Conheça a história de Beto, o paredão do Tubarão

Carlos Alberto Lopes da Conceição, ou podem chamá-lo simplesmente de Beto. Esse é o nome do belenense “paredão” que defende o azul e branco do Tubarão CFZ de Vitória do Xingu, time de futsal do munícipio do Sudoeste do estado do Pará, que tem cerca de 15 mil habitantes, e é a sensação dos últimos anos no Brasil. Beto já passou por clubes como o Paysandu e a Esmac de Belém, além de ter passagem no futsal de Portugal jogando pela Fundação Jorge Antunes, Operário de Açores, Acadêmica de Coimbra e Braga.

Beto jogando no Sporting Braga (arquivo pessoal)
Beto jogando no Operário de Açores (arquivo pessoal)
Beto segurando títulos pela Fundação Jorge Antunes (arquivo pessoal)
Beto jogando no Acadêmica de Coimbra (arquivo pessoal)

O começo de tudo

O atleta de 31 anos, além de goleiro dentro de quadra, ainda concilia a faculdade de educação física e também faz parte do Projeto Zico 10, que ajuda no incentivo ao esporte entre as crianças do município, projeto esse que já colhe frutos ao um bom tempo na região Xingu. Assim como os meninos, Beto sempre quis jogar com a bola nos pés, mas um fator o fez decidir que o melhor era a quadra:

Quando eu era mais novo, dava para conciliar o futebol de campo e o futsal, consegui jogar as duas modalidades até os 20 anos depois tive que optar por um e é a que eu prático até hoje. Teste em clube profissional de campo não cheguei a fazer, pois sabia das minhas limitações por conta da minha altura, como já sabia que não iria ter oportunidade por conta dela, preferi me dedicar ao futsal. E graças a Deus não me arrependo nenhum pouco.

Muito antes disso, Beto já era apaixonado pelo gol, na escola a posição era dele e ninguém tirava. Porém na escolinha da Tuna Luso, tradicional clube de Belém, veio a oportunidade que antes era apenas uma brincadeira de colégio e de lá para foi começando a se tornar algo sério:

Nas aulas de educação física na escola sempre gostei de jogar no gol, mais quando fui participar da escolinha da Tuna, fui como jogador de linha, até tinha uma certa desenvoltura para jogar na linha. Mas aí um certo dia, teve um torneio promovido pela escolinha e no dia faltou o goleiro do meu time, como eu já brincava no gol na escola resolvi ir para o gol e fui o melhor goleiro do torneio e de lá para cá não quis mais outra vida (risos). Daí vem a minha facilidade de saber jogar bem com os pés.

As premiações só crescem a cada ano

Passado todo esse percurso as oportunidades chegaram e ele agarrou elas, literalmente, com unhas e dentes. Beto tem uma carreira vitoriosa e tem orgulho de todos os troféus conquistados por toda sua trajetória e não são poucos. Títulos estaduais, regionais e nacionais é com ele mesmo, alguns títulos individuais também, como o troféu Rômulo Maiorana, o maior título do estado, como melhor jogador de Futsal em 2015. Finais então nem se fala, de 2004 para cá, ele não sabe o que estar fora de uma final de estadual, somente nos anos em que ficou fora do país ele não participou, ao todo foram seis títulos do campeonato paraense pelos clubes em que trabalhou.

Sala de troféus, onde Beto exibe orgulhoso o títulos que conquistou
Troféu Rômulo Maiorana, a maior honraria do esporte paraense, conquistado em 2015.

Chegada ao Tubarão

Chegando em Vitória do Xingu, foi através da amizade com o dono do clube, que em 2015 surgiu o interesse das duas partes em firmar um compromisso que a cada ano é mais sucesso do que se imaginava. O time até então apenas disputava torneio de maneira amadora nas cidades vizinhas, como Altamira, mas desse ano em diante o futsal virou coisa séria e isso empolgou o nosso entrevistado:

Em 2015 recebi o convite dele para vestir a camisa do Tubarão que disputava a copa das estrelas em Altamira, não pensei duas vezes, aceitei na hora o convite e daí que o Murilo me apresentou o projeto Tubarão, porque até 2015 o Tubarão participava de competições não oficiais, aí conheci o projeto vi que era sério com ambições grandes e em 2016 o clube se filiou na federação Paraense de futsal aonde começou a disputar o campeonato paraense. Foi quando acertei com o Murilo e aceitei o desafio de ir jogar no Tubarão e morar em vitória.

Beto jogando pelo Tubarão (arquivo pessoal)

Para ele, a adaptação ao interior do estado foi tirada de letra, e esse é um dos grandes trunfos para o sucesso do jogador no Tuba, como é conhecido carinhosamente o Tubarão CFZ.

Cara, eu graças a Deus me adaptei muito rápido, fica fácil de se adaptar a um lugar quando você é bem recebido e foi isso que aconteceu comigo, hoje não me vejo morando em outro lugar fora de Belém que não seja vitória do Xingu.

Foto: Arquivo Pessoal

O início sempre é mais difícil para qualquer clube que deseja alcançar o auge na sua história. No Brasil, a maior dificuldade talvez seja a falta de estrutura para, no mínimo, ter o básico para o começo de uma caminhada. Para Beto, o Tubarão também não é diferente de nenhum clube, mas se torna referência para a região Norte do país e não deixa a desejar comparando-se a todo Brasil.

Como todo clube que se inicia tem sempre que está fazendo alguns ajustes e no Tubarão não diferente, mais para um clube que tem apenas dois anos jogando competições estaduais e nacionais, não deixa a desejar nada para nenhum clube do Pará, arrisco em falar que o tubarão tem a melhor estrutura do Pará e uma das três melhores do norte do Brasil.

Mesmo acostumado aos títulos, finais e etc, Beto diz que vive um momento muito especial na carreira, mas no time de Vitória do Xingu é diferente, pois, passou por um momento difícil na vida particular e tanto a diretoria, como os companheiros, e acima de tudo o futsal, o fez reunir forças para seguir em frente e ajudar o time no caminho brilhante de 2017.

Já tinha acontecido outras vezes de conquistar títulos importantes em um ano, mais por ser um clube que pensa no ATLETA que se importa como nós estamos, não só dentro de quadra, mas também fora, as pessoas que estão à frente são fora de série, por isso que esses títulos tem um sabor diferente […] como aconteceram alguns problemas pessoais usei umas das coisas que amo fazer na vida, que é o bom futsal para superar as adversidades vividas fora das quadras e graças a Deus deu certo. Consegui ajudar meus companheiros nas competições que participamos, e o resultado foi esse: campeão da Liga Norte, campeão paraense e o vice da Copa do Brasil.

Uma história de sucesso ainda sendo escrita

Beto sabe que ele e seus companheiros já fizeram história no futsal de toda uma região que tem no futsal como seu primeiro esporte. Pelas quadras, sejam elas cobertas ou não, tem sempre alguém nas praças, ginásios e outras localidades públicas, batendo uma bolinha. O nosso entrevistado conta sobre a experiência de escrever o momento de glória para Vitória do Xingu.

A sensação é incrível, ganhar quase tudo que disputamos esse ano, um clube com apenas dois anos disputando competições estaduais e nacionais e já ter mais títulos que muitos clubes mais antigos, isso não tem preço e o que nós vivemos no último dia 27-12-2017, foi um momento que eu nunca tinha vivido igual na minha carreira. É muito bom você ficar marcado em um clube e quando se trata de um clube como Tubarão que é de um município maravilhoso sempre é mais valorizado.

Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal
Foto: Foto do título do Campeonato Paraense 2017 (arquivo pessoal)

Voltando ao tema das finais, agora mais precisamente a Copa do Brasil, o Tubarão fez uma excelente campanha, mas foi parado pelo time do Horizonte e ficou com o vice-campeonato da competição, após perder o segundo e decisivo jogo por 3 a 1. Beto descreve sobre o gostinho de ter chego a uma final nacional pelo Tubarão.

Chegar em uma final de uma competição nacional é sempre importante, sabemos que marca a carreira do atleta, foi uma pena não conseguirmos o título mas graças a Deus vamos ter a oportunidade de tentar novamente em 2018, vamos trabalhar muito para que a história seja diferente caso a gente na final!

A perspectiva é de dias ainda melhores

O trabalho sério, a boa estrutura que o time tem e ainda, a união entre os atletas é o segredo, segundo Beto, que faz do Tubarão a cada dia maior, e os frutos, claro, são sempre colhidos da melhor maneira possível.

A estrutura que o tubarão tem hoje faz com que o time tenha toda as condições para lutar por título nas competições que disputa, quando o clube trabalha sério fora das quatro linhas o resultado sempre aparece, sem falar na nossa união dentro e fora de quadra, isso faz muita diferença.

Beto vive há pouco tempo na região, mas já reconhece o valor que o futsal da região tem. Para ele, o esporte só precisa de um empurrãozinho das autoridades para enfim a modalidade ter o seu devido reconhecimento:

O futsal de Vitória do Xingu já é reconhecido no cenário nacional através do Tubarão, mesmo com pouco tempo disputando competições estaduais e nacionais o clube é referência da região Norte, todos no meio do futsal já conhecem o nosso time. Agora só falta os outros municípios como Altamira, principalmente, se conscientizarem e seguir os passos de vitória do Xingu e dá o apoio ao esporte na cidade, e também fazer um investimento na modalidade, porque eu sei o quanto a população gosta de futsal aí e isso seria muito importante para toda a região.

Foto: arquivo pessoal

Os ídolos, seleção e a ambição de crescimento do esporte na região

A população gosta tanto que lotou as dependências do Ginásio Nícias Ribeiro, para ver ele e seus companheiros levantarem mais um caneco, como foi mostrado em matéria especial na semana passada. Na posição de ser o pesadelo dos atacantes, é claro que não poderia deixar de ter os goleiros como inspiração, mas o maior jogador de todos os tempos no esporte, não poderia faltar.

Tenho como referências três goleiros, Lavoisier, Tiago e o goleiro espanhol Luiz Amado. Mas não posso deixar de falar no cara que é referência do futsal mundial, Falcão, esses são os que sempre procurei acompanhar para ir aprendendo sempre.

A meta de todo atleta, sempre é defender o seu país em qualquer competição que seja. O nosso entrevistado já teve essa oportunidade, mesmo sendo a seleção universitária, Beto tem orgulho de dizer que pôde defender a amarelinha em quadra. Em compensação a profissional, ele sabe que o caminho ainda é árduo, e pode demorar mais um pouquinho a chegar e mantém os pés no chão.

Sonhar acho que todo atleta sonha, eu já tive a oportunidade de representar o Brasil em um Mundial universitário, fui convocado e disputei o mundial na Eslovênia em 2009, sei que para ser convocado para seleção principal é muito difícil, pois o futsal para o lado do Norte é um pouco esquecido. Para que eu pudesse lutar de igual para igual por esse sonho, teria que ir jogar em um time fora do estado e hoje estou muito feliz no Tubarão e espero ficar por muitos anos nesse clube.

Foto: Defendendo a camisa amarelinha. Beto sabe o que isso, com a seleção universitária. (foto: arquivo pessoal)

Quando o assunto é sonho, Beto vai muito mais além do que se pode imaginar. Ajudar no crescimento do futsal em Vitória do Xingu e na região serve de motivação para o arqueiro seguir em frente na profissão que sempre almejou desde menino.

O meu sonho no futsal, é ver o no esporte se profissionalizar na nossa região, aqui tem muitos atletas de qualidade, mas pela falta de investimentos não conseguem ter a sua oportunidade e assim perdemos muitos talentos por falta dessa não profissionalização.

Foto: arquivo pessoal
Ruan Silva

Sobre Ruan Silva

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Meu nome é Ruan Silva da Silva, tenho 24 anos, moro na cidade de Altamira no Pará. Sou graduado na área de Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e no momento pós-graduando na área de Linguagem e Ensino, ambos pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Sou deficiente físico, tenho dificuldades na questão da locomoção, que dificulta um pouquinho as coisas, mas nada que impeça de exercer diversas atividades. Sou apaixonado por todos os esportes, principalmente pelo futebol, corintiano e simpatizante de diversos clubes na Europa que não cabem todos aqui e apaixonado também pelo jornalismo esportivo tendo como ídolos, ícones como Galvão Bueno, Luciano do Valle, André Henning, Vitor Sérgio Rodrigues e outros mais. Uma curiosidade minha é que consegui na graduação em um ambiente voltado aos estudos de ensino e aprendizagem, incluir o futebol no principal trabalho dos quatro anos de curso, o TCC. Escrevi sobre Nelson Rodrigues e a Copa de 1950, temas raramente trabalhados numa graduação como essa. Enfim! Sonho em um dia trabalhar efetivamente na área que tanto amo e acredito que posso fazer um bom papel no meio.

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Ruan Silva
Ruan Silva
Meu nome é Ruan Silva da Silva, tenho 24 anos, moro na cidade de Altamira no Pará. Sou graduado na área de Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e no momento pós-graduando na área de Linguagem e Ensino, ambos pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Sou deficiente físico, tenho dificuldades na questão da locomoção, que dificulta um pouquinho as coisas, mas nada que impeça de exercer diversas atividades. Sou apaixonado por todos os esportes, principalmente pelo futebol, corintiano e simpatizante de diversos clubes na Europa que não cabem todos aqui e apaixonado também pelo jornalismo esportivo tendo como ídolos, ícones como Galvão Bueno, Luciano do Valle, André Henning, Vitor Sérgio Rodrigues e outros mais. Uma curiosidade minha é que consegui na graduação em um ambiente voltado aos estudos de ensino e aprendizagem, incluir o futebol no principal trabalho dos quatro anos de curso, o TCC. Escrevi sobre Nelson Rodrigues e a Copa de 1950, temas raramente trabalhados numa graduação como essa. Enfim! Sonho em um dia trabalhar efetivamente na área que tanto amo e acredito que posso fazer um bom papel no meio.

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