Com vaga na final, Marcelo Gallardo se eterniza no River Plate

- Millionarios garantem terceira final nas últimas cinco edições da Libertadores da América
Marcelo Gallardo

Deu Boca na Bombonera, mas quem está na final da Taça Libertadores é o River Plate. Após vencer no Monumental de Núñez por 2 x 0, os Millionarios jogaram com o regulamento debaixo do braço e, mesmo com a derrota por 1 x 0, ontem, se classificaram para mais uma decisão continental. Dessa forma, esta foi a quarta eliminação em mata-matas do Azul y Oro diante de seu principal rival. Agora, os comandados de Marcelo Gallardo aguardam o adversário da finalíssima, que sai hoje à noite do duelo entre Flamengo e Grêmio.

Assim, o River Plate é o primeiro clube, depois do São Paulo, a conquistar vaga em duas finais seguidas da maior competição de clubes sul-americana. Posto isso, o principal objetivo de La Banda é repetir o feito do rival Boca e se sagrar campeão em sequência, algo atingido pelo time de La Bombonera entre os anos de 2000 e 2001.

A ERA MARCELO GALLARDO

Tamanho sucesso tem nome e sobrenome: Marcelo Gallardo. Após encerrar a carreira de jogador no Nacional-URU, em 2011, o ex-meia chegou ao River Plate em 2014, atestado pelo título uruguaio na temporada 2012. Na ocasião, o clube argentino estava saindo de sua maior crise na história, regressando após o rebaixamento à segunda divisão nacional. Já no primeiro ano, Gallardo levou a equipe à conquista da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional-COL, vencendo em Núñez por 2 x 0.

Em 2015, levantou três taças, a primeira das três Recopas Sul-Americanas, a Copa Suruga Bank e a Taça Libertadores da América frente ao Tigres-MEX. Apesar da revalidação da Recopa Sul-Americana, nos dois anos seguintes, a equipe não logrou êxito internacional. Entretanto, internamente, conquistou duas Copas e uma Supercopa da Argentina.

Assim, 2018 foi o ano da consolidação da idolatria ao treinador com nova conquista da Libertadores da América. Desta vez em cima do Boca Juniors, em final conturbada que, devido a ausência de segurança para os jogos, foi disputada em Madrid, na Espanha. Dessa forma, depois de um empate em La Bombonera por 2 x 2, o River aplicou uma acachapante vitória de 3 x 1 no Santiago Bernabéu e deixou a Europa com o quarto título continental. No mesmo ano, foi eleito o melhor técnico da América do Sul.

Na temporada atual, nova conquista da Recopa Sul-Americana ante o Athletico-PR em remontada no Monumental por 3 x 0. Agora, Marcelo Gallardo está perto de levantar a terceira Libertadores da América em cinco anos e de ter nova tentativa de se sagrar campeão mundial. Em 2015, perdeu para o Barcelona por 3 x 0 e, ano passado, caiu na semifinal para o Al Ain, dos Emirados Árabes. Tal desempenho faz ele ser aclamado como o rei do mata-mata na Argentina.

EL MUÑECO

Tendo como inspiração a filosofia de Marcelo Bielsa e Alejandro Sabadella, o técnico de 43 anos foca seu trabalho na manutenção da posse de bola com a intenção de forçar o erro adversário e através de triangulações chegar ao gol. Apesar de ser agitado, estrategista, técnico e exigente, uma das características de Marcelo Gallardo é o fator humano. Ele consegue entender o lado dos jogadores, posto já ter sido um deles, e ainda assim tirar o máximo de seus comandados. Algo que o faz ser um bom gestor de pessoas, por antever problemas.

Todavia, seu sucesso se deve também a capacidade de se adaptar as adversidades. Do elenco que foi campeão da América ano passado, apenas dois foram remanescentes de seu primeiro título, em 2015. São os casos de Maidana e Ponzio. Dessa forma, reconstrói elencos e ainda assim mantém o nível de excelência, referendado por títulos, algo que lhe aproxima do técnico brasileiro Renato Gaúcho, possível adversário na final.

Assim, já é considerado o maior treinador da história do River Plate e será uma questão de vontade e de tempo para estar dirigindo algum clube na Europa. Com efeito, seu nome já é ventilado como possível substituto de Ernesto Valverde no Barcelona. Diante disto, quem rasgou elogios ao trabalho do argentino foi ninguém menos que Pep Guardiola, técnico do Manchester City:

O que o Gallardo tem feito no River é incrível a nível de resultados. Dá consistência em um ano, e outro ano, e outro ano. Se vão os jogadores, mas ele segue lá. Há coisas que não explico muito: somos nomeados três treinadores para o melhor do ano e ele nunca está. Precisamos ver o futebol sul-americano. Parece que existe apenas a Europa no mundo, e eu não entendo como Gallardo não é indicado entre os melhores treinadores do mundo. Não apenas por um ano, mas sim por tanto tempo” – afirmou Guardiola.

GESTO IMORTALIZADO

Dessa forma, tamanha façanha será imortalizada com uma estátua à frente do Monumental de Núñez que já está em processo de produção. O gesto eternizado será El Muñeco com a taça da Libertadores da América 2018 conquistada em cima do Boca Juniors. Segundo o próprio, foi a partida de sua vida.

Foto Destaque: Reprodução / Sergio Pérez-Reuters / Folha UOL

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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