Greve de jogadores deixa Uruguai sem futebol

O campeonato uruguaio de futebol continua paralisado. Sem jogos desde o fim de semana passado, a competição segue paralisada por conta de um movimento criado por centenas de jogadores que tentam barrar a extensão do contrato de cessão dos direitos de transmissão do futebol local até 2032 (o contrato atual é válido até 2025). A greve tem tempo indeterminado.

Em 2016, com apoio de jogadores da seleção uruguaia, os atletas criaram um grupo chamado “Más Unidos que Nunca” (MUQN), uma espécie de Bom Senso FC do país, que tinha o objetivo de dar voz ativa aos jogadores na negociação de direitos de imagem e fornecedor de material esportivo, por exemplo. Atualmente, o MUQN conta com mais de 10 mil seguidores no Twitter e 7 mil no Facebook.

Desta vez, além de tentar barrar a extensão do contrato de cessão dos direitos de transmissão do futebol local até 2032, o grupo formado por cerca de 700 atletas, dos 900 presentes no país, alega que o futebol uruguaio é um produto subvalorizado e critica os clubes, os quais chama de cúmplices do “monopólio” nas mãos da Tenfield, a empresa que manda no esporte uruguaio.

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Protesto feito no último jogo do Peñarol antes da paralisação (Foto: Divulgação)

Os atletas também se posicionaram contra a Mutual Uruguaia de Futebolistas Profissionais (MUFP), sindicato que representa a categoria e é favorável à extensão do contrato de TV até 2032. Os jogadores pedem a saída da direção da entidade, comandada pelo ex-jogador Enrique Saraiva, e apresentam diversas irregularidades, como não convocação de assembleias solicitadas pelos sócios e a falta de representatividade por parte dos dirigentes que, de acordo com eles, querem se perpetuar nos cargos.

A greve e as reivindicações tomaram uma proporção tão grande que sobrou até para a Associação Uruguaia de Futebol (AUF). Em comunicado oficial o grupo exigiu que a entidade pare de usar a imagem dos jogadores. Existia um contrato até o fim do ano passado, que foi rescindido unilateralmente pela Mutual (sindicato dos atletas), por alegação de que os jogadores entendiam que recebiam menos do que deviam. Agora, os jogadores alegam que as imagens estão sendo usadas de forma indevida, já que não estão recebendo por isso, e solicitam nova negociação.

A AUF, por sua vez, não havia se manifestado sobre o assunto até quarta-feira (25), mas cedeu a sede para reuniões, enviou representantes e mostrou preocupação apenas com a continuidade das competições, já que é a organizadora dos jogos de futebol no país.

Entretanto, a postura da entidade mudou repentinamente. Por meio de comunicado oficial, a AUF estipulou um prazo de 48 horas para que o sindicato resolva a situação. A associação obrigou a Mutual a utilizar “todos os atos necessários que garantem o cumprimento das obrigações que preveem o Estatuto do Jogador Profissional e o reinício da atividade oficial através da disputa dos torneio da Primeira e Segunda divisão”.

Dentre as principais vozes do MUQN estão Andrés Lamas (Defensor Sporting), Agustín Lucas (Albion Football Club), Santiago “Bigote” López (Villa Española), Michael Etulain (Danubio FC), Martín Conde (Nacional-URU) e Diego Lugano (São Paulo), que foi liberado pelo clube brasileiro para ir ao Uruguai ajudar nas negociações.

Por enquanto, a única certeza que se tem é que o futebol no Uruguai continua paralisado por conta da greve e que a situação continua sem solução até o momento.

 

Giovanni Froeming

Sobre Giovanni Froeming

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Jornalista formado na UniCesumar, em Maringá (PR), é viciado em esportes, café e churrasco. Apaixonado por futebol, assiste qualquer jogo que lhe for possível, independentemente de time, campeonato ou região. É autor do livro “Três sets: os desafios do vôlei profissional de Maringá” e atacante do Tonelada Futebol Clube. Acredita, às vezes até de maneira ingênua, que pode, de alguma forma, utilizar o jornalismo para fazer do mundo um lugar melhor.

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