Conmebol procura mudanças para volta das competições

- Por cauda do coronavírus, Comebol determina critérios de segurança para que os campeonatos possam voltar
Conmebol busca novas mediddas para trazer de volta os campeonatos continentais

A pandemia causada pelo Coronavírus ocasionou a paralização do futebol pelo mundo. Com as viagens adiadas e a determinação do distanciamento social, os esportes, principalmente os que exigem contato, sofreram com essas paralizações. Hoje, a coluna Rasgando o Verbo traz a discussão sobre as novas determinações que a Conmebol quer adotar para uma possível volta.

A vida em sociedade será completamente alterada mesmo quando a pandemia acabar. No exato momento em que este texto está sendo produzido, não podemos sair, nem ir à festas, ou visitar os amigos. Não podemos abraçar ou cumprimentar alguém com os famosos beijinhos no rosto. A indicação que parte de todas as autoridades sanitárias e de saúde é: Fique em casa.

Academias e parques estão fechados. Quando as pessoas precisam sair de casa elas devem usar máscaras e higienizar as mãos constantemente. Essas contatações servem para situar o leitor no tempo, já que, muitos jamais pensaram que o mundo faria parte de um cenário de tamanha catástrofe.

Competições da Conmebol podem voltar sem torcida

O futebol tem uma coisa que chama atenção e arrepia. A torcida. Os estádios aconchegam muitas pessoas durante uma partida. Na Coreia, por exemplo, o Primeiro de Maio Rangrado tem capacidade para receber até 114 mil pessoas em suas arquibancadas. Um pouco mais perto, no Brasil, o Maracanã tem capacidade para mais de 78 mil torcedores.

Eles não são construídos apenas de grama e concreto. Além disso, seus bancos e seus alambrados fazem parte da história, seja ela de seu país, de um clube ou até mesmo de uma pessoa. Se você fizer uma pesquisa rápida com amigos que são torcedores, com certeza irá achar inúmeras histórias que convergem com seus estádios.

E aí que está. Lá dentro o torcedor grita, xinga, canta e se abraça. Os fãs do esporte não se importam em abraçar um completo desconhecido para comemorar um gol. No entanto, desde março deste ano, as torcidas não puderam mais frequentar o estádio. A última rodada disputada pelos estaduais foram sem a presença de torcedores para evitar a aglomeração. Esse, possivelmente, será um dos critérios adotados em um primeiro momento.

O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, ainda em abril, demonstrou confiança na volta da Libertadores ainda em 2020, e deixou claro que ela ocorrerá mesmo sem a presença de torcedores. Em entrevista à Reuters, ele afirmou:

“Acho que as coisas voltarão ao normal, mas isso vai levar tempo. E é claro que quero ver estádios cheios. Mas se a forma de ter o futebol de volta é jogar sem torcedores, então é assim que vamos jogar.”

https://twitter.com/libertadoresbr/status/1263258204781400065?s=21

Superstição ameaçada

Jogadores e torcedores mantêm vivo dentro do futebol algumas tradições. Faz parte do espetáculo e do ritual. Àquela camisa favorita, ou a meia. O lugar certo no lado do sofá. Pintar a unha ou não. A bandeira, o sal grosso de lei nas escadas dos estádios. São inúmeras, e com certeza, uma diferente da outra.

Além disso, em setembro de 2018 o UOL publicou uma matéria em que psicólogos explicavam como essas pequenas manias podem ajudar no desempenho dentro das quatro linhas. Ricardo Monezi, na época, disse ao portal que se apegar a esses amuletos pode trazer uma sensação de bem-estar ou autoconfiança.

Por falar nisso, que torcedor nunca viu um jogador dar aquele beijinho doce na bola antes de bater uma falta ou um pênalti? A famosa cena pode não se repetir mais. Beijar a bola não será mais uma ação permitida durante a partida, segundo os novos critérios adotados pela entidade.

Contudo, junto com esse quesito, estão proibidos trocar a flâmula, dar a camisa de presente dividir garrafas ou qualquer outro objeto pessoal. Cuspir no chão ou assoar o nariz, manias de muitos atletas, também são extremamente proibidos. Abraçar o colega depois de um gol também não será mais uma cena tão comum, durante esse resguardo pós quarentena. Antes da paralização o critério adotado foi o cumprimento com os cotovelos.

Conmebol pede mudanças

Além dessas medidas preventivas para garantir a proteção dos envolvidos neste espetáculo, a Conmebol pediu outras mudanças. Os reservas das equipes, que estarão no banco, devem usar máscaras durante a partida. Todos os atletas serão testados, e a Conmebol pode solicitar esses exames antes das partidas.

Os regulamentos também devem sofrer alterações. Os clubes podem trocar jogadores da lista de inscritos. Na Libertadores, a equipe pode fazer três substituições no decorrer do campeonato: nas quartas de final e na Semi. Já na Sul Americana os períodos são: oitavas de final e semi. Tudo isso somado às cinco substituições que podem ser feitas durante a partida, segundo o novo regulamento previsto pela FIFA.

No entanto, outros fatores atrapalham o planejamento. Um dos mais dúbios, por enquanto, seria quanto a locomoção das equipes, afinal a competição envolve um trajeto continental, passando por vários países. Alguns que sofrem com mais intensidade e outros a caminho de uma melhora.

Opinião: mudar é preciso!

Há mais de um século o mundo foi acometido por uma pandemia, descrito por Nelson Rodrigues como uma tragédia. Em 1961 ele escreveu:

“Foi uma tragédia, amigos, uma tragédia. Houve na cidade uma enchente de caixões. Pergunto: quem não morreu na Espanhola?”.

A doença fez inúmeras vítimas no Brasil, inclusive, jogadores de futebol. A gripe Espanhola chegou ao país em 1918 e os registros de mortes, ainda que imprecisos, indicam que entre 20 a 35 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas pelo vírus. As informações naquela época chegavam em menor escala, pois ainda não havia o real time da internet, e muitos foram pegos de surpresa.

Contudo, o futebol parou. O campeonato Paulista daquele ano ficou dois meses sem conhecer seu campeão. O troféu só foi levantado no ano seguinte pelo Paulistano. O Rio de Janeiro foi um dos estados que mais sofreu, foi devastado pela doença, em meio às construções que os cariocas corriam para deixar em pé a tempo para sediar o Campeonato Sul Americano – outro que teve que ser postergado para 1919.

O novo vírus da influenza assombrou muitos. As semelhanças com a nova Covid chegam a ser assustadoras. Depois do pesadelo da pandemia, o dia mais esperado chegou. A libertação advinda dos anticorpos que a população criou para combater o vírus. Alegria tomou conta do cenário brasileiro e o Fluminense se consagrou campeão carioca.

Foi preciso tomar medidas de prevenção para cuidar de vidas. O futebol envolve muitas pessoas e é necessário que haja uma mudança no cenário das grandes competições para proteger as pessoas, ainda que essas sejam provisórias.

Opinião: Novas medidas são necessárias, mas não suficientes

Apesar de todos as mudanças, o cenário causado pelo Coronavírus faz com que tudo seja temporário e incerto. É discutível os impactos que esses novos métodos podem causar na competição. Com isso, a Conmebol precisou buscar novas alterantivas.

Será que o meu clube pode ser prejudicado por ter que substituir um jogador durante uma competição? Se houver uma reprovação por sintomas pode atrapalhar a minha escalação? Será mesmo que os clubes vão agir com transparência? Algumas respostas sim, outras dúvidas.

Muitas coisas podem ser colocadas em cheque durante as necessárias mudanças, mas existe uma coisa que tem que ser o guia das decisões: a segurança e a vida de todos os envolvidos. Por isso, não adianta forçar uma volta, ou chover no molhado com a questão das novas regras, é preciso ter certeza da eficácia.

Foto: Fernando Dantas –  Gazeta Press

Valéria Contado

Sobre Valéria Contado

Valéria Contado já escreveu 157 posts nesse site..

Eu sou a Val Contado, finalmente jornalista (uhul!), apaixonada por futebol há 24 anos, desde quando meu pai colocou em mim o uniforme do nosso time do coração. Adepta da arte da resenha, falar e respirar futebol é o que eu mais gosto de fazer.

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Valéria Contado
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