Exportamos, sim, mas de graça

A máxima de que o Brasil é o país do futebol, embora desgastada nos dias de hoje, serviu para transformar o jogador brasileiro em um objeto cobiçado por clubes estrangeiros. Este solo tupiniquim formou lendas como Pelé, Carlos Alberto Torres, Zico, Garrincha, Ronaldo e tantos outros. A pátria amada nos concede, graciosamente, talentos genuínos como os de Neymar e o mais novo pupilo dos tablóides inglês, Gabriel Jesus.

A cobiça por nossos atletas faz com que, em janelas de transferências, o Brasil seja um dos países que mais exporta jogadores. Isto se comprovou mais uma vez através do relatório anual da FIFA que analisa dados de todas as transferências internacionais ocorridas no mundo. Com o último levantamento, tornou-se possível constatar que, pelo quinto ano consecutivo, o País foi o que mais realizou transações.

No último ano, deixaram o país 806 atletas. Mais do que isso, as cifras envolvidas nessas negociações alcançaram a exorbitante quantia de R$ 1,88 bilhão. O destino favorito foi Portugal, terra de nossos colonizadores. 168 jogadores pisaram em terras lusitanas. A nação que melhor pagou por nossos jogadores foi a Itália, que movimentou R$ 251 milhões em compras.

O relatório da FIFA também explicita que boa parte dos atletas, ao deixarem o Brasil, se aventuram em mercados alternativos e ligas de menor competitividade, como a da Indonésia, citada no documento. Muitos clubes nacionais ficam sem calendário após os estaduais. Neste caso, entre não exercer a profissão e ficar sem receber, ganhar a vida na vida na Indonésia parece ser a melhor escolha, por mais complicado e ilusório que possa parecer.

Por fim, o estudo revela que, embora sejamos atuantes e pujantes na arte de exportar, fracassos, sobremaneira, quando o assunto é cobrar. Ou melhor, valorizar o que é nosso. Cita-se aqui o complexo de vira-lata. Temos a triste tendência de superestimar o estrangeiro e menosprezar nossa autenticidade. Os clubes brasileiros pagam cifras imperdoáveis por gringos e arrecadam ínfimas quantias com jogadores formados em nosso quintal. Os clubes aceitam valores irrisórios por suas joias por necessidade financeira, já que os cofres, por péssima administração, encontram-se arrasados. Mas isto é outra história. Deixemos de lado.

Exemplos não faltam. Marquinhos, Talisca e Felipe Anderson são os exemplos mais famosos de atletas que partiram para realizar o sonho de jogar na Europa por quantias baixíssimas. Mas outros tantos seguem este mesmo roteiro. Matheus Cassini e Matheus Pereira, ambos do Corinthians, deixaram o Parque São Jorge por R$ 3,5 milhões e R$ 10,2 milhões respectivamente. O caso de Matheus Pereira é ainda pior, pois o Timão detinha apenas 5% de seu passe. A questão dos percentuais pertencentes aos clubes é outra polêmica a ser deixada de lado, pelo menos por enquanto.

Nesta semana, David Neres deixou o São Paulo por pouco mais de R$ 50 milhões, mas tendo atuado apenas oito vezes no profissional. Poderia render muito mais, consolidar-se como atleta e dar retorno técnico ao São Paulo. Lyanco é outro que pode sair, por ínfimos R$ 17 milhões. O caso de Matheus Pereira é ainda pior, pois o Timão detinha apenas 5% de seu passe. A questão dos percentuais pertencentes aos clubes é outra polêmica a ser deixada de lado, pelo menos por enquanto.

A lista renderia uma tese de doutorado. Outros tantos saem e ninguém fica sabendo. Vender os atletas não é o maior problema. Muitos sonham e se preparam para trilhar uma carreira de sucesso em clubes do primeiro escalão do futebol.

O Benfica arrecadou, desde 2014, R$ 394 milhões de reais com venda de suas joias. Ademais, juntamente com o rival Porto, revendem jogadores adquiridos a preço de banana por cifras exorbitantes com maestria.

Em terra de complexo de vira-lata, por que não seguimos exemplos como este?

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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