Há 25 anos a Recopa Sul-Americana era decidida por argentinos

- Desde 1989, a competição contou com quatro "finais hermanas"
Recopa Sul-Americana

É sempre bom levantar um título, especialmente se a conquista extrapola as fronteiras nacional, adquirindo, portanto, contornos continentais, como a Recopa Sul-Americana. Disputada pela primeira oportunidade em 1989, a competição colocava frente a frente os campeões da temporada anterior tanto da Copa Libertadores da América quanto da Supercopa Libertadores, originada em 1988.

Desde então, somente em 1991, quando o Olimpia, do Paraguai, faturou ambos os títulos, e entre 1999 e 2002, período no qual o torneio não transcorreu. No entanto, em 2002, com o advento da Copa Sul-Americana, a qual substituía a Copa Mercosul e que teve como primeiro vencedor o Club Atlético San Lorenzo de Almagro, o “tira-teima” foi retomado. Dessa maneira, brasileiros e argentinos com 11 e nove taças, respectivamente, são os maiores vencedores do torneio.

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NO JAPÃO, ROJO CAMPEÃO

Apesar do futebol tetracampeão mundial dominar a Recopa, foram as equipes Albicelestes que mais protagonizaram finais conjuntas. Nesta quinta-feira, 9, completam-se 25 anos daquele Independiente e Vélez Sarsfield, no Estádio Nacional de Tóquio.

Nos anos 1990, o Japão sediou cinco edições do torneio: 1992, 1994, 1995, 1996 e 1997. Além disso, vale lembrar, o formato da competição, diferentemente do atual, onde os times se encaram em partidas de ida e volta, reservava apenas um único embate. Assim se deram também as Recopas de 1990, vencida pelo Boca Juniors, e de 2003, na qual o San Lorenzo foi vice-campeão.

Vencedor da Libertadores de 1994, o Vélez, comandado por Carlos Bianchi, e liderado dentro das quatro linhas pelo icônico goleiro paraguaio José Luis Chilavert, enfrentou o “Rojo”, campeão do Clausura e da Supercopa da Libertadores, do técnico Miguel Ángel Brindisi, do arqueiro Luis “El Loco” Islas, do meia Gustavo “El Cuervo” López e dos atacantes Sebastián Rambert e Albeiro Usuriaga. O apitador também era “hermano”, Francisco Lamolina.

Na Terra do Sol Nascente, o clube de Avellaneda venceu pelo placar mínino a equipe do bairro de Liniers. Aos 25 minutos da etapa complementar, o zagueiro José Serrizuela empurrou para as redes o cruzamento de Claudio Arzeno. Desse modo, o Independiente ultrapassou, na época, o Milan, da Itália, assumindo novamente o posto de “Rey de Copas”.

Todavia, tal cenário poderia ter sido completamente distinto. Isso porque, nove muitos após o tento de Serrizuela, seu companheiro de defesa, Pablo Rotchen, impediu com a mão o empate do Vélez Sarsfield. Lamolina até assoprou o apito, porém assinalou uma falta anterior de Osmar “El Turco” Asad no arqueiro Luis Islas. Derrotado, Bianchi disse:

“Há que aguentar, não gosto de chorar”.

DALE CAMPEÓN!

O êxito colocou um ponto final no ciclo de inúmeros atletas no Independiente: Islas rumou ao Newell's Old Boys, os atacantes Sebastián Rambert e Albeiro Usuriaga foram, na devida ordem, para Inter de Milão, da Itália, e Necaxa, do México. Além deles, Brindisi também saiu, mas não deixou Avellaneda, uma vez que assumiu o comando técnico do Racing, onde, em 1996, Serrizuela também atuaria.

Apesar do desmanche, o “Rojo” conquistou o bicampeonato da Supercopa da Libertadores, vencendo, em pleno Maracanã, o Flamengo, que completava 100 de história naquele ano. Com um desempenho inferior se comparado ao das últimas temporadas, o principal protagonista daquele elenco foi o goleiro colombiano Faryd Mondragón.

Em contrapartida a decadência do Independiente, estava a ascensão do futebol argentino, medalha de prata nas Olimpíadas dos Estados Unidos, em 1996, e “papa títulos”, no ano seguinte, dos torneios sul-americanos: o River Plate faturou a Copa Libertadores, ao passo que Vélez Sarsfield e Lanús, respectivamente, venceram a Supercopa da Libertadores e a Copa Conmebol.

River e Vélez, aliás, foram as principais equipes da Argentina durante a década de 1990 e, portanto, concentraram a maioria das conquistas no período. Enquanto “Los Millionarios” levantaram os Aperturas de 1993, 1994, 1996 e 1997, o Clausura de 1997, a Libertadores e a Supercopa de 1997, “El Fortín” faturou o Apertura de 1995, os Clausuras de 1993, 1996 e 1998, a Libertadores e o Mundial Interclubes de 1994, a Supercopa de 1996 e aquela Recopa Sul-Americana de 1997.

“VICE” PLATE

Aos 29 minutos da etapa inicial, o zagueiro do River Plate, Hernán Maisterra, errou e, portanto, o goleiro, Roberto Bonano, praticamente foi obrigado a derrubar Patricio Camps. Para preencher a lacuna aberta em baixo das três traves, Ramón Díaz sacou Maisterra para o ingresso de Germán “El Mono” Burgos. Contudo, Burgos não conseguiu evitar o tento de Chilavert, que abriu o marcador de pênalti. Desse modo, a taça caminhava para o bairro de Liniers até que, aos 38 minutos da etapa complementar, Enzo Franscisco, também em cobrança de penalidade máxima, igualou.

Na decisão por pênaltis, o supersticioso Chilavert viu Burgos defender seu arremate. Em seguida, Francescoli colocou o River Plate na frente, mas Camps empatou. Na cobrança de Marcelo Gallardo, Chilavert se redimiu, espalmando a bola de “El Muñeco”, que ainda escorou na trave antes de sair.

Fernando Pandolfi, então, tratou de colocar o Vélez Sarsfield à frente. Nesse cenário, Roberto Trotta, capitão e cobrador oficial de pênaltis do “El Fortín” anos antes, caminhou do centro do campo até a marca da cal, onde falhou miseravelmente. Flavio Zandoná ampliou, ao passo que Celso Ayada diminuiu. Entretanto, foi a partir da perna direita de Mauricio Pellegrino que o Vélez conquistou a Recopa Sul-Americana de 1997, o último troféu continental do clube. No ano posterior, vale lembrar, o River também perderia a final da Recopa, desta vez para o Cruzeiro.

RIVER E BOCA

Após 11 anos, uma nova final argentina decidiria a competição. Na partida de ida, disputada no Cilindro de Avellaneda, o Boca Juniors não teve problemas para vencer por 3 a 1 o Arsenal Sarandí, do técnico Daniel Garnero.

Na volta, em La Bombonera, Rodrigo Palacio abriu a contagem, mas o Arsenal, aos 14 e 25 minutos do segundo tempo, virou, respectivamente, com Sebastián Carrera e Mauro Matos. Todavia, Juan Román Riquelme, aos 48 minutos, espantou qualquer possibilidade de zebra, em cobrança de falta magistral. Com a taça, naquela época, o Boca igualou o número de conquistas intercontinentais do Milan, meses após os italianos tomarem a dianteira em confronto direto no Mundial de Clubes.

Em 2015, após o San Lorenzo conquistar sua primeira Copa Libertadores e o River Plate colocar um ponto final no jejum de 17 anos sem títulos internacionais, ao vencer o Atlético Nacional, da Colômbia, na final da Copa Sul-Americana, outra finalíssima “hermana” ocorreu. Afastando, também, a sina da Recopa Sul-Americana, o River venceu, tanto na ida quanto na volta, pela vantagem mínima, papando a segunda taça da Era Gallardo.

Imagem destacada: Conmebol/FNV

 

Pedro Ferri

Sobre Pedro Ferri

Pedro Rodrigues Nigro Ferri já escreveu 354 posts nesse site..

Pedro Rodrigues Nigro Ferri, 19, nascido em Assis-SP. Jornalista em formação pela Faculdade da Cásper Líbero e um fiel devoto. Católico? Protestante? Não, corinthiano. Sou mais um integrante do bando de loucos e nunca me conheci sem essa doença. Frequentador de arquibancada, sou apaixonado por torcidas. Sabe aquela música do seu time? É, eu canto ela no chuveiro. Supersticioso ao extremo e disseminador da política "NÃO GRITA GOL ANTES DA BOLA ENTRAR!".

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Pedro Rodrigues Nigro Ferri, 19, nascido em Assis-SP. Jornalista em formação pela Faculdade da Cásper Líbero e um fiel devoto. Católico? Protestante? Não, corinthiano. Sou mais um integrante do bando de loucos e nunca me conheci sem essa doença. Frequentador de arquibancada, sou apaixonado por torcidas. Sabe aquela música do seu time? É, eu canto ela no chuveiro. Supersticioso ao extremo e disseminador da política "NÃO GRITA GOL ANTES DA BOLA ENTRAR!".

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