Ídolo no Japão e artilheiro na China: conheça Rafael Silva, o matador do Oriente

O brasileiro, de apenas 26 anos, fez história no Urawa Reds Diamonds, do Japão, ao ser campeão da Liga dos Campeões da Ásia em 2017 e recentemente levou o Wuhan Zall, da China, ao título da 2ª Divisão Chinesa

O jovem Rafael Silva é um dos muitos brasileiros desconhecidos no Brasil. Oriundo das categorias de base do Coritiba, o atacante jogou apenas 20 jogos pelo profissional da equipe paranaense e anotou um gol. Ficou por lá entre 2012 e 2013, ganhando por lá os dois estaduais destes respectivos anos. Pouco aproveitado, transferiu-se para o Lugano, da Suíça, onde começou a ter algumas chances e teve sua primeira experiência morando fora de seu país. Ficou somente um ano, disputando 30 partidas e marcando 12 gols.

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Então rumou ao Japão, onde viveu o melhor momento da curta carreira. Debutou na Terra do Sol Nascente jogando pelo Albirex. Foram quase três temporadas pelo clube de Niigata, anotando 22 gols em 60 jogos. Os bons números chamaram a atenção do Urawa Reds Diamonds. Na equipe de Saitama tornou-se ídolo após guiar a equipe ao segundo título da Liga dos Campeões da Ásia de 2017, 10 anos após a primeira conquista, sendo o destaque da equipe com nove gols em 11 jogos, terminando a competição como vice-artilheiro com um tento a menos que o sírio Omar Khribin, do Al Hilal, time vice-campeão. O título foi tão significativo que o atleta tem o troféu tatuado no braço.

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Em 2018 assinou com o chinês Wuhan Zall, da China League One (2ª divisão chinesa), com a missão de levar a equipe a elite nacional. Contudo, não só levou o time a Superliga Chinesa 2019 sendo o principal jogador, como contribuiu com 23 gols em 23 jogos, terminando o campeonato como vice-artilheiro, novamente faltando um gol, mas melhorando sua média ano após ano.

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Com grande prestatividade e destaque no continente asiático, o atacante concedeu uma entrevista exclusiva ao Futebol na Veia falando sobre as dificuldades que passou nos países onde jogou, a glória na conquista da AFC Champions League e o atual momento no Wuhan Zall. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

– Você tem passagens pelo futebol da Suíça, Japão e China. Qual deles você pode dizer que tem o melhor nível técnico?

“Comparando estes três países que joguei, acredito que o Japão está acima da Suíça e da China. Por tudo. Nível técnico, estrutura do clube e por você jogar sempre com estádio cheio. Todos os jogos têm estádio com, no mínimo, 20 mil torcedores”

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– Na questão de infraestrutura, qual dos locais mais te agradou morar: Suíça, Japão ou China?

“Eu sou um cara que consigo me adaptar fácil aos lugares. Claro que tem aquela dificuldade no começo, por não conhecer o país, não conhecer nada, tem um pouco de dificuldade. Mas depois eu vivo tranquilo. Mas acredito que na Suíça, para mim, foi o melhor lugar para morar, por ter mais estrangeiros, por ser uma cidade turística onde no verão tinha muita gente e isso é bem legal”

– E a comida destes países, tem algo em comum com a brasileira, você se adaptou rápido a alimentação de cada país, como foi?

“Engraçado que nos três países eu não tive a sorte de morar numa cidade com restaurante brasileiro. Mas tinha cidades próximas, então, sempre na folga, eu podia matar um pouquinho a saudade do Brasil. Para comida eu tive dificuldade nos três países, para falar a verdade. Como eu não tive a sorte de morar em cidades que tinham restaurante brasileiro, então eu tive dificuldade porque, ‘pô’, comida brasileira para aasiática muda muito. Então no começo foi muito difícil para querer provar a comida deles. No Japão teve uma história curiosa que no primeiro mês eu perdi 5kg porque não estava me alimentando direito. Mas depois eu me adaptei e ficou tudo tranquilo”

– Quais as principais dificuldades em cada um dos países?

“Na Suíça minha adaptação foi um pouco difícil no início por eu nunca ter morado fora do Brasil, ter sido minha primeira vez. No Japão a língua e a comida, essas foram as duas principais coisas que eu tive dificuldade. E na depois, no terceiro país, que foi a China, eu já estava mais acostumado, mais maduro também, e pela China ter bastante coisas parecidas com o Brasil, então, foi mais fácil”

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– Você foi muito feliz jogando no Japão, seja pelo Albirex Niigata ou pelo Urawa Reds Diamons. Conte um pouco das dificuldades, glórias e como foi conquistar este título tão significativo.

“O Japão realmente é um país que eu fui muito feliz nas duas equipes. O Albirex me proporcionou muitas coisas boas e depois, quando cheguei no Urawa, já estava maduro, adaptado com tudo e ali foi só desfrutar do meu futebol, porque lá tem grandes jogadores. Poucas dificuldades. Às vezes quando você tem uma lesão ou outra, essa a coisa que te atrapalha, que te deixa triste, mas, graças a Deus, nenhuma lesão grave. Conseguiterminar bem a Liga Japonesa e ganhar este grande título (Liga dos Campeões da Ásia) que é muito importante para um clube asiático como o Urawa Reds, que o último título deles foi em 2007, então existia muita cobrança em cima da gente para conquistar essetítulo depois de tantos anos. E conseguimos. Consegui escrever meu nome na história do clube e isso vai ficar marcado para sempre”

– Além de dar o título ao time japonês, marcou os dois gols das finais. Como a torcida do Urawa Reds lhe viu depois deste título? Você tem o tratamento de um ídolo por lá? Como é esse carinho?

“Minha passagem pelo Urawa foi rápida, mas muito intensa, de muitas coisas boas. O torcedor tem um carinho imenso por mim, recebo mensagens até hoje para que eu volte, que eles me amam e tudo. Sempre recebo mensagens deles. E eu tento retribuir o carinho agora de longe, mas tento retribuir o carinho. Alguns torcedores que eu consigo eu respondo. Claro que, um dia, se Deus quiser, não posso dizer, mas… penso em voltar para lá até para encerrar minha carreira, mas ainda é cedo, tenho muita coisa para conquistar, mas é um clube e um país que eu posso dizer que amo”

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– Você saiu da sua zona de conforto e desembarcou na China para ajudar o Wuhan Zall a subir de divisão e não só fez isso como foi campeão, vice-artilheiro com 23 gols e com apenas um a menos que o artilheiro. Como você explica esse seu momento, tanto pessoal quanto profissional de tantas glórias?

“Por eu ter vindo de um ano muito bom no Urawa, eu procurei dar sequência aqui na China, embarquei numa nova aventura, num novo desafio e procurei escutar aquilo que o clube precisava, o objetivo do clube para este final de ano. E conseguimos subir de divisão. E o meu objetivo que era ser artilheiro, uma pena que não consegui, faltou pouco, mas o título e um ano maravilhoso nós conseguimos fazer, então, eu fico satisfeito por mais um ano bom que eu fiz e procuro estar me superando a cada ano e consegui, mais uma vez, ser melhor que o ano anterior”

– Você vem fazendo temporadas excelentes uma atrás da outra. Com a subida do Wuhan, pode haver uma mudança para outro clube chinês de maior poder aquisitivo? Teve sondagens de outros clubes fora da China? Como você vê isso? Até quando vai o seu contrato?

“Como a temporada acabou recentemente é difícil eu falar de troca de clube, de propostas. Ainda não chegou nada. Por enquanto, eu continuo no Wuhan para o próximo ano. Vamos jogar a primeira divisão, que é o objetivo de todos, e fazer um bom ano, mais uma vez. Tenho mais dois anos de contrato e vou esperar. Agora é esquecer um pouco o futebol e curtir um pouco as férias, descansar, para chegar forte no ano que vem e o que for melhor nós vamos fazer”

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– Você não teve a oportunidade de se destacar em um clube grande da Europa. Há este sonho?

“Meu maior sonho era jogar no Arsenal, da Inglaterra. Desde criança eu brincava com meus amigos, dizia que um dia iria jogar lá. Mas a gente não pode escolher os nossos caminhos. Mas o caminho que eu trilhei e estou trilhando até hoje está sendo ótimo para mim, não tenho que reclamar de nada e se um dia isso acontecer, com certeza será consequência do meu trabalho”

– Com uma ótima história na Ásia ainda jovem, você não teve a oportunidade de mostrar-se para o Brasil. Como é o tratamento do público brasileiro que te acompanha mundo afora?

“Sai muito cedo do Brasil, não tive tempo de escrever minha história em algum clube brasileiro, mas volta e meia aparece algum comentário nas redes sociais pedindo para eu voltar ao Brasil, mas são poucos. E são pouco que realmente me conhecem aí dentro do Brasil”

– Se você tivesse que falar para o público que não te conhece as características do Rafael Silva. Como se descreveria?

“É muito difícil falar de mim mesmo. Mas o que eu posso dizer é que o Rafael Silva é um jogador que ama marcar gols, que treina todos os dias, que se esforça para estar sempre melhorando, um jogador de grupo. Não sou individualista, penso sempre no grupo primeiro e acho que isso que está me levando ao sucesso”

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.
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