De mau defensor a sinônimo de segurança

O zagueiro Felipe sai do Corinthians para a Europa consagrado, após chegar ao clube em 2011 e amargar o banco (onde foi campeão mundial em 2012), já que na época Chicão e Leandro Castán viviam um excelente momento na equipe campeã da América e do mundo. Em 2013, o defensor começa a participar da equipe titular, no entanto estava desconcentrado, mal posicionado; recebia críticas ferozes por suas exibições, porém demonstrou um notável crescimento no fim do ano, principalmente com a entrada do treinador Mano Menezes a partir de 2014.

O treinador gaúcho repetiu o que seu predecessor começara a fazer: treinava e conversava muito com o atleta junto a seu staff, indicava os seus maiores erros – posicionamento, falta de concentração e má antecipação, em treinamentos de linha de quatro e fundamentos. Deu certo, e o defensor alvinegro passou a ser elogiado pela comissão técnica durante 2015, após o retorno de Tite e especialmente durante o torneio de pré-temporada nos Estados Unidos, a Florida Cup; a diretoria, no entanto, ainda o via com desconfiança para ser titular durante a Libertadores, e logo tratou de trazer o veterano zagueiro Edu Dracena, vindo do Santos, campeão da competição em 2011.

Contudo, após bom aproveitamento nos amistosos da pré-temporada e atuações seguras ao lado de Gil nos primeiros jogos do Paulista e da Libertadores, o jogador se firmou entre os titulares: entre janeiro e abril, Felipe marcou três gols: contra o Once Caldas, contra o Danúbio e contra o Santos, sendo todos de cabeça. Segundo o departamento de análise de desempenho do Corinthians, Felipe é o defensor com maior impulsão e de acordo o departamento de estatísticas do clube, o mais rápido também. Sua força de vontade, determinação, seu interesse, seu esforço em melhorar e, principalmente, sua paciência para esperar a sua vez, sem desistir, conquistaram o atual treinador.

Em maio, com atuações ruins na Libertadores e no início do Brasileirão e, tendo também se contundido diante do Guaraní, Felipe perdeu a posição de titular para Edu Dracena. Em junho o jogador voltou a ser titular após erro do veterano diante do Santos. Com a eliminação do Corinthians na Libertadores diante do Guaraní, o zagueiro defendeu o alvinegro no Campeonato Brasileiro e nas oitavas de final da Copa do Brasil, fase em que o time logo foi eliminado. No campeonato nacional Felipe marcou um gol de cabeça contra o Coritiba no empate em 1 a 1. O time alvinegro sagrou-se campeão nacional pela sexta vez, tendo a zaga menos vazada da competição. Felipe foi elogiado pelos meios de comunicação por ser um “zagueiro seguro”.

Em 2016, com a saída de Gil, Felipe assumiu a função de líder do setor defensivo. Em seu centésimo jogo pelo clube, que aconteceu contra o Botafogo-SP no Campeonato Paulista, Felipe foi homenageado com uma placa de agradecimento e uma camisa de número cem. No jogo, o “zagueiro artilheiro” marcou seu oitavo gol pelo time. Em maio do mesmo ano, o gigante português, Porto, pagou ao clube paulista a soma de R$ 31,5 milhões, que não hesitou junto a vontade do atleta, e o liberou para os portugueses em julho. Era a despedida do defensor que começou por baixo e se tornou símbolo de segurança, sendo convocado por Dunga, para a seleção brasileira.

Tudo é questão de treinamento e olhar daqueles que o supervisionam, a comissão técnica, análise de desempenho e sobretudo a cabeça do jogador.

Títulos: Corinthians

Copa do Mundo de Clubes da FIFA (1): 2012

Campeonato Paulista (1): 2013

Recopa Sul-Americana (1): 2013

Campeonato Brasileiro (1): 2015

Prêmios Individuais: Corinthians

Seleção da Rodada – Troféu Armando Nogueira – Melhor Zagueiro-Direito da 33ª Rodada – Campeonato Brasileiro de Futebol de 2015 – Série A – Nota 7,5.

Seleção do Campeonato Paulista – Série A1: 2016.

Marcelo Faviere

Sobre Marcelo Faviere

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Estudante de jornalismo e formado pela Universidade do Futebol no curso de "Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol", Marcelo Faviere sempre gostou de jogos de estratégia, no qual montava desde equipes de futebol a civilizações. Sempre debatia com os professores da escolinha de futebol que jogara na infância, o por quê da equipe ter perdido ou ganho uma partida, montava equipes com as figurinhas dos jogadores que trocava na escola. Como sempre gostou de falar, herdou uma vontade de traduzir seus pensamentos sobre o esporte, na escrita, em uma tentativa de exaltar o quão complexo e difícil é falar de futebol, que é muito mais do que assistir a um gol.


 

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Marcelo Faviere
Estudante de jornalismo e formado pela Universidade do Futebol no curso de "Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol", Marcelo Faviere sempre gostou de jogos de estratégia, no qual montava desde equipes de futebol a civilizações. Sempre debatia com os professores da escolinha de futebol que jogara na infância, o por quê da equipe ter perdido ou ganho uma partida, montava equipes com as figurinhas dos jogadores que trocava na escola. Como sempre gostou de falar, herdou uma vontade de traduzir seus pensamentos sobre o esporte, na escrita, em uma tentativa de exaltar o quão complexo e difícil é falar de futebol, que é muito mais do que assistir a um gol.

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