Copa do Mundo 2014 com 48 seleções: como realmente seria?

Há três dias, a FIFA causou furor no mundo do futebol ao confirmar que a Copa do Mundo terá 48 seleções a partir de 2026. A ampliação no número de participantes (16) é simplesmente a maior já sofrida pelo torneio na sua história, e esse aumento promete criar reflexos em todo o calendário do futebol.

Desde então, muitos veículos se propuseram a imaginar como seria a Copa do Mundo de 2014 se disputada no novo formato… mas nenhuma fez o trabalho até o fim. É exatamente isso que farei nesse texto. Afinal, se é pra imaginar, vamos imaginar direito, certo?

A simulação a seguir faz uma mescla do que já sabemos sobre a nova Copa do Mundo, como o formato (48 seleções divididas em 16 grupos, com os dois melhores de cada grupo de classificando para o mata-mata) e preenche as lacunas com possíveis regras herdadas do formato atual (como a escolha dos cabeças-de-chave e o sorteio direcionado). Vamos lá?

De que continentes seriam as 16 novas vagas?

Considerando que em março a FIFA vai avalizar o acordo pré-definido de distribuição das 16 novas vagas, essa seria a comparação entre a distribuição de vagas como foi verdade e como seria com as novas vagas:

Quais seriam as seleções classificadas?

Sabemos que cada confederação tem seu próprio sistema de eliminatórias, então essa análise precisa ser feita individualmente. E não basta simplesmente colocar na Copa as últimas seleções eliminadas nos classificatórios, precisamos contextualizar a realidade com a nova distribuição de vagas. Vamos lá:

AFC (Ásia): a última fase das eliminatórias asiáticas tinha dois grupos com cinco seleções, onde os dois primeiros de cada grupo de classificavam para a Copa e os terceiros colocados disputavam o direito de ir à repescagem internacional. Com quatro vagas a mais, os classificados passariam a ser os quatro primeiros de cada grupo, e os lanternas decidiriam a vaga na repescagem. Essas duas seleções, no caso, seriam Iraque e Líbano, e como os iraquianos têm vantagem no confronto direto, os classifiquei.

Classificados originalmente: Austrália, Coreia do Sul, Irã e Japão

Classificados no novo formato: Jordânia, Omã, Qatar e Uzbequistão

Classificado para a repescagem: Iraque

CAF (África): a última fase das eliminatórias africanas realizou um mata-mata entre as 10 seleções participantes, e os cinco vencedores se classificavam à Copa. Com as novas vagas (quatro diretas e uma na repescagem internacional), podemos imaginar que os perdedores desse mata-mata também se classificariam, com a seleção de pior campanha indo à repescagem – no caso a Etiópia, que perdeu as duas partidas da fase final.

Classificados originalmente: Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Nigéria

Classificados no novo formato: Burkina Faso, Egito, Senegal e Tunísia

Classificado para a repescagem: Etiópia

CONCACAF (América do Norte, Central e Caribe):a última fase das eliminatórias da CONCACAF era um hexagonal em ida e volta, sendo que os três primeiros colocados foram à Copa e o quarto foi à repescagem internacional. Com mais três vagas, esse hexagonal seria dispensável, e os classificados viriam diretamente da fase anterior (seriam os dois primeiros dos três grupos realizados). A vaga na repescagem poderia, assim, ter sido definida através de um índice técnico, como o melhor terceiro colocado desses grupos – no caso, a Guatemala.

Classificados originalmente: Costa Rica, EUA, Honduras e México (repescagem)

Classificados no novo formato:  Jamaica, México (vaga direta) e Panamá

Classificado para a repescagem: Guatemala

CONMEBOL (América do Sul): com o Brasil já classificado, nove seleções disputaram as cinco vagas em jogo (quatro diretas e uma na repescagem). Com o novo formato, haveria mais uma vaga em disputa, o que na prática significa que o Uruguai se classificaria para a Copa de forma direta e a vaga na repescagem iria para a Venezuela.

Classificados originalmente: Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Uruguai (repescagem)

Classificado no novo formato: Uruguai (vaga direta)

Classificado para a repescagem: Venezuela

OFC (Oceania): nas eliminatórias oceânicas, a única coisa que mudaria seria o status da vaga, que deixaria de ser para a repescagem e passaria a ser direta. Seu dono continuaria sendo o mesmo país, a Nova Zelândia.

Classificado originalmente: nenhum (o continente não tinha vagas diretas)

Classificado no novo formato: Nova Zelândia

UEFA (Europa): para 2014, as eliminatórias europeias concederam 13 vagas, sendo nove diretas e quatro a partir de uma repescagem interna. Com mais três vagas em jogo, e na falta de uma opção melhor, é possível dizer que essa repescagem continental não existiria. Assim as 16 vagas seriam dadas aos nove melhores dos grupos e também aos sete melhores segundos colocados, o que tiraria a Croácia (8ª melhor segundo) do torneio.

Classificados originalmente: Alemanha, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Itália, Portugal, Rússia e Suíça

Não se classificaria no novo formato: Croácia

Classificados no novo formato: Islândia, Romênia, Suécia e Ucrânia

Repescagem internacional: para definir as últimas vagas na Copa 2014, foram confrontados os representantes da AFC com CONMEBOL e da CONCACAF com OFC. Adequando ao novo formato, apenas faríamos a troca do representante da OFC pelo da CAF, o que resultaria nos seguintes confrontos, ambos inéditos:  Iraque x Venezuela e Guatemala x Etiópia. Vou especular que se classificariam Venezuela, que em 2013 estava em ótimo momento, e Etiópia, que estava obtendo melhores resultados na época.

Como seria o sorteio dos grupos?

Também dá pra imaginar essa como a FIFA faria para sortear os 16 grupos dessa Copa do Mundo. Basta adequar os critérios adotados à nova “realidade”.

Dessa forma haveria 16 cabeças-de-chave no Pote 1, e apenas mais dois potes com outros 16 times cada. Considerando que o ranking usado pela FIFA foi o de outubro de 2013 (que ainda pode ser acessado aqui), os cabeças-de-chave seriam: Alemanha, Argentina, Bélgica, Bósnia-Herzegovina , Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, EUA, Grécia, Holanda, Inglaterra, Itália, Portugal, Suíça e Uruguai.

As mudanças não permitiriam reproduzir fielmente a formação dos outros potes como ocorreu realmente em 2014, mas as 32 seleções restantes nos permitem fazer dois grupos com exatas 16 seleções: um com as 10 equipes da África e as seis restantes da Europa; e outro com as equipes remanescentes. Dessa forma, os três potes seriam algo como isso:

Agora é imaginar que grupos sairiam desse bolo. Provavelmente a FIFA direcionaria o sorteio de modo a não haver duas seleções do mesmo continente em um mesmo grupo, o que praticamente garantiria vários grupos com europeus e sul-americanos. No entanto, isso não seria garantia de qualidade, pelo contrário: grande parte dos grupos fracos – como, exemplo, Bósnia-Herzegovina, Burkina Faso e Omã. Ou ainda Grécia, Etiópia e Jamaica. Misericórdia.

Grupos da morte ainda seriam possíveis, como por exemplo Brasil, França e México – porém seriam muito mais raros. Afinal, com mais grupos, as probabilidades se multiplicam. A grande maioria seria, no máximo, equilibrado (para não dizer fraco). Como Alemanha, Argélia e Austrália. Ou Colômbia, Portugal e Japão. Ou Uruguai, Suécia e Costa Rica

Como ponto positivo, destacaria o aumento no número de seleções estreantes. Além da Bósnia-Herzegovina, que disputou seu primeiro Mundial em 2014, também fariam suas estreias: Jordânia, Omã, Qatar e Uzbequistão (AFC), Panamá (CONCACAF), Venezuela (CONMEBOL), Burkina Faso e Etiópia (CAF) e Islândia (UEFA), o que totalizaria 10 seleções debutantes. Seria um recorde.

Agora é esperar 2026 para sabermos, afinal, o que será dessa inchada Copa do Mundo com 48 seleções.

Daniel Keppler

Sobre Daniel Keppler

Daniel Keppler já escreveu 2 posts nesse site..

Daniel Keppler, 28 anos, aspirante a jornalista e apaixonado pelo futebol e sua rica história. Corinthiano incondicional, também acompanho de perto outros times como Corinthian-Casuals, Barcelona, Al-Ahly e Racing Club


 

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