Entrevista Exclusiva: Pedro Henrique, meio-campista do Qarabag, do Azerbaijão

Escrever o nome na história da Liga dos Campeões da Europa é o sonho de quase todos aqueles que sonham em se tornar um jogador de futebol. E na competição onde brilharam Ronaldo Fenômeno, Zidane, David Beckham, Roberto Carlos e Kaká, e onde encantam Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e cia., um brasileiro bem menos conhecido cravou seu nome de maneira indelével. Atuando pelo quase desconhecido Qarabag, o meio-campista Pedro Henrique  Konzen entrou para a história ao anotar o primeiro gol de um time do Azerbaijão na Liga dos Campeões, na derrota de sua equipe por 2×1 para a Roma, da Itália.
E esse gaúcho bom de bola, cria das categorias de base do Grêmio (RS), concedeu uma entrevista ao Futebol Na Veia. Confira abaixo!
 
1) Você está há cinco anos fora do Brasil. Nesse período, como você avalia o seu crescimento como jogador?
Eu fui muito cedo para a Europa e fiquei muito feliz de ter essa oportunidade, pois me ensinou muito não só dentro, mas fora do campo. O jogador que tem essa oportunidade, se souber agarrar, vai fazer a diferença profissionalmente e também pessoalmente na vida dele.
2) Quais as principais diferenças no futebol europeu que você sente em relação ao futebol
brasileiro?
Por ter saído cedo do Brasil, não pude jogar em alto nível também no futebol brasileiro. Eu me profissionalizei no Caxias, joguei o Campeonato Brasileiro da Série C e o Gauchão, onde fomos vice-campeões do primeiro turno, e logo fui para a Europa. Acompanho de longe, por gostar e por ter muitos amigos no Brasil, e vejo que o futebol brasileiro evoluiu muito na questão de intensidade, na questão tática, organização… Mas, nos centros europeus, eu digo muito pelo profissionalismo não só dentro, como fora de campo, tudo o que o futebol europeu passa de organização, é invejável. Mas com certeza o futebol brasileiro está num caminho bom. Vejo muita evolução no futebol brasileiro.
 
3) Em termos de estrutura, dentre as equipes que você atuou, qual mais impressionou?
A estrutura que tive uma impressão muito boa quando cheguei foi no Rennes, um dos melhores centros de treinamento que tem na França. O PAOK, da Grécia, também tem um centro de treinamento muito bom, moderno, com todas as instalações para os jogadores. Aqui no Qarabag também tem uma boa instalação, mas acredito que no Rennes, da França, foi onde tive a melhor instalação em termos de estádio e centro de treinamento.

4) O Qarabag é o primeiro time do Azerbaijão a disputar uma fase de grupos da Liga dos
Campeões e você marcou o primeiro gol do clube nessa competição. Como você se sente?
Foi um gol muito especial. Infelizmente não conseguimos ganhar, mas foi um sentimento diferente, a explosão do estádio, estádio cheio, quase 70 mil pessoas… Foi um dos momentos mais especiais da minha carreira. Jamais vou esquecer!
5) O Qarabag empatou os dois jogos diante de uma das equipes mais fortes do planeta nos últimos anos, o Atlético de Madrid (ESP). Qual o segredo para ter tido esse desempenho? E qual é a sensação por disputar a Liga dos Campeões?
Foram os dois melhores jogos que fizemos até agora. O Atlético de Madrid vinha numa sequência pressionada por resultados e usamos a parte mental também, tentamos amarrar o jogo no começo, depois equilibrou. No jogo da volta, tivemos uma grande atuação, saímos ganhando, tivemos a oportunidade de fazer os 2×0 e matar a partida… Mas eles fizeram um gol muito bonito de fora da área e só tiveram superioridade na parte final, da metade do segundo tempo em diante, quando acabei sendo expulso, na minha opinião, injustamente, por que foi um lance em que eu estava de costas, girei para tentar dominar a bola no ar, o Godín chegou, botou a cabeça, fez a parte dele por ser um jogador experiente, ficou no chão e o juiz, rigorosamente, me deu um cartão vermelho. Era meu melhor jogo na Liga dos Campeões até então, eu e minha equipe estávamos muito bem, felizmente não tomamos o segundo gol, se não eu me sentiria muito culpado, mas faz parte, são coisas do futebol. A UEFA é muito rigorosa e como cartão vermelho direto gera dois jogos (de suspensão), infelizmente essa primeira fase do campeonato acabou para mim. Mas fico muito feliz por ter feito esses quatro jogos, a sensação de jogar uma Liga dos Campeões é muito especial, a primeira vez, então… É uma competição diferente e uma atmosfera diferente, contra equipes grandes e com certeza jamais vou esquecer.
6) Você acredita que nas próximas temporadas o Qarabag pode sonhar com um mata-mata da Liga dos Campeões? Por que?
E por que não? O Qarabag vem tendo uma superioridade muito grande aqui no Azerbaijão nos últimos quatro ou cinco anos, ganhando praticamente tudo. O caminho é um pouco diferente dos outros países, por que precisa fazer três eliminatórias até o playoff, então vai depender muito dessa primeira parte da temporada, onde tem que fazer a pré-Liga dos Campeões. O clube tem a mentalidade de sempre entrar pelo menos em uma Europa League e a surpresa que tive aqui é que o clube é muito organizado, com uma estrutura muito boa, tem um hotel dentro do centro de treinamento e acho que é um clube que merece estar figurando no grande nível do futebol mundial.
 
7) Como um dos destaques da equipe, sonha com uma transferência para outro time
europeu? Se sim, quais seriam os seus preferidos?
Eu tenho meus pés no chão e tem uma questão contratual, sou jogador do PAOK até junho de 2020, estou emprestado aqui até maio (de 2018). O Qarabag tem a opção principal de compra, mas andaram surgindo algumas coisas e não sou eu o poder da palavra final, é o PAOK, o dono do meu passe, equipe que me comprou no ano passado quando eu estava atuando no Rennes.
Mas, seja o que Deus quiser, estou plantando, tentando fazer o melhor de mim, para ali na frente colher onde será o próximo passo. Mas, pelo fato de eu ter o contrato no PAOK e ele ser o dono do meu passe, a gente precisa analisar isso mais para frente.
Foto/reprodução
8) Como é o campeonato do Azerbaijão?
Um campeonato recheado de estrangeiros, até as equipes pequenas têm muitos estrangeiros. Atuei poucos jogos, pois o treinador mescla nos jogos do Azerbaijão e coloca a equipe mais forte sempre para jogar a Liga dos Campeões. Não tive a oportunidade de ter uma sequência muito grande no campeonato aqui, mas nos poucos jogos que atuei, percebi que é um futebol técnico, por ter muito estrangeiro, muitos argentinos e brasileiros, bons jogos… Um detalhe diferente é que tem muitos estádios com campo sintético. E o público dos jogos do Azerbaijão não é o da Liga dos Campeões, mas está sendo um prazer atuar aqui.
 
9) Como é a torcida no Azerbaijão?
São duas situações diferentes. Nos jogos da Liga dos Campeões, jogamos no estádio Olímpico, um estádio novo com 70 mil lugares, onde as torcidas de todas as equipes do Azerbaijão se fazem presentes torcendo pelo Qarabag. Pelo campeonato do Azerbaijão são estádio menores.
Temos um estádio bem pequeno, moderno, com instalações muito boas, mas pequeno. Jogamos o campeonato do Azerbaijão ali e a média de público é bem menor, três ou quatro mil pessoas no máximo, mas tem seu charme e seu valor. A torcida é muito apaixonada, jovem e tem muita “gurizada” que quer jogar futebol, então é muito bonito, a gente vê o carinho hoje em dia. E com a proximidade que as redes sociais dão, percebemos o quanto a gente precisa dar um bom exemplo para a gurizada seguir e tentar ser um jogador futebol e um bom cidadão.
 
10) Você tem conseguido acompanhar o futebol brasileiro? O que acha do futebol
apresentado pela seleção comandada por Tite?
Com certeza! Acompanho muito a dupla Gre-Nal, por ser do Rio Grande do Sul e ter amigos trabalhando nos dois times, mas acompanho bastante outros clubes do Brasil também. O Rio Grande do Sul, em particular, com o Internacional de volta à Série A e o Grêmio na final da
Libertadores, um momento especial para o futebol gaúcho. O futebol brasileiro está em uma crescente, sendo mais profissional a cada detalhe. E fico feliz também pelo Tite ter entrado na seleção, um treinador que não temos o que falar sobre sua pessoa, seu caráter, não são só os títulos, é como ele lida com os jogadores. Muitos dos atletas que atuaram com ele sempre me falam muito bem dele. Acabei de ler o livro do Tite, é uma pessoa fantástica, merece estar ali e o Brasil tem grandes chances de ganhar a Copa com ele como treinador.
 
11) Você sonha em disputar uma Copa do Mundo? Aceitaria uma naturalização caso sentisse que não tem espaço na seleção brasileira?
Quem não sonha está sendo hipócrita em negar isso. Eu sou brasileiro, sou de um país onde quantidade e a qualidade são fora do normal, você pode estar atuando amanhã num Manchester (ING), num Chelsea (ING), num Real Madrid (ESP) da vida e pode ser que você não seja convocado para a seleção brasileira, temos vários exemplos disso. Sobre a naturalização para outro país, não é algo que está na minha cabeça, até por que não tenho mais meus 20, 21 anos, estou com 27, não estou atuando em um mesmo país há quatro ou cinco anos. Então, não é uma coisa que está na minha cabeça. Não que eu não tenha interesse e um dia possa aparecer, mas não é o meu pensamento no momento.
 
12) Pretende voltar ao Brasil? Se sim, tem preferência por alguma equipe?
Se eu tivesse alguma preferência para voltar ao futebol brasileiro, com certeza seria para a dupla Gre-Nal, por ser gaúcho, por viver e crescer ali, por ver o quanto é apaixonante o futebol no Brasil, mas no Rio Grande do Sul é algo especial para mim, por ser de lá. Mas, com certeza
todas as equipes do Brasil eu tenho um carinho e um respeito muito grande.
 
Pergunta Bônus!
13) Conte uma situação inusitada que você vivenciou em sua carreira.
Para conhecer a situação inusitada vivida pelo Pedro Henrique, clique aqui!
Anderson Lima

Sobre Anderson Lima

Anderson Lima já escreveu 47 posts nesse site..

Anderson Marin Lima é jornalista de carteirinha, apaixonado por jornalismo esportivo e amante de futebol e vídeo-game. Tem 30 anos de idade, sendo 11 de jornalismo, passando por assessoria de imprensa, rádio, TV e site.


 

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