Imprensa espanhola está certa: fim de uma era no Real Madrid

'Marca' e 'As' repercutem trágica eliminação para o Ajax e projetam um recomeço para o time merengue na próxima temporada

Nem o mais pessimista torcedor do Real Madrid ousaria dizer que o time que ganhou quatro das últimas cinco Liga dos Campeões seria eliminado nas oitavas de final, em pleno Santiago Bernabéu, para o holandês Ajax, por 4 a 1. A verdade, no entanto, é que a precoce queda no torneio continental reforça o que foi veiculado pela mídia espanhola no dia seguinte à hecatombe: os merengues de Madrid fizeram história, marcaram uma era, mas chegou a hora da renovação.

Dizer que a saída de Cristiano Ronaldo está relacionada ao fracasso do Real Madrid nesta temporada é redundante. O português, como todos sabem, faz – e muito – a diferença. A ausência de Zidane também influencia, é verdade, mas o fraco desempenho dos merengues passa por outros motivos.

Queda de rendimento da equipe

O primeiro deles diz respeito à queda de rendimento de toda a equipe. Medalhões como Marcelo, Kroos e Bale não apresentam o melhor futebol. O brasileiro, inclusive, tem passado mais tempo no banco de reservas do que em campo, em 2019. O galês, por outro lado, comprado por 100 milhões de euros, é criticado por não ter conseguido suprir a falta de CR7. Outros jogadores, como Isco, uma espécie de 12º jogador, foram preteridos pela comissão técnica, neste caso, a de Solari, e, quando entram, não estão no ritmo adequado.

Do céu ao inferno: antes idolatrado, Marcelo vive dias para esquecer no Real Madrid (Reprodução/Reprodução)

Elenco acomodado…

O segundo motivo está relacionado à tendência de os clubes renovarem suas equipes depois de um período áureo, o que o Real não o fez. Cristiano saiu, é verdade, mas a espinha dorsal do elenco foi mantida. Pode parecer exagero, já que o tempo vitorioso do Madrid durou quatro temporadas, mas nestas circunstâncias, é normal que o elenco se acomode, afinal, se você joga no time que é considerado o melhor do mundo, conquista quatro ‘Orelhudas’ em cinco anos, deve pensar que não precisa provar nada a ninguém.

… e falta de sorte?

Por fim, considerando apenas a fatídica semana, na qual o Real Madrid foi derrotado três vezes em seu próprio estádio, é preciso destacar a falta de sorte da equipe nos momentos fundamentais. Na primeira partida contra o arquirrival Barcelona, os merengues dominaram o primeiro tempo – Vinicius Júnior perdeu, pelo menos, três boas chances de gols -, mas foi o Pistolero Suárez quem brilhou.

Pelo campeonato espanhol, no sábado, a vantagem não foi tão evidente assim, mas o jogo, que estava equilibrado, foi decidido no detalhe – no derradeiro lance, o capitão Sergio Ramos estava mal posicionado, tomou uma bola nas costas e não esboçou reação. Contra o Ajax, sem querer tirar o mérito da equipe holandesa, faltou malícia aos jogadores do time espanhol, para esfriar o jogo e frear o ímpeto do adversário – quando o jogo estava 2×0, por exemplo, os donos da casa jogaram por um gol para levar a partida para a prorrogação. Ademais, a derrota acachapante se enquadra na seleta lista de partidas nas quais absolutamente tudo dá certo para uma equipe e tudo dá errado para outra.

Novos galáticos?

Para a próxima temporada, nomes como Eden Hazard, Harry Kane e Mbappé são cogitados, mas nenhuma das três transferências é considerada fácil. Além disso, embora o ataque sofra com a ausência do faro de gols de Cristiano Ronaldo, será necessário repor peças para outros setores, como a lateral esquerda, caso Marcelo vá para a Juventus, e o meio-campo. De forma geral, mudar praticamente todo o time.

Com a eliminação do Real Madrid, a Liga dos Campeões perde, sem dúvida, em tradição. Por outro lado, é uma oportunidade para que o torneio mais famoso do mundo não caia na rotina de ver, todos os anos, Sergio Ramos erguendo uma Orelhuda.

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 20 anos, e curso Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, USP. Sempre fui apaixonado por esportes e tenho o sonho de ser um jornalista que trabalhe na área esportiva, seja como comentarista, repórter ou apresentador. Aprecio uma boa partida de futebol, independentemente das equipes que estejam se enfrentando. Possuo um blog, no qual escrevo textos para expor minhas opiniões acerca de tudo o que acontece no futebol. Dentro do jornalismo, admiro e me espelho em nomes como Paulo Vinícius Coelho, Juca Kfouri, Thiago Leifert, Alexandre Praetzel e André Rizek.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 20 anos, e curso Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, USP. Sempre fui apaixonado por esportes e tenho o sonho de ser um jornalista que trabalhe na área esportiva, seja como comentarista, repórter ou apresentador. Aprecio uma boa partida de futebol, independentemente das equipes que estejam se enfrentando. Possuo um blog, no qual escrevo textos para expor minhas opiniões acerca de tudo o que acontece no futebol. Dentro do jornalismo, admiro e me espelho em nomes como Paulo Vinícius Coelho, Juca Kfouri, Thiago Leifert, Alexandre Praetzel e André Rizek.

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