É maldição?

Antes de começar a escrever esta crônica estava imaginando um título para ela. Geralmente faço o contrário: primeiro escrevo o texto e depois penso no título. Mas desta vez foi diferente. Cheguei a ponderar “Corinthians perde nos pênaltis e é eliminado mais uma vez em Itaquera”, mas além de piegas – nada contra os clichês, eles pecam pela falta de originalidade, mas não pela de veracidade – denotaria um viés pró-Corinthians. Afinal, como em toda dualidade, se um lado perde, o outro ganha. Então, qual dos dois merece o destaque: a derrota ou a vitória?

Sim, claro que uma coisa é consequência da outra, e fica a cargo do autor priorizar uma ou outra. O problema é que quando o grande perde, parece que não foi o pequeno quem ganhou. E isso sempre me soa prepotente. Obviamente, não foi o caso ontem. Havia dois grandes em campo. Inegável. Mas mesmo que não houvesse, não há no futebol fato maior que a conquista, ainda que ela tenha sido um empate.

O Internacional passou pelo Corinthians ontem em Itaquera e está classificado para as oitavas de final da Copa do Brasil. A partida terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar – mesmo placar do jogo de ida no Beira Rio. Na disputa de pênaltis, o Colorado venceu por 4 a 3. Guilherme Arana desperdiçou a cobrança final. Esta foi a sexta eliminação do Timão na sua nova casa. As únicas vezes em que o alvinegro avançou num mata-mata na Arena foi contra Red Bull e Ponte Preta, pelas quartas de final do Paulistão de 2016 e 2015.

Assim como no duelo da semana passada, os times protagonizaram um bom espetáculo, com diversas oportunidades de gol para ambos os lados, mas com um leve predomínio do anfitrião no início do confronto. O volante Maycon aproveitou a sobra na área para abrir o placar para o Corinthians aos sete minutos jogados. Depois do gol, o Timão tirou o pé e só voltou a ameaçar no final da primeira etapa com Romero, que mais uma vez se mostrou voluntarioso, mas não eficaz.

No segundo tempo, o Inter passou a explorar mais os contra-ataques. O alvinegro parecia confortável com a situação: o adversário retinha a bola, mas não oferecia perigo e o 1 a 0 bastava. Mas aos 26 minutos, o Inter subiu ao ataque e empatou. Cássio espalmou o cabeceio de Carlos na área e num primeiro momento salvou o Timão. Só que Nico Lopez pegou o rebote e cruzou da direita. Fagner desviou contra a própria meta e matou o arqueiro. 1 a 1. Tudo o que o Colorado queria. Daí começou o abafa.

Após o tento, o Corinthians decidiu jogar. Foi pra cima desesperado e por pouco não marcou com Rodriguinho (cabeçada certeira na área, passou tirando tinta da trave), Clayton (recebeu livre na área e soltou a bomba: alta demais.) e Jô, que se livrou da marcação na intermediária e finalizou de bico na saída de Marcelo Lomba, que mais uma vez salvou a equipe gaúcha.

O colorado, por sua vez, também esteve perto de marcar o segundo nos minutos finais. Valdívia acertou lindo chute de fora da área, no cantinho esquerdo. Cássio saltou e espalmou pra escanteio. O empate persistiu aos cinco minutos de acréscimo, e para não arranjar mais sarna para se coçar, o árbitro pediu a bola e apitou. Fim de jogo. 1 a 1. Pênaltis.

O Inter levou a melhor no cara e coroa e preferiu começar batendo. Brenner assumiu a brinca e fuzilou no canto esquerdo, sem chance para qualquer goleiro. Pelo Timão, Jadson fez o seu. Aí foi a vez de o volante William ajeitar e isolar. Só que Maycon não aproveitou a vantagem. Bateu colocado no canto esquerdo e Marcelo Lomba ficou com ela. Em seguida, Valdívia e Victor Cuesta converteram para o Inter, ao contrário do Timão. Jô guardou, mas Marquinhos Gabriel chutou fraco no meio e Lomba defendeu com os pés. Sobrou, então, para Léo Ortiz a quinta e última batida. Se fizesse, o Inter estaria classificado. O meia bateu a meia altura no canto esquerdo. Cássio saltou e salvou o alvinegro da eliminação.

Na sequência, todavia, Diego converteu e Arana isolou. O Internacional está nas oitavas de final da Copa do Brasil. Se é verdade que o colorado poderia ter vencido no Sul, tal como o Timão também desperdiçou chances claras por lá, em São Paulo o time gaúcho foi mais acanhado.

Defendeu-se. Atacou pouco, mas tampouco ficou o tempo todo vendo o rival jogar. Executou o plano de jogo do seu treinador. Segurou a pressão na reta final, levou a decisão para os pênaltis – o que parecia lhe agradar há um bom tempo – e nela triunfou.

O Corinthians está eliminado porque o adversário foi mais competente. Mas não é só isso. Durante boa parte do jogo o time não fez nada para marcar o segundo e, talvez, liquidar assim a fatura. E após o empate, perdeu muitos gols. Vão cobrar Carille, em parte com razão. Mas não há que crucificá-lo. Defensivamente, o Corinthians continua muito sólido, e este mérito é dele. Não é vergonha ter como ponto forte a zaga. Defesa ganha jogo. Não ganhou ontem, mas ganhou em muitas outras ocasiões e poderá voltar a ganhar nas próximas. E para contradizer a turma que pensa que o ataque é péssimo, não é. Longe de ser excelente, mas Jô e Romero não são descartáveis e, ao menos no que tange a determinação e a entrega – atributos obrigatórios – honram a camisa que vestem. Agora, alguém precisa ensinar à dupla – ou melhor, ao trio: Clayton está aí, mas até então… nada – a colocar a bola pra dentro, senão vai ficar difícil acabar com a tal maldição. Eliminado duas vezes no Paulista: Palmeiras e Audax. Eliminado duas vezes na Libertadores: Nacional-URU e Guarani-PAR. Eliminado pelo Santos na Copa do Brasil de 2015. Esqueci algum? Bem, não importa. Domingo tem outra decisão e o meu voto de confiança o Carille tem.

Caio Araújo

Sobre Caio Araújo

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Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

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Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

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