Felipe Augusto: de vendedor de bala no semáforo a cotado ao Prêmio Puskás

Conheça a história do jogador brasileiro que já vendeu bala no semáforo e hoje é o personagem de uma campanha rumo ao prêmio do gol mais bonito da temporada

Já imaginou você sair de casa com 13 anos em busca do seu sonho? Já pensou se você treinasse durante o dia e a noite vendesse bala no semáforo para pagar o aluguel da casa? Já pensou se você recebesse a chance de um teste na Europa e vendesse tudo o que você tem no Brasil para comprar a passagem rumo a uma possibilidade? Já imaginou se você fizesse um gol a 55 metros de distância e esse gol ganhasse o mundo?

Essa é a história de Felipe Augusto, meio-campista brasileiro de 24 anos que atualmente joga no Kercem Ajax, clube de Malta, pequeno arquipélago de ilhas na Europa.

Felipe Augusto é natural de Americana, cidade do interior de São Paulo. Já teve passagens por Juventus-SP e Foz do Iguaçu. O jogador conta que começou sua trajetória no futebol muito cedo, desde os quatro anos de idade já era levado pelo seu avô aos gramados, aos 13 saiu de casa e até hoje, só volta para visitar seus avôs.

“De lá para cá vivo essa vida de viagens, de alojamentos, enfim, passei muitas dificuldades, passei por clubes pequenos e já chegou a faltar até alimentação, salários atrasados”, disse.

VENDEDOR DE BALA NO SEMÁFORO

As dificuldades na vida de Felipe Augusto seguiram. De acordo com o jogador o momento mais difícil da sua carreira foi o momento em que o jogador estava jogando por um clube da quarta divisão paulista que não tinha alojamento.

“Eu e mais dois companheiros de clube alugamos uma kitnet e com salários atrasados a gente tinha que pagar o aluguel, resolvemos vender bala no semáforo, treinávamos pela manhã e a tarde, e a noite íamos para o semáforo vender bala”, contou o meio-campista.

Felipe é um jogador versátil, jogou como centroavante, atacante e volante. Hoje, em Malta joga no meio-campo, suas características no gramado são, segundo ele, o bom passe e uma boa visão de jogo.

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A OPORTUNIDADE EM MALTA

O brasileiro conta que chegou a Malta após um amigo que já jogou na ilha europeia levar um DVD com lances de Felipe para um clube maltês. Após receber uma chance para um período de avaliação em Malta, o jogador brasileiro vendeu tudo o que tinha no Brasil para pagar a passagem rumo à Europa.

Eu vendi tudo o que tinha no Brasil, vendi minha televisão, meu celular, meu relógio, alguns tênis, vendi tudo o que eu tinha pra conseguir o dinheiro da passagem”, relata.

Felipe chegou até a ilha europeia e logo na primeira semana em solo maltês, o meio-campo lesionou o tornozelo. O brasileiro não passou no teste para o qual havia sido indicado devido à lesão. Felipe Augusto teve outra chance de avaliação no seu atual clube, o jogador conta que mesmo machucado não desistiu do seu sonho.

“Eu tinha em mente que era minha última oportunidade, eu tinha largado tudo no Brasil e não poderia voltar para trás, disse o brasileiro.

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O atual clube de Felipe é o Kercem Ajax, time que disputa a Gozo Football League – a Ilha de Gozo é um dos territórios de Malta. A temporada do jogador brasileiro é excelente mesmo com a campanha ruim do seu time, o Kercem está na última colocação na liga. Felipe tem nove gols em 12 jogos e cinco assistências. O brasileiro venceu o prêmio de melhor jogador do campeonato no mês de janeiro.

EM BUSCA DO PUSKÁS

O gol que nem Pelé conseguiu fazer. Essa é a principal descrição para o gol que Felipe conseguiu fazer. A uma distância de 55 metros, Felipe recebeu a bola, girou e bateu. O brasileiro contou que já vinha observado uma característica dos goleiros de Malta: sempre jogam muito adiantados.

Por ter sido de um fato um golaço, surgiu a campanha: #FelipeAugustoNoPuskás. O jogador brasileiro conta que o gol teve uma repercussão que ele jamais tinha visto, recebeu inúmeras mensagens de apoio em suas redes sociais, diversas reportagens inclusive para jornais da Espanha e da Argentina.

“Eu recebi a bola e já sabia que o goleiro estava adiantado, eu já dominei girando, tirando o zagueiro da jogada e, fui feliz na batida e pude fazer esse lindo gol que pode concorrer ao Puskás”, explica Felipe sobre o lance do gol a 55 metros de distância.

A campanha para que o gol de Felipe concorra ao Prêmio Puskás do gol mais bonito da temporada, já conta com diversos apoiadores, o ex-jogador Amaral, a jogadora da seleção brasileira Cristiane, o meia Oscar, o ex-Grêmio Pedro Rocha, entre diversos outros apoios.

João Guilherme Dias

Sobre João Guilherme Dias

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Nordestino, estuda Jornalismo e tem três paixões: Fluminense de Feira/BA, Corinthians e Atlético de Madrid. Mas torcer para três times? Sim, o amor ao futebol não cabe apenas em único clube.


 

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