Daniel Alves encontrou sua posição no São Paulo            

Contra o Santos, jogador teve seu melhor desempenho desde a sua chegada ao Morumbi

A partida deste sábado (16), em que o São Paulo empatou fora de casa com o Santos por 1 x 1, pela 33ª rodada do Brasileirão, serviu para elucidar Fernando Diniz sobre onde seria a melhor posição para Daniel Alves no Tricolor. O atleta jogou sua melhor partida com a camisa são-paulina e pode, finalmente, ter encontrado o lugar onde rende mais.

Daniel Alves: de “salvador da pátria” a problema

A chegada de Daniel Alves ao São Paulo teve festa digna do tamanho do atleta vencedor que é. O número 10 veio como uma ação de marketing para venda de camisas. Porém, mais do que isso, a escolha da numeração causou furor entre os torcedores e imprensa, que se perguntavam “onde, afinal, o Dani Alves irá jogar?”. Cuca, então treinador do time, ajudou na confusão e, assim como em toda a sua passagem pelo Tricolor, se equivocou, escalando o atleta, logo em sua estreia, como meia, atuando por dentro do campo. O gol e a vitória sobre o Ceará acobertou os problemas que viriam a seguir.

Na dúvida entre lateral ou meia, que tal um meia pela lateral?

Com a sequência de jogos ruins após sua estreia, a dúvida sobre a verdadeira posição de Daniel Alves veio à tona. Debates sobre sua real função em campo normalmente terminavam no mesmo dilema: na lateral, onde rende, não consegue ser decisivo. No meio, onde pode ser decisivo, não rende. Muito se falava sobre a tranquila adaptação do craque brasileiro ao meio-campo, visto que, em sua passagem pelo PSG, atuou em diversas oportunidades na segunda linha da equipe.

Além disso, era possível ver lembranças da Copa do Mundo de 2010, quando o então comandado por Dunga também fez uma boa competição, atuando no meio-campo. Para sacramentar a argumentação, havia a unânime afirmação de que “Daniel Alves sempre foi um lateral que armava as equipes”. Jogar no meio-campo realmente nunca foi um problema para o atual capitão da Seleção Brasileira, inclusive, com muita desenvoltura para jogar por dentro e afunilar as jogadas. Porém, o ponto crucial do debate é o seu ponto de partida em campo, e não exatamente as faixas do gramado onde irá atuar. Os mapas de calor abaixo deixam isso bem claro.

Movimentação de Daniel Alves contra o Santos e em toda sua passagem pelo São Paulo

Afinal, qual a diferença entre eles, se o jogador atuou basicamente nos mesmos lugares do campo? Daniel Alves faz como poucos a leitura de espaços durante uma partida. Sabe se movimentar e preencher lacunas, antevê movimentos e encontra companheiros em espaço reduzido. Porém, sua movimentação sempre foi partindo do lado do campo para dentro. A diferença, então, está no “ponto de partida”.

Contra o Santos, pela primeira vez, o atleta atuou onde se sente mais à vontade. Na recomposição, auxiliava o lateral Juanfran, fechando o lado direito. No momento ofensivo, partia da direta, fechando para o meio, sem perder a liberdade para frequentar, como mostra o mapa de calor, diversos outros pontos do campo. O “porto seguro” do jogador foi fundamental para conseguir chamar a responsabilidade e atuar de forma mais convincente, sendo, inclusive, decisivo ao marcar o gol de empate “tricolor”.

E agora, Antony?

A faixa de campo onde Daniel Alves atuou conflita, apesar das diferenças de características, a princípio, com a escalação de Antony. Porém, ainda que o jovem da base tenha surgido acima das expectativas e é uma promessa de grande jogador, isso não pode se tornar uma polêmica para Fernando Diniz. O camisa 39 já demonstrou ter habilidade para não ser apenas um jogador preso pelo lado direito do campo. Ou seja, há condições para evoluir e atuar em outras funções, seja pelo lado esquerdo ou mais centralizado. Como Daniel Alves também se movimenta muito, a inversão de posições pode, inclusive, ser um trunfo durante as partidas.

Ademais, caso isso não seja possível em um primeiro momento, o jovem talento do Morumbi não pode e nem deve ser tratado como titular absoluto. Apesar das boas atuações com a camisa tricolor, há evidentes oscilações durante os 90 minutos, algo completamente compreensível para a idade. Ainda que não esteja entre os 11 iniciais, trata-se de um atleta que pode desequilibrar entrando durante as partidas. Dani Alves pode ter finalmente encontrado o seu lugar na equipe. Por isso, Diniz não pode perder esta oportunidade criando dores de cabeça que não existem.

Foto destaque: Divulgação/Bruno Ulivieri/AGIF

Thiago Petrin

Sobre Thiago Petrin

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Thiago Petrin, pai do Rafael, articulista esportivo, redator publicitário e comentarista no canal Smells Like Futebol. Apaixonado pelo esporte bretão, fez cursos de especialização, tática e modelo de jogo no The360 e Universidade do Futebol.

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