Clubes do interior estão preocupados com o retorno do Campeonato Pernambucano

- Além das dificuldades financeiras do período, há desconfiança com as medidas de segurança no combate à pandemia da Covid-19
Pernambucano

Após o anúncio da reabertura gradual das atividades econômicas em Pernambuco, incluindo o futebol, a Federação Pernambucana definiu para o último domingo de junho (28), o retorno dos jogos. No entanto, apesar da aparente tranquilidade, para os clubes do interior do estado a realidade é dura. Em reunião por videoconferência nesta terça-feira (2), os mandatários das equipes demonstraram desconfiança com o regresso do Campeonato Pernambucano. Para alguns, poderá haver um show de W.O.s.

Isso porque, Pernambuco é um retrato fiel das desigualdades socioeconômicas que permeiam o futebol nacional. Enquanto o Trio de Ferro, Náutico, Sport e Santa Cruz, possuem calendário cheio durante o ano, clubes como o Petrolina, Vitória-PE e Decisão tem apenas o Campeonato Pernambucano. Assim, encerram suas atividades na temporada com o fim da competição. Dessa forma, o retorno dos jogos marca dúvidas quanto as medidas de segurança a serem adotadas e a remontagem dos elencos. Pois, equipes como estas já dispensaram boa parte de seus jogadores.

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Diante disto, em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, o presidente do Petrolina, Jefferson Câmara, revelou as dificuldades que vem passando. Assim, o mandatário afirmou que caso não haja uma ajuda financeira por parte das autoridades estaduais e da Federação, é possível que clubes como o seu não consigam ter condições de retornar aos gramados:

O Petrolina não manteve nenhum jogador e está hoje sem elenco. Assim como nós, creio que o Decisão e o Vitória, que também estão sem série nacional, também não tenham mais atletas. No máximo um ou dois. Vamos ter que montar todo um elenco para jogar a competição.” – lamentou Câmara.

Além disso, o presidente do Petrolina seguiu escancarando os problemas enfrentados em termos financeiros com o clube em crise econômica:

A dificuldade maior é financeira. De onde viria o dinheiro para montar um elenco? Se não vier ajuda, provavelmente teremos (partidas com W.O.). O Petrolina já está com uma dívida de R$ 120 mil que pegamos de empréstimo para poder liberar os jogadores. Fora despesas que teremos de alimentação e viagens. Sozinho, o Petrolina não tem condições de voltar ao campeonato. Vamos precisar de ajuda da prefeitura ou da Federação, porque empresa privada pode esquecer com essa crise.” – finalizou.

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AUSÊNCIA DE PROTOCOLO

Se já não bastasse as dificuldades financeiras inerentes aos clubes do interior, outro problema é quanto aos protocolos de saúde que deverão ser implementados. Assim, em entrevista ao mesmo jornal, o presidente do Salgueiro, José Guilherme, revelou que nenhum clube do interior recebeu o protocolo elaborado pela Federação Pernambucana de Futebol:

Ainda não recebemos esse protocolo e não sabemos como teremos que proceder. Estamos ainda aguardando o contato da Federação. Os testes mesmo, nenhum clube tem condições de arcar.” – pontuou.

Ainda, José Guilherme condenou o pouco tempo de preparação estabelecido para o retorno do Campeonato Pernambucano: 13 dias. Dessa forma, comparou com o tempo de pré-temporada:

Estamos 90 dias sem jogar e como vamos ter apenas 13 dias de preparação para voltar o campeonato? Falta bom senso. Quando os jogadores voltam de férias é preciso 30 dias de pré-temporada, por exemplo. Além disso, existem outros problemas. Os treinos devem voltar com grupos de 10 jogadores. Como vamos voltar a jogar sem poder fazer coletivo? Porque podemos voltar a jogar uma partida oficial e não treinar 11 contra 11 na véspera?” – questionou José Guilherme.

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COMO ESTAVA O CAMPEONATO PERNAMBUCANO ANTES DA PANDEMIA?

Dessa forma, antes da paralisação, faltava apenas uma rodada para o encerramento da primeira fase do Campeonato Pernambucano. Assim, o Santa Cruz lidera com folga, seguido do Salgueiro. Ambos os clubes já estão classificados, de forma direta, para as semifinais. Logo, cinco equipes, entre elas, Náutico e Sport, ainda brigam por quatro vagas nas quartas de finais. Quanto a Petrolina, Vitória-PE e Decisão, os clubes já não possuem chances de classificação e irão disputar o quadrangular do rebaixamento.

A princípio marcada para o último domingo de junho (28), a última rodada da primeira fase aponta o Clássico das Multidões entre Sport e Santa Cruz na Ilha do Retiro. Enquanto que o Náutico vai ao sertão enfrentar o Salgueiro. Já  o Afogados recebe o Vitória-PE, Decisão joga contra o Central e o Retrô duela diante do Petrolina.

Foto destaque: Reprodução / Carlos Humberto – Agência CH

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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