Conheça Alyson Matheus, jovem promessa da base da Desportiva-PA

Atacante fará sua primeira participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior
Alyson Matheus

Antes de qualquer coisa, o futebol é um esporte democrático. É através dele que muitos jovens saem do interior das cidades e encontram um sentido para viver. Buscam na bola a ascensão social e a melhoria de vida para sua família que por razões geo-econômicas não teriam no caminho mais comum da juventude. Dentro desse contexto, surge uma promessa da base da Desportiva ParaenseAlyson Matheus. Após dois anos, a equipe volta à Copa São Paulo de Futebol Júnior e, no elenco, levará o garoto que vai para sua primeira participação, onde já chama atenção de clubes do exterior.

Oriundo do interior de Marapanim, à 144 km de Belém, capital do Pará, Alyson Matheus, desde pequeno, já jogava nos campinhos de várzea da comunidade. Era nesses locais que se reunia com os amigos para buscar, no mato, madeiras para as traves do gol e, dessa forma, brincar de futebol como muitas crianças brasileiras. Assim, com uma infância marcada por dificuldades financeiras, jogava descalço, pois os pais não tinham condições para lhe comprar uma chuteira. Apesar dos obstáculos, mantinha sempre a fé em Deus que um dia ainda jogaria como atleta profissional de futebol.

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DE MARAPANIM PARA SANTA IZABEL

Logo, Alyson Matheus é um atacante de beirada, velocista que atua pela ponta direita. Aos 17 anos, vem se destacando pela Desportiva-PA, onde pelo Paraense Sub-17 marcou 18 gols em 14 jogos, com oito assistências. No Sub-20, ainda participou de três partidas, anotando dois tentos. No entanto, sua história no futebol começou cinco anos atrás, em um pequeno lugarejo perto de Marapanim, chamado Caratateua:

Primeiro, eu fui para um lugarzinho perto do meu interior chamado Caratateua. Foi um professor meu de Educação Física, chamado Gil Alves, que me fez o convite de participar da escolinha dele de futebol. De lá, eu fui para Santa Izabel, para a escolinha Mr. 10, e lá tinha um time muito bom, só que não tinha como jogarmos o Paraense por conta de não ser federado e tivemos que jogar pelo Izabelense e fomos campeões Sub-15

Todavia, o sucesso inicial foi marcado pelas barreiras geográficas, já que tinha dificuldade para se deslocar de Marapanim à Santa Izabel para os treinos. Afinal, como os pais não tinham condições de pagar o transporte de barco até a cidade, Alyson viajava 12 horas pelo rio apenas para jogar. Assim, foi no Izabelense que ele despertou o interesse da Desportiva-PA.

Foi um período muito difícil, por conta que gostava de treinar todos os dias. Queria evoluir, mas não tinha condições de pagar minha passagem todos os dias. Foi também no Sub-15 mesmo que joguei contra a Desportiva e lá joguei muito bem e o presidente e Matheus Lima me chamaram. Mas meu pai conversou com o pessoal do Izabelense e falaram que não era para eu ir. E no Sub-17, eu mesmo me decidir e fui para a Desportiva.

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A CHEGADA À DESPORTIVA PARAENSE

Dessa forma, através do convite feito pelo coordenador das categorias de base, Matheus Lima, o atacante chegou à Desportiva-PA para sua grande oportunidade na recém iniciada carreira. Assim, teve que deixar os pais em Marapanim e se mudar com a irmã para Santa Izabel. Desse modo, vai toda a tarde para Marituba treinar com os demais companheiros de equipe, apesar do clube dispor de alojamentos para os jogadores da base.

Antes de se preparar para a Copa São Paulo, Alyson realizou um de seus sonhos no futebol ao participar de um período de treinos-teste no Getafe, da Espanha:

Eu tive a oportunidade de ir até o Getafe através da parceria da empresa Soccer Sport International com a Desportiva Paraense e sou muito grato a eles. Fui bem recebido, é um clube bem estruturado. Me deram bastante apoio na minha carreira e, se Deus quiser, estarei logo, logo voltando ao Getafe. Está sendo muito bom para todos nós daqui, estamos tendo mais oportunidades no mundo do futebol.

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OS SONHOS DE ALYSON MATHEUS

Além disso, de origem humilde, o atacante tem no jogador Rony, atualmente no Athletico-PR, um exemplo de atleta no futebol. De forma idêntica, encontra na família a motivação para voar alto no esporte:

Me espelho muito no jogador Rony, do Athletico, porque também é de perto do meu interior e através de todas as dificuldades conseguiu ser um jogador profissional. Desde quando nasci, eu tinha esse dom, que Deus me deu, com essa meta de ser um jogador profissional, dar um conforto para a minha família, para minha mãe, dar orgulho para os meus amigos, levar o nome da minha cidade para longe, que no futebol tem muito isso.”

Com efeito, às vésperas da estreia na Copa São Paulo, Alyson Matheus demonstra otimismo e bom entrosamento com os demais jogadores da Desportiva-PA. Um verdadeiro ambiente família na preparação que levará outros novatos para Osasco:

Eu tenho um relacionamento muito bom com meus irmãos na Desportiva, um grupo muito unido e sempre ajudando um ao outro. Uma família onde só tem pessoas super humildes, não só os atletas, como também toda a comissão técnica e dirigentes, fazendo sempre o melhor para nós. A expectativa é muito boa por conta do tamanho do torneio e de levar o meu nome e o da Desportiva muito longe no cenário brasileiro.

Por fim, o garoto que saiu cedo de Marapanim projeta boa participação na Copinha e está confiante em um retorno ao Getafe, após o certame. Para o futuro, se ver como uma pessoa realizada caso se torne jogador profissional, um sonho de criança, busca ser reconhecido e chegar ao topo do futebol com muita humildade, respeito e dedicação.

Foto Destaque: Divulgação / Instagram Desportiva Paraense

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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