Davide Astori: uma questão de coração

A jornada do capitão que prevalece na lembrança

No dia 4 de março de 2018, o futebol italiano teve um dos episódios mais tristes de sua história. Davide Astori, zagueiro da seleção italiana e capitão da Fiorentina, foi encontrado morto depois de um mal súbito em seu quarto de hotel horas antes de partida da Serie A TIM. Na Calciostoria desta semana, vamos prestar uma homenagem detalhando a carreira do ex-defensor que ficou marcado na memória do torcedor da Viola e de todo amante do Calcio.

Na faixa – Capitão Astori

O início

Davide Astori nasceu em San Giovanni Bianco, na província de Bérgamo, no dia 7 de janeiro de 1987. Seu primeiro clube, ainda na juventude, foi o Pontisola de San Pietro, contudo, o restante de sua formação aconteceu em um dos grandes da Itália, o maior detentor de títulos internacionais do país. Assim, em 2001, o zagueiro chegou ao Milan, onde buscou dar os primeiros paços como atleta profissional, porém, o futuro lhe reservara outro destino.

Depois de passar cinco anos nas categorias de base dos Rossoneros, Astori foi emprestado a dois times da Serie C1. Logo, durante a temporada 2006/07 atuou pelo Pizzighettone, e na 2007/08 foi jogador do Cremonese. Dessa forma, atuando em uma divisão inferior por pouco mais de 70 jogos, o defensor iniciou para valer sua carreira, que logo daria um salto de patamar.

Começo da escalada

No começo da temporada 2008/09, o Milan entrou em um acordo com o Cagliari, que pegou 1 milhão de euros por 50% dos direitos econômicos de Astori. Portanto, a equipe Rossoblu foi o novo destino do zagueiro. Sua estreia oficial foi em setembro de 2008, em partida diante do Siena, fora de casa, vindo do banco de reservas. Posteriormente, sua presença foi ficando mais constante, deixando maior sua sequência de atuações.

Já nas épocas seguinte, substituindo o uruguaio Diego López, Astori se firmou como titular e jogou 34 jogos. Até seus gols começaram a sair, o que o tornava um defensor ainda mais formado, com bons fundamentos e presença nas duas áreas. Ao fim da temporada, foi cogitada sua volta ao Milan, mas tudo não passou de especulação. O que de fato aconteceu em 2011, foi a compra do restante de seus direitos econômicos, agora 100% do Cagliari, por  €3.5 milhões.

Consolidação

Entre 2011 e 2013 o jogador começou a figurar na seleção italiana, fruto de seu bom trabalho no clube. Inclusive foi chamado para a Copa das Confederações disputada na Brasil, na qual a Itália acabou ficando em 3º lugar. Ainda mais, Astori marcou um dos gols na partida da medalha de bronze contra o Uruguai, se tornando o primeiro jogador do Cagliari a marcar desde Luigi Riva, em 1973.

Um ano depois, uma proposta de 15 milhões de euros do Spartak Moscow estava aceita pelo time de Cagliari, e Atoria quase se mudou para a Rússia. Todavia, o desejo do defensor era permanecer na equipe na qual deu um grande oportunidade e atingir outro nível. Após mais duas temporadas completas, um empréstimo com mudança de ares, mas ainda na Itália foi seu novo capítulo.

Em 2014, a Roma acertou o empréstimo de Astori por uma temporada, pelo valor de 2 milhões de euros e opção de compra fixada em 5 milhões. O jogador renovou seu contrato com com os Rossoblu antes de ir para a capital, para poder, assim decretar o empréstimo. Ao longo do período na nova equipe, o zagueiro atuou em 30 jogos e marcou um gol. Mesmo assim, o time do Olímpico não exerceu a compra.

O respeito da Viola

Em mais um empréstimo junto ao Cagliari, já na época seguinte, o destino do defensor foi sua última equipe na carreira, a Fiorentina. Seu primeiro compromisso com a camisa da Viola foi justamente contra o Milan, no dia 23 de agosto de 2015. Como seu vínculo possuía uma obrigação de compra, o zagueiro permaneceu na equipe em definitivo e ficou cada vez mais identificado com o time.

Jogando pelo lado esquerdo, o versátil defensor era dono da zaga violeta, na qual liderava de forma genuína. Era alto, mas não rápido, tendo a inteligência e boa antecipação como armas poderosas. Graças ao seu esforço, espírito de equipe e seu papel referência para os outros jogadores, Davide Astori foi escolhido como capitão no começo da temporada 2017/18, o capítulo final de sua história como atleta.

No dia 25 de fevereiro de 2018, Astori estrou em campo pela última vez como atleta da Fiorentina. A partida em questão foi contra o Chievo, em casa, sendo que na ocasião, o capitão começou a jogada que resultou no gol de Cristiano Biraghi, que acabou resultando no gol da vitória, encerrando, mesmo que indiretamente, de forma feliz a despedida do xerife.

Davide sempre con noi

No dia 4 de março de 2018, aos 31 anos, Davide Astori foi encontrado morto em um quarto de hotel. A delegação da Viola se concentrava para uma partida contra a Udinese, em Udine, e, de acordo com o jornal “Gazzetta dello Sport” um dos funcionários do clube encontrou o capitão já falecido após o mesmo não ter comparecido ao café da manhã. Um dia que seria de futebol de futebol na Terra da Bota, acabou se tornando um dia de luto.

A autópsia decretou a causa como parada cardíaca, ocorrida da noite de sábado para domingo. Todos os jogos restantes do fim de semana nas Series A e B foram adiados em respeito ao falecimento do capitão. O fato comoveu o mundo da bola, que viu diversas homenagens de equipes e jogadores ao redor do globo. Ex-companheiros ficaram desolados, a UEFA decretou 1′ de silêncio em todos os duelos pela Europa e seu ex-clube deixou a seguinte mensagem:

“A Fiorentina está profundamente abalada por ter que anunciar a morte de seu capitão Davide Astori depois de um mal súbito. Devido à terrível e delicada situação apelamos para que todos tenham sensibilidade e, acima de tudo, respeito a sua família”.

O número de sua camisa, o 13, utilizado em homenagem a Alessandro Nesta, foi aposentado tanto pela Fiorentina, quanto pelo Cagliari, os times em que o eterno capitão mais jogou. Seu corpo foi enterrado no cemitério San Pellegrino Terme, em Bérgamo, onde nasceu. E as mensagens de apoio, solidariedade e despedida não pararam por aí.

O legado do Capitano

No jogo seguinte da Fiorentina, diante da torcida, contra o Benevento, as homenagens começaram na parte de fora do estádio Artemio Franchia, que ficou repleto de cartazes, flores e outro objetos. Já na partida, bola parou de rolar durante todo o minuto 13, em alusão a camisa de Astori. O resultado do embate foi 1 x 0 para a Viola, gol marcado pelo brasileiro Vitor Hugo, que fez seu 1º tento pelo clube e prestou uma linda homenagem ao ex-companheiro.

Alguns dias depois, o time de Florença anunciou que mudaria o nome de seu centro de treinamento para “Centro Sportivo Davide Astori”. Até a seleção a qual o ex-atleta defendeu a homenageou, quando todos os jogadores entraram em um amistoso com camisas “Davide sempre con noi” (Davide sempre com nós). Ainda mais, como novo capitão da Viola, o argentino Germán Pezzella utilizou uma faixa exclusiva no Italiano em tributo ao ex-comandante.

Para ficar eternizado na história da Fiorentina, mais tarde, no mesmo ano, entrou para o hall da fama do clube. Ainda mais, um ano após seu falecimento, todas as partidas da Serie A tiveram paralisações no minuto 13. Já no mês de maio, um Prêmio de Fair Play foi dedicado a Astori em uma cerimonia do  Italian Football Hall of Fame, sendo a primeira vez que tal conquista fez parte da premiação. O defensor negociava para renovar contrato e a expectativa era para que o mesmo encerrasse a carreira no time no qual virou, de certa forma, ídolo.

O ex-zagueiro deixou esposa e uma filha, mas além disso, deixou uma legião de torcedores e amantes do futebol. Porém, não os deixou carentes com sua falta, mas sim fortalecidos, graças a sua integridade e seriedade enquanto jogador. Sua memória estará para sempre naqueles que o acompanharam o que ficaram comovidos com sua história. Apesar de não ser uma grande estrela da bola, Astori foi um profissional que honrou as camisas, respeitou o esporte e deixou seu exemplo como atleta marcado na história.

Foto destaque: Divulgação/Fiorentina

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Sobre Leonardo Abrahão

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Meu nome é Leonardo, tenho 19 anos, paulista e estudante de jornalismo. Futebol no sangue desde pequeno e para sempre. Sonho em trabalhar com esse esporte por toda a vida e acompanhar de perto as grandes competições.

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Leonardo Abrahão
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