“Com humildade, iremos atrás da classificação para a Sul-Americana”, garante Gilberto, volante do Goiás

- Em entrevista exclusiva para o Futebol Na Veia, jogador revela que voltou ao Brasil com o objetivo de ir para o time esmeraldino

Aos 30 anos e em sua segunda temporada vestindo a camisa esmeraldina, o volante Gilberto Júnior foi um dos destaques do Goiás na campanha para o acesso à série A do Campeonato Brasileiro, em 2018. A equipe estava na zona de rebaixamento e conseguiu se recuperar, ficando entre os quatro primeiros colocados. Além da garra na roubada de bola, o número de passes certos do dono da camisa 29 surpreende: em 32 jogos, foram 1.614 passes realizados e 1.468 deles certos.

Experiente, já jogou nos Estados Unidos e também em Portugal, defendendo o Casa Pia de Lisboa, além de ter passagens por alguns clubes do Brasil, como Atlético-MG e Corinthians. Na terça-feira (29), antes do último treinamento para o jogo contra o Grêmio Anápolis, no dia seguinte, pela 4ª rodada do Estadual, Gilberto recebeu a equipe do FNV no CT do Goiás, em Goiânia.

Foto: Reprodução/Goiás E. C.

Como foi o processo de ascensão na tabela da série B?

“O início foi bastante dificultoso, tivemos bastante dificuldade no começo, porém, logo em seguida, a equipe se encontrou, houve foco e todos estavam com o mesmo pensamento de, creio eu, conseguir o acesso, por isso deu certo. Foi para a alegria da torcida esmeraldina e também do grupo”.

Quais são suas características mais fortes dentro de campo? 

“Sempre fui um segundo volante, mas me adaptei muito bem como primeiro e hoje prefiro essa posição de primeiro volante. Inicialmente, consegui me encaixar e depois me aperfeiçoei quanto à marcação e a cubrir os espaços. Aprendi muito em Portugal. Atualmente, minhas principais características são roubar a bola e entregar.”

                                                                                                   Foto: Reprodução/Goiás E. C.

Quando você defendia a Anapolina, no início do ano passado, jogou contra o Goiás nas semifinais do Campeonato Goiano e foi assim que o Verdão te conheceu. Como foi ter despertado o interesse de um dos principais times do Estado?

“Às vezes falo isso para alguns amigos e eles até dão risada, porque, quando decidi sair de Portugal e ir para a Anapolina, fui com a intenção de fazer um bom campeonato e, assim, chamar a atenção da diretoria do Goiás. Graças a Deus, as coisas aconteceram como planejei e hoje estou aqui, sendo muito feliz no clube.”

Você começou na função de primeiro volante quando jogava em Portugal, no Casa Pia de Lisboa, antes atuava como segundo. Como foi essa transição quanto à  sua posição tática?

“Sempre fui volante, fiquei por muito tempo sendo um segundo volante, mas depois fui descendo, porque é difícil fazer um gol, mas, de vez em quando, sai (risos). Lá em Portugal atuei como volante, mas, em um dos jogos, um zagueiro nosso foi expulso ainda no primeiro tempo. Dessa maneira, o professor pediu para que eu fosse para a zaga, não era nem como um terceiro zagueiro, mas sim fazer a função de zagueiro mesmo. Consegui me sair bem. Na preparação para a próxima partida, o treinador perguntou se eu poderia jogar nessa posição novamente, aceitei o desafio e, assim, participei de 12 a 14 jogos nessa função. Aprendi bastante com a experiência.”

Demos oportunidade para amantes do futebol e, principalmente, para a torcida Esmeraldina lhe fazer perguntas, ficaram muito curiosos quanto a você ter ido para o banco de reservas nessa temporada com a chegada do técnico Maurício Barbieri. O Goiás vai disputar, neste ano, além do Goianão, o Campeonato Brasileiro e também a Copa do Brasil, com isso, provavelmente haverá rodízio de jogadores. Quais são as expectativas para essas competições?  

“A gente trabalha sempre para ser titular, mas tem que respeitar, porque cada treinador tem sua maneira de trabalhar e sua filosofia. Nunca tinha trabalhado com o Maurício Barbieri, porém estou me adaptando à maneira dele e vamos atrás da posição, obviamente respeitando a todos, mas tem que ir com humildade e muito suor para conseguir uma oportunidade. Estou sempre buscando meu espaço. Começando jogando ou entrando durante as partidas, quero dar o meu melhor para a equipe sair com um bom resultado, procuro estar sempre no elenco, poder sempre ajudar da minha maneira. Obviamente, quero ser titular, é fato, mas isso não é uma obrigação. É o treinador quem decide, mas quero sempre entrar em campo e dar o meu máximo, seja iniciando como titular ou entrando no decorrer da partida. E, independente do campeonato, o nosso objetivo é sempre buscar a vitória.”

                                                                                                   Foto: Reprodução/Goiás E. C.

Qual é o sentimento quando você se lembra de que irá jogar contra times como o Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro, entre outros na série A?

“Eu sou um cara tranquilo de nascença, independente da divisão em que estou jogando. Tive a experiência de jogar a série A em 2011 com o Atlético Mineiro, participei de poucas partidas, mas foi uma experiência única para mim, até por conta da minha idade na época. Fui titular em algumas partidas, entrei em algumas também, mas fiquei bastante no banco também. Com isso, ganhei bastante experiência e creio que estarei bem tranquilo.”

Quando você chegou ao Atlético-MG, deram a você o apelido de “Ramires do Galo mineiro”. Na época, isso pesou?

“Não vou dizer que pesou. Eu sei assimilar e separar as coisas. Mas levei um baque, porque eu jogava em equipes de menor expressão. Quando cheguei no Atlético, a expectativa foi muito grande, porém tive um treinador chamado Dorival Júnior, que todo mundo conhece e sabe da competência dele. Ele me dava bastante moral, também me orientava muito. Infelizmente, acabei me perdendo na época. De toda maneira, Deus é tão bom que me deu mais uma oportunidade. Hoje sou outra pessoa, outro jogador, com mais maturidade e estou com o pensamento totalmente diferente.”

Analisando seu número de passes certos nas partidas é algo que surpreende: quase 91% de aproveitamento. A que você deve esse sucesso em campo?

“Devo à minha base, que foi muito boa: no infantil do Real Salvador-BA, no juvenil do Vitória-BA e, depois disso, no Corinthians. Tive uma base excelente, por isso esse bom número.”

                                                      Foto: Reprodução/Goiás E. C.

Conseguir a classificação para a Libertadores de 2020 é uma das principais metas?

“Nosso objetivo é permanecer na série A. Voltamos agora. Obviamente, com humildade, iremos atrás da classificação para a Copa Sul-Americana, depois, claro, pensaremos em chegar à Libertadores, estar entre os quatro primeiros e, quem sabe, até o mesmo o título do Brasileirão. Estamos trabalhando para isso, para alcançar sempre o melhor. Tudo é passo a passo. Primeiro, permanência na série A, depois conquistar vaga na Sul-Americana, Libertadores e assim por diante.”

Você é conhecido pela torcida do Goiás como guerreiro, aquele nunca desiste da jogada, sempre com muita raça dentro de campo. Quanto à garra e à posição, você se espelha em algum jogador?

“Admiro alguns jogadores da posição, mas minha inspiração mesmo vem de casa: é o meu avô, que é uma pessoa guerreira, trabalhadora e humilde. Tenho esse espelho na família. Dentro de campo, admiro o Iniesta [atualmente no Vissel Kobe, do Japão], pela qualidade e pela maneira de jogar, o Pogba também [da seleção francesa e do Manchester United] e o Kanté [também da seleção francesa e do Chelsea], que é um guerreiro dentro de campo. Não que eu me espelhe neles, mas são jogadores que admiro.”

Você tem algum ritual ou mania pré-jogo? E depois da partida?

“Antes dos jogos, gosto de ouvir uma swingueira da Bahia (risos), um Racionais MC’s, para entrar ligado na partida, no ritmo do jogo. Depois, costumo ficar tranquilo, relaxar, sou bem caseiro hoje em dia, sou um bom baiano (risos).”

Para finalizar, mande um recado para a torcida Esmeraldina.

“Gostaria de mandar um abração para essa torcida maravilhosa que me acolheu tão bem e agradecer a confiança no meu trabalho e o carinho que todos têm comigo. Sempre recebo mensagens no Instagram e tento responder a maioria. Então, um grande abraço e obrigado pelo carinho. Torcida esmeraldina, pode ter certeza de que o Gilberto de 2018 vai estar ainda melhor em 2019.”

https://www.instagram.com/p/BtL8yOmgb8E/?utm_source=ig_web_copy_link

Danyela Freitas

Sobre Danyela Freitas

Danyela Freitas já escreveu 233 posts nesse site..

Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (não necessariamente nessa ordem).

365 Scores

BetWarrior


Danyela Freitas
Danyela Freitas
Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (não necessariamente nessa ordem).
https://www.instagram.com/danyelaf/

Artigos Relacionados

Topo