Jorge Fossati: a experiência que pode fazer história no River Plate

Treinador com rodagem mudou a forma dos Darseneros jogarem e classificou o time para a final do Intermedio
Jorge Fossati

Neste domingo (8), às 15h (horário de Brasília), acontece a grande final do Intermedio Uruguaio 2019 entre Liverpool Montevideo e River PlateE nenhuma das equipes, até então, tem um título de expressão em sua história. Ambas já venceram mais de uma vez  a 2ª divisão, mas ainda falta a afirmação. Assim, ela pode vir neste domingo. Para alimentar ainda mais o interesse por esta final, vamos conhecer um pouco mais do técnico Jorge Fossati, do River Plate, que enfrenta o jovem Paulo Pezzolano, do Liverpool. O duelo Pezzolano x Fossati põe em campo um confronto de estilos. Enquanto os Negriazules fazem uma campanha focada num forte ataque, os Darseneros optaram por uma solidez defensiva. Ambos os estilos deram muito certo, mas só há um vencedor. Portanto, o FNV trouxe um pouco mais da história do jovem técnico, estilo de jogo e campanhas para enriquecer o repertório desta final.

Jorge Fossati

Aos 66 anos e com frande experiência e rodagem no futebol, Jorge Daniel Fossati Lurachi pode estar perto de fazer história. Isso porque o River não tem nenhum título na 1ª divisão e isso pode mudar neste domingo. Por incrível que pareça, El Jefe (O Chefe), como foi apelidado, começou a carreira de treinador em 1993, justamente no River Plate, de Montevidéu. Passou também por Peñarol, onde conquistou o Campeonato Uruguaio de 1996, Cerro Porteño, Danubio, Colón, Banfield, Danubio novamente e LDU, onde conquistou o Campeonato Equatoriano de 2003, até chegar ao ápice de qualquer técnico, talvez: Seleção Uruguaia, em 2004.

Seleção Uruguaia

O treinador levou a Celeste Olímpica ao 3º lugar na Copa América de 2004, e levou até a repescagem para a Copa do Mundo de 2006, mas perdeu a vaga para a Austrália. Consequentemente, não seguiu no comando da Celeste. Em 2007 assumiu o Al-Sadd, do Qatar, vencendo o Campeonato Qatariano, a Copa do Qatar, duas vezes a Copa do Emir de Qatar e a Copa Zeque Jassem. No mesmo ano assumiu a Seleção Qatariana.

Conquistar internacionais

Mas a sorte virou de vez em 2009, quando acertou seu retorno a LDU. Nos equatorianos venceu a Recopa Sul-Americana de 2009 e a Copa Sul-Americana de 2009. Inclusive, foi sobre o comando de Fossati que o Liverpool Montevideo foi eliminado nas semifinais da Sul-Americana de 2009, com direito a uma goleada de 7 x 0 na altitude de Quito. Na final, bateram o Fluminense num épico 5 x 1 em Quito e nem a derrota por 3 x 0  no Maracanã tirou seu título. Saiu do clube no final de 2009, pois não conseguiu a classificação para a Libertadores de 2010 (a Sul-Americana ainda não dava vaga a competição).

Início da má fase

Mas se não ia disputar a Liberta com a LDU, ia com o Internacional. Começou bem no Campeonato Gaúcho, chegando a fazer a melhor campanha do 1º turno. Porém, o 2º turno foi diferente. Caiu nas semifinais do Gaúchão com um 3 x 0 para o São José, sendo o quinto jogo sem vitória. A mídia caiu em cima e, antes da pausa para a Copa do Mundo, mesmo classificado para às semifinais, onde enfrentaria o São Paulo, mas somente em julho, pós-Copa, a diretoria resolver demití-lo e não correr o risco de serem eliminados nas semifinais. Decisão acertado, pois Celso Roth levou o Colorado ao título da competição.

Mundo Árabe

Então partiu para à Arábia Saudita, o Al-Shabab, na segunda metade do ano e em 2011 regressou ao Al-Sadd, do Qatar, onde conquistou a Liga dos Campeões da Ásia de 2011. Saiu no ano seguinte e foi para o Cerro Porteño, do Paraguai, onde venceu o Campeonato Paraguaio de 2012. Em 2013 foi para o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, mas sem títulos por lá. Voltou ao Peñarol em 2014 e regressou ao ao Qatar em 2015 para treinar o Al-Rayyan, onde conquistou pela segunda vez o Campeonato Qatari. Assim, tornou a comandar a Seleção Qatari em 2016 e 2017, não conseguindo a classificação para a Copa do Mundo de 2018. Acertou com o Al-Ahli, da Arábia Saudita em 2019 e em junho acertou seu retorno ao River Plate.

Temporada atual

Os Darseneros não perdem há oito jogos, sendo duas vitórias consecutivas. Chegaram a final após ficarem em 1º lugar no Grupo A (da morte), com 15 pontos, sendo quatro vitórias e três empates. O feito foi ainda mais impressionante porque deixaram para trás os gigantes Nacional e Peñarol, além dos medianos Defensor Sporting e Danubio. Sem contar o tradicional Wanderers. O time ligou a quinta marcha apenas no Intermedio. Até então faziam uma pífia campanha no Apertura, com apenas três vitórias. Por outro lado, são os reis dos empates, totalizando 11. Neste torneio se consolidaram por uma forte defesa, sendo a melhor do Intermedio, com apenas três sofridos. Mas seu ataque é comedido, porém eficiente. São apenas sete gols no torneio, mas o sistema defensivo ajudou. Vale destacar que desde a chegada do técnico Jorge Fossati, ex-Internacional, o time não perdeu e chegou à final.

Estilo de jogo

Com apenas três gols sofridos desde o retorno de Fossati, é óbvio que o time tem uma solidez defensiva. Transformou o ginásio de Saroldi, usado esporadicamente para festas ou reuniões, em uma academia para o primeiro time. “Algo que vou tentar fazer, mas não por mim, mas pelo River, é melhorar algumas coisas. Vou tentar colaborar. Entendo que o futebol uruguaio é pobre, mas não falido. Às vezes isso acontece mais na cabeça do que em outra coisa”, disse o treinador  quando voltou ao clube. E ele está fazendo isso.

Com uma linha de três, extremamente criticada nos tempos de Peñarol, ele continua a usar este esquema defensivo que, no River Plate, lhe deu bons resultados no Intermedio, além dos altos rendimentos do goleiro Gastón Olveira. A equipe de Darnera joga com três homens na frente de Olveira: Gonzalo Viera, Agustín Ale e Joaquín Fernández. Entretanto, essa linha de três pode rapidamente se tornar uma das cinco, com o “Ojito” Nicolás Rodríguez à direita e Joaquín Piquerez à esquerda. Maximiliano Calzada e o capitão Sebastián Píriz dão ainda mais solidez defensiva na metade do campo, enquanto Diego Vicente joga um pouco mais à frente. Na frente, Luis Urruti e o jovem Matías Arezo aproveitam sua velocidade para sair do contra-ataque. Há também Juan Manuel Olivera, que jogou com Arezo quando Urruti foi suspenso (na vitória contra Peñarol) e foi fundamental para fazer o trabalho sujo para o jovem. River também é muito bom em bolas paradas, a favor e contra.

“Foi uma semana especial. Há uma final e isso não é frequente para River. Posso ser muito velho e tive a possibilidade de viver várias situações semelhantes, mas isso não significa que não sinto ansiedade. E não se joga a partida na noite anterior”, reconheceu o treinador que mudou River.

O adversário por Jorge Fossati

“O Liverpool é excelente. Eles fizeram uma ótima campanha. Seus números são eloquentes e venceram todas as partidas com autoridade. Mas as finais são frequentemente ditas – e eu concordo – que são partidas separadas”, disse Jorge Fossati sobre o jogo de hoje no Franzini.

O River Plate visto pelos adversários

“O River é muito difícil de entrar na área com a bola dominada. É quase impossível porque eles dobram e marcam muito bem com uma linha de três que na verdade são cinco. Eles estão muito próximos quando se trata de defender”, disse JoséAlberti, que fez o gol do Juventud de las Piedras, uma das três equipes que conseguiu marcar um gol no River no Intermedio. “Tínhamos visto um vídeo e sabíamos que eles não saíam com o segundo homem na marcação. Levamos dois homens para o escanteio e um terceiro surpresa. Quando Gonzalo González passou para mim, eu já sabia que iria chutar no gol. A bola tocou em um jogador do River e entrou no ângulo do outro lado, e isso foi capaz de descolorir um pouco Olveira”, disse ele sobre seu gol. “A final será linda, os dois jogam bem. O Liverpool marcou muitos gols e tem ‘Colo’ Ramírez endiabrado. E o River sai para o contra-ataque muito rápido. Eu acho que será uma final muito equilibrada. Capaz de Liverpool ter um pouco mais (vantagem). Embora Fossati seja Fossati. São partidas e, além do mais, é uma final”.

Foto destaque: Reprodução/Twitter

Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.


 

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