Conheça a história de Daniel Passarella, o ‘xeneize’ que virou ‘millonario’

- Considerado um dos maiores zagueiros de sua época, Passarella marcou o futebol nas décadas de 70 e 80
Daniel Passarella

Um dos maiores zagueiros já formados nas categorias de base da Argentina, Daniel Passarella sem dúvida alguma, marcou seu nome na história do futebol. Sua qualidade técnica e visão de jogo apurada, lhe concederam uma carreira de sucesso frente a seleção Argentina e ao River Plate. Colecionando assim, a conquista de sete campeonatos nacionais com os ‘Millonarios' e dois campeonatos mundiais representando seu país. Feito este, que inclusive o consagrou como o único jogador não-brasileiro e italiano a ser bicampeão mundial.

Nascido na cidade de Chacabuco (Buenos Aires) em 25 de maio de 1953, Passarella iniciou sua carreira futebolística, no modesto Sarmiento, onde jogou por três anos (1971-1973) até conseguir a grande oportunidade de sua carreira em um dos maiores clubes da Argentina e do mundo: o River Plate.

RIVER PLATE

Sua história nos ‘Millonarios' começou de uma forma bem peculiar, pois antes de ser contratado, Daniel foi reprovado nas peneiras do arquirrival Boca Juniors. Logo após sentir a frustração de ter sido rejeitado pelo seu clube de infância, pediu para Néstor Rossi, ex-zagueiro do River, uma oportunidade nos testes do time de Monumental de Núñez, onde enfim acabou sendo aprovado e apresentado para o mundo do futebol no ano de 1974.

Era hora de se ‘vingar' do clube de La Bombonera e mostrar seu verdadeiro valor !

Pois bem, sua passagem foi um sucesso às margens do Rio da Prata. Um verdadeiro líder dentro e fora de campo, sendo o responsável direto por tirar o River Plate de um jejum que já durava 18 anos sem ganhar um título expressivo, além de conquistar sete campeonatos nacionais em nove anos atuando pelo clube.

Sua garra, liderança e uma técnica apuradíssima, o fizeram receber os apelidos de “Rei da Defesa” e “O Grande Capitão”. Logo, toda essa conexão e afeto de clube, torcida e jogador, trouxeram Passarella de volta ao Monumental de Núñez mesmo após encerrar sua carreira como atleta. Desta vez, o desafio seria de comandar a equipe como técnico de futebol e também como mandatário. Mas isso comentaremos mais para frente…

Craque Imortal – Passarella - Imortais do Futebol

                                                                                (Reprodução/Imortais do Futebol)

FUTEBOL ITALIANO

O grande sucesso no futebol sul-americano e as conquistas dos mundiais de 1978 e 1986, levaram o futebol de Daniel Passarella ao velho continente, para jogar em uma das maiores vitrines do mundo: o italiano. Porém, apesar de desempenhar um excelente papel como zagueiro, sempre colocando seu sistema defensivo entre os melhores e menos vazados do país, o “Rei da Defesa” deixou a Itália sem conquistar nenhum título, seja ele nacional ou internacional.

FIORENTINA

A passagem pela ‘Toscana‘, considerada um dos principais clubes da década de 80, foi boa mas não o suficiente para marcar época. Pois, apesar do bom desempenho defensivo ao lado de grandes jogadores como Galli, Cuccureddu e Pin, o time não conseguiu conquistar nenhum titulo expressivo. Esbarrando sempre nos rivais Juventus e Roma, que obtinham o monopólio do Campeonato Italiano naquele período.

Estatísticas: 109 jogos / 26 gols / 1982-1986.

INTER DE MILÃO

Contratado sob muita expectativa por Ernesto Pellegrini para dar fim à seca de títulos da Inter e comandar o sistema defensivo. Passarella juntamente com Bergomi, FerriBeppe Baresi, Matteoli e Marangon, transformou aquela defesa praticamente intransponível. Atingindo a marca de time menos vazado do Campeonato Italiano, sofrendo apenas 17 gols em 30 jogos. Mas a falta de um ataque efetivo e à altura de seus defensores, fez com que a Inter continuasse amargurando a seca de títulos, ficando atrás da Juventus de Platini e do Napoli liderado pelo trio ‘MaGiCa' (Maradona, Giordano e Carnevale).

Estatísticas: 44 jogos / 9 gols / 1986-1988.

                                               Gentile, Passarella e Sócrates, nos tempos de Fiorentina (Reprodução: Calcio Pedia)

                                                                  

SELEÇÃO ARGENTINA

O ‘Kaiser‘ assim como era chamado, se eternizou na memória do torcedor argentino ao levantar a taça de campeão mundial em 1978. Como capitão, liderando a equipe ao lado de Mario Kempes, Passarella foi fundamental naquele torneio cheio de controvérsias em relação a organização e possíveis ‘fraudes' por parte dos anfitriões. Mas a verdade é que independente de tudo, o zagueiro levou seu país ao pódio mais alto do cenário futebolístico, encerrando assim um jejum que já durava décadas.

Já durante a Copa do Mundo de 1986, sediada no México, o cenário foi totalmente diferente na seleção albiceleste. Isso porque o elenco de atletas estava completamente rachado. Onde o desafeto acontecia entre Diego Maradona e Daniel Passarella, obrigando o técnico Carlos Bilardo a colocar o ”grande capitão” no banco de reservas durante o torneio. Entretanto, apesar de amargurar a reserva, Passarella era o único remanescente do título de 1978, se tornando assim, o único jogador argentino bicampeão mundial de toda a história.

Estatísticas: 70 jogos / 22 gols / 1974-1986.

40 anos do primeiro título da Argentina. Sem motivos para ...

                                                                                                              (Reprodução/Revista Veja)

CARREIRA COMO TÉCNICO

Sua carreira como técnico de futebol, começou muito bem. Logo após anunciar sua aposentaria como atleta, Daniel assumiu o comando do elenco principal do River Plate. Os títulos de Campeonatos Argentinos nos dois primeiros anos (1989-1990) à frente dos Millonarios, lhe proporcionaram uma longevidade na comissão técnica do clube, durando seis anos. Por fim, em 1994, acabou sendo premiado com o convite de dirigir uma seleção que ele conhecia melhor do ninguém: a Seleção Argentina de futebol.

Diferentemente de sua passagem como jogador, Passarella não teve êxito ao assumir a seleção albiceleste após a eliminação da Copa do Mundo de 1994 e a demissão do técnico Alfio Basile. As consecutivas eliminações em copas América e principalmente do mundial de 1998, disputado na frança, foram cruciais para derrubar de vez o técnico e ex-ídolo Argentino. Sendo que o único título conquistado, teria sido o de campeão Pan-Americano, sediado na própria Argentina em 1995.

Colecionando passagens curtas e nem um pouco vitoriosas, comandando a seleção Uruguaia e também o ‘falido' Parma da Itália. O ”grande capitão” voltou a saborear um título em 2003, conquistando o campeonato mexicano pela equipe do TigresMEX, onde ficaria entre 2002 e 2004.

Em 2005, Daniel Passarella foi contratado pelo Corinthians em 1º de março com a missão de ganhar títulos com o elenco repleto de estrelas montado pelos dólares investidos pela MSI. Porém, mesmo com todo dinheiro investido e contratações milionárias, como a de Carlitos Tévez, o técnico não resistiu a forte pressão da torcida. Logo, acabou sendo demitido após perder o clássico para o rival São Paulo por um placar humilhante de 5 x 1.

”O BOM FILHO A CASA TORNA”

Em meio a todos os altos e baixos da carreira, o destino final como treinador, não poderia ter sido diferente. Sendo assim, o Xeneize que virou Millonario retornou ao Monumental de Nuñez para encerrar mais um ciclo em sua carreira. De quebra no mesmo ano que assumiu o River, Daniel conseguiu se ‘vingar' do Corinthians, eliminando os Alvinegros em pleno Pacaembu, na Libertadores da América de 2006.

Mas apesar de todo cenário favorável, a passagem comandando seu então clube de coração, foi de um tremendo insucesso. Pedindo demissão logo no ano seguinte, sem ter conquistado sequer um título. Definitivamente, se encerrava ali, mais um ciclo de 18 anos como treinador de futebol.

Roger errou pênalti de propósito contra o Figueirense na Copa do ...

                                (Passarella em tempos de Corinthians. Ao seu lado esquerdo o meia-atacante Roger Flores, um de seus desafetos em Parque São Jorge/ND Mais)

CURIOSIDADES

  • Dois anos após ter encerrado a carreira como técnico de futebol, Daniel Passarella assumiu a presidência do River Plate. Porém em 2011, ainda durante sua gestão, o clube amargurou o pior acontecimento de sua história, o rebaixamento para a serie B do campeonato Argentino.
  • Da mesma forma que atuou como jogador. Durante sua passagem pela Seleção Argentina, o ex-zagueiro protagonizou episódios no mínimo controversos ao proibir que os jogadores tivessem cabelos longos e brincos , chegando até mesmo a barrar homossexuais.
  • Apesar de sua baixa estatura, marcou muitos gols de cabeça, além claro das inúmeras cobranças de falta. Atingindo a marca de segundo zagueiro que mais fez gols na história, atrás apenas de Ronald Koeman. 

Imagem destacada: Reprodução / Alchetron.com

Lucas Bertuzzi

Sobre Lucas Bertuzzi

Lucas Bertuzzi Berzin já escreveu 6 posts nesse site..

Tenho 25 anos e estou no 7º semestre do curso de Jornalismo na faculdade São Judas Tadeu. Minha facilidade ao falar em público e principalmente minha paixão pelo esporte, em especial o futebol. Me fizeram ingressar na comunicação social, com um só intuito: ser repórter esportivo.

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Lucas Bertuzzi
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Tenho 25 anos e estou no 7º semestre do curso de Jornalismo na faculdade São Judas Tadeu. Minha facilidade ao falar em público e principalmente minha paixão pelo esporte, em especial o futebol. Me fizeram ingressar na comunicação social, com um só intuito: ser repórter esportivo.

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