro de ataque Alex Mineiro o vice-artilheiro do campeonato com 19 gols, dois a menos que os artilheiros (foram 3 naquele ano). Ao fim de 2008, quando seu empréstimo se encerrava, acertou-se com o Cruzeiro em uma troca que envolveu o atacante Guilherme (hoje no Atlético-PR) que ia ao Dínamo e cedendo assim o Gladiador ao clube mineiro.

Confirmando-se como bom atacante fez sua estreia diante do Estudiantes-ARG. Foi uma estreia “marcante”. O Cruzeiro estava mal na partida. Quando a torcida começa a pedir Kléber. O Gladiador substituiu Thiago Ribeiro aos 15min da etapa final. Dois minutos depois, Fernandinho abriu o placar, em cobrança de pênalti. Depois foi a vez do ex-palmeirense assumir o papel de protagonista, literalmente.

  • Marcou dois gols relâmpagos, aos 24min e 27min, e recebeu cartão amarelo na comemoração do gol. Após isso, fez falta em Verón e foi expulso pelo árbitro Carlos Amarilla. Foram apenas 14 minutos em campo, o suficiente para dar a vitória tranquila aos mineiros, que venceram por 3 x 0, e marcar-se de fato como violento.

No Campeonato Mineiro foi campeão em cima do Atlético Mineiro, arqui rival do Raposa, marcando 13 gols no campeonato e sendo eleito um dos melhores jogadores daquele estadual. Na Libertadores de 2009, foi um dos principais destaques da equipe, que chegou até a final, na qual perderam justamente para o Estudiantes em pleno Mineirão, por 2 x 1, após empate sem gols fora de casa. Acabou o torneio sendo vice artilheiro da equipe.

  • Em setembro de 2009, criou uma enorme polêmica ao participar de um evento da torcida organizada do Palmeiras, Mancha Verde, dias antes de enfrentar tal equipe pelo Brasileirão. O jogador foi muito criticado e se desculpou pelo acontecido (acabou marcando o gol da vitória do Cruzeiro no último jogo da temporada contra o Santos, garantindo o time na Libertadores do ano seguinte e eliminando as chances justamente do Palmeiras, seu ex-clube e do qual a torcida o amava).

Voltou ao Palmeiras no meio de 2010 e foi ficando mais tranquilo quanto ao seu temperamento, tentando apagar a fama ruim. As confusões ficaram pequenas até 2011, quando no mês de julho, foi pivô de uma polêmica entre Palmeiras e Flamengo. O clube carioca ofereceu uma proposta salarial melhor do que os ganhos do atacante, mas os cariocas desistiram da contratação. Após derrota para o Fluminense por 2 a 1, em partida válida pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, o atacante foi ironizado pelos torcedores alviverdes que exibiram camisetas com inscrições chamando-o de “Judas” e “Traidor”. Alguns outros torcedores exibiam cartazes criticando a própria situação da equipe com dizeres do tipo “time de safado”.

  • Kleber foi afastado pela diretoria palmeirense após defender o volante João Vítor, envolvido em uma briga com torcedores do time em frente a uma loja oficial do Palmeiras. Na ocasião, o Gladiador se recusou a viajar com a equipe para a partida diante do Flamengo, alegando que o clube não protegia os jogadores. Acabou tendo também um sério desentendimento com o técnico Luiz Felipe Scolari, que avisou ao presidente que não pretende mais trabalhar com Kleber.

Rumou então para o Grêmio, onde não sofreu com polêmicas, mas amargou uma série de várias lesões que interferiram em seu rendimento no clube. Foi bem quando jogou, mas acabou caindo de produção, indo para o banco e posteriormente sendo negociado com o Vasco da Gama. Ficou no Vasco entre 2014 e meados de 2015, quando foi defender o Coritiba. Sofreu lesão logo que chegou e se afastou das encrencas e nem salário recebeu enquanto não jogou. Marcou apenas 1 gol neste Brasileirão de 2015. Em 2016 foi diferente, pode fazer toda a pré-temporada e totalizou 23 gols durante a temporada, sua segunda melhor em termos de gols feitos, ficando atrás apenas de Robinho (Atlético-MG) e Grafite (Santa Cruz) nesse quesito. Em 2017, segue no Coxa e foi o artilheiro isolado do Campeonato Paranaense, com 11 gols. Tudo caminhava bem no Coritiba, 3º colocado no Brasileirão, com uma excelente campanha até então, até que, no jogo diante do Bahia, válido pela 7ª rodada do BR-17, o “diabo” assombra novamente a mente do Gladiador.

  • O jogador parecia a fim de aproveitar o feriadão prolongado com a família. Em um dia de fúria, ele se envolveu em polêmicas desde o início e acabou expulso pelo árbitro Wagner Reway. Primeiro deu uma cotovelada no meia Zé Rafael, do Bahia, aparentemente tentando se proteger da falta que receberia. Na sequência discutiu com o volante Edson, que tomou as dores de seu companheiro de equipe. Bravo com a cobrança, deu um soco na cara de Edson, lances depois, dentro da área do Bahia, não flagrado pelos árbitros. Extremamente fora de si, deu um pisão em Lucas Fernandes, também não visto pelos árbitros. Foi punido no estopim, ao cuspir no rosto de Edson, com a expulsão. Edson também cuspiu em Kléber e foi expulso.

A fama de Bad Boy o acompanha e seu temperamento parece que não mudará. Aos 33 anos, ainda não mudou. Será que Kléber tem jeito ou sempre será o “8 ou 80”? Já dizia minha avó: Pau que nasce torto, nunca se endireita!

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.


 

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