Fernando Marcos: precursor da rivalidade América x Guadalaja e um gigante no futebol mexicano

Jogador, árbitro, técnico, economista, professor, advogado, jornalista, narrador, comentarista, diretor de cinema, escrito e muito mais
Fernando Marcos González

A Papo Azteca contará novamente uma história inédita. Não pense você, leitor, que só verá temas de Chaves nesta coluna. Traremos muito conteúdo além dos Top 10 referências de Chaves ao futebol mexicano que você não sabia. Inclusive, nesta semana, o tema do texto é um dos maiores camaleões do futebol mexicano. Jogador, árbitro, técnico, economista, professor, advogado, jornalista, narrador, comentarista, diretor de cinema, escrito e muito mais. Este foi o gigante Fernando Marcos González. Foi dele, por exemplo, que surgiu a expressão, muito famosa no Brasil, Pelota Quadrada.

Quem foi Fernando Marcos González?

Atuante entre as décadas de 30 e 40, Fernando Marcos disputou a Copa do Mundo de 1934, na Itália, pela Seleção Mexicana. Além de jogador, foi árbitro, Presidente da Associação Mexicana de Árbitros de Futebol, técnico de: Astúrias, Necaxa, Toluca, Marte e América, além da Seleção Mexicana em 1959. Advogado e economista, começou a narrar partidas de futebol para rádio a partir de 1939. Desde 1962 fez o mesmo pela televisão. Cobriu várias Copas do Mundo e Olimpíadas, foi comentarista esportivo na TV Azteca nos anos 90 e autor, em 1980, do livro Mi amante, el futbol.

Passou por muitas área do futebol e marcou época no jornalismo esportivo mexicano e, junto a outros grandes nomes, treinou a maioria dos cronistas e analistas de televisão, rádio e/ou internet da atualidade local. Era de uma escola de jornalismo que não apenas conhecia dados sobre futebol, mas também possuía um vasto conhecimento em política, economia, arte e questões sociais.

Vaidoso, polêmico, espontâneo e sofisticado. O advogado, professor, diretor de cinema, jogador de futebol, árbitro, técnico, jornalista, escritor… Fernando foi tudo! Poucas coisas que ele fez em sua vida, certo? Sem dúvida, um dos personagens mais camaleônicos da segunda metade do século XX e, acima de tudo, do futebol. Ao longo de sua carreira, é possível explorar a história do México e do futebol local. Confira abaixo uma análise da partida do intervalo entre Pumas e os Leones Negros em 1968. A diferença com hoje é impressionante.

Fernando Marcos além da Pelota Quadrada

O futebol correu por suas veias, tanto que passou por diversas área do futebol com maestria, pois foi à uma Copa do Mundo, dirigiu a Seleção Mexicana, presidiu uma Federação de Árbitros e é, até hoje, referência no jornalismo esportivo mexicano. Mas, nem tudo são flores. Assim como teve a polêmica acima como jornalista, também teve como árbitro. Foi juiz em uma controvérsia partida no Parque das Astúrias em 26 de março de 1939.

Na final entre Astúrias e Necaxa, os torcedores atearam fogo no estádio que foi consumido pelas chamas por duas decisões em que Marcos não expulsou jogadores dos Astúrias por entradas violentas no ídolo necaxista, Horacio Casarín (que marcou um gol, mas teve que ser substituído devido a entrada maldosa), e por marcar um pênalti a favor do clube local nos últimos minutos do jogo. Contudo, este episódio não nublou sua carreira, pelo contrário, o afirmou como alguém fundamental no futebol mexicano. O historiador do futebol, Carlos Calderón, lembra a extrema versatilidade de Fernando Marcos:

“Este ano (1948), ele também escreveu uma crônica jornalística na qual criticou que os Astúrias, com jogadores tão bons eram tão mal orientados, uma vez que estavam em último lugar no geral. O presidente dos Astúrias, para ironizar o falador, ofereceu a Fernando comandar a equipe. E ele não só aceitou, como levou o time do último lugar da tabela para a 4ª colocação. O prêmio: a miséria. Não era possível para um locutor, jornalista e treinador. Às vezes, Fernando dirigia e transmitia o mesmo jogo de seu estande técnico e, enquanto isso, escrevia sua crônica para Ovaciones (jornal)”.

Precursor da rivalidade América x Guadalajara

Dizem que ele começou a rivalidade entre América e Guadalajara por ter derrotado as três equipes de Guadalajara (Atlas, Guadalajara e o Gold Club). Técnico do América, ele venceu três jogos consecutivos contra equipes de Guadalajara (Oro, Atlas e Guadalajara) todos por 2 x 0. Com isso, aproveitou para zombar dos adversários na imprensa: “a nova maneira de discar Guadalajara é 2 x 0, 2 x 0, 2 x 0”, despertando a antipatia do povo de Guadalajara e, aliás, criando a rivalidade mais importante do futebol mexicano. Famoso por seu fechamento editorial na televisão de quatro palavras: Fernando Marcos é GIGANTE!

Foto destaque: Reprodução/Apuntes de Rabona

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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