Ciência comprova que o futebol europeu está cada vez mais rápido e explosivo

Fernando Torres

Foto por Christopher Johnson/CC BY-SA 2.0

Qualquer fã mais atento de futebol deve ter notado que os jogos dos campeonatos europeus mudaram bastante ao longo dos últimos anos. Além disso, é fácil notar que atualmente o ritmo e a intensidade dos atletas têm uma tendência de variar muito durante a partida.

É comum que ocorram intervalos de 10 a 15 minutos muito disputados e repletos de ação seguidos de períodos em que pode até mesmo parecer que os esportistas ainda estão no intervalo.

Essa percepção atual forma um contraste muito nítido com as partidas na década de 1980, onde a intensidade permaneceria mais ou menos constante durante todo o jogo. E um estudo científico recente da Universidade das Ilhas Faroe reportado na ScienceNordic confirmou de maneira incontestável essa impressão.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas coletaram 1.105 observações em 62 jogos com 24 times diferentes da Premier League. A pesquisa mostrou que a quantidade de corridas no disputado Campeonato Inglês realmente aumentou por volta de 50% nos últimos dez anos.

Também é fácil encontrar exemplos que corroboram a hipótese dos pesquisadores fora da liga inglesa. Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são dois dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos e algumas das estrelas esportivas mais bem pagas do mundo. Quando se olha os dados de suas jogadas é fácil ver por quê. Esses atletas são dois dos melhores representantes desse estilo explosivo e tanto Ronaldo quanto Messi costumam dar tiros muito rápidos e precisos de corridas de uma forma que os defensores simplesmente não conseguem acompanhá-los e são deixados para trás.

Chelsea X City
Foto por CFCUnofficial (Chelsea Debs)/CC BY-SA 2.0

Entretanto, não existem apenas aspectos positivos e esse novo estilo de jogo também conta com algumas desvantagens que precisam ser superadas.

A principal questão é o fato de que esses tiros de alta intensidade têm um preço. A pesquisa científica revelou que depois de apenas alguns minutos de corrida forte, os jogadores ficam com dificuldade em acompanhar o jogo por um período mínimo de cinco minutos.

“O ritmo geral do futebol aumentou dramaticamente e parece que a intensidade quase constante do jogo, que era característica do esporte há alguns anos, foi substituída por muitos períodos de alta intensidade seguidos por períodos de descanso” afirmou Magni Mohr, um dos autores da pesquisa.

Mohr estudou e analisou o comportamento dos jogadores em uma amostra de partidas da Premier League entre 2010 e 2012. O estudo demonstra de uma forma muito clara que um estado permanente de cansaço se estabelece até mesmo entre os melhores atletas nos últimos 20 a 25 minutos do jogo.

De acordo com o professor Peter Krustrup, da Universidade of Southern Denmark, isso sugere que há muito a ganhar das substituições dos jogadores durante a segunda metade da partida.

“O futebol moderno está passando por uma tendência de muitos gols sendo marcados nos últimos quinze minutos do jogo”, disse Krustrup, apontando para o recente torneio UEFA Euro 2016, onde 26 por cento de todos os gols foram feitos após 75 minutos de disputa.

Jesper Løvind Andersen, chefe do Instituto de Medicina Esportiva de Copenhague no Hospital Bispebjerg, chama a nova pesquisa de impressionante e em consonância com estudos anteriores sobre o assunto.

“É uma fonte de dados incrível e provavelmente se tornará o estudo para quando se trata deste tópico”, diz Andersen. “Eu uso esse tipo de pesquisa quando ensino treinadores de futebol e tento explicar que certos estilos de jogo vêm com certas despesas.”

Se o time está focado em um estilo de jogo agressivo, com muita corrida de alta intensidade para pressionar o adversário, então é necessário adaptar as sessões de treinamento para combater as compensações atribuídas com tal estilo de jogo.

Antigamente, era comum focar o treinamento dos atletas para que eles pudessem correr mais de dez quilômetros por partida, mas hoje em diz esse não deve ser o fator mais relevante. “É muito mais importante observar como os jogadores se apresentaram durante os períodos de alta intensidade que definiram o jogo” completa Mohr.

Uma mentalidade que vai de acordo com o desempenho dos melhores atletas do mundo, como os já mencionados Ronaldo e Messi, Zlatan Ibrahimovic e outros grandes finalizadores.

O futebol evoluiu e mudou muito nos últimos anos e a tendência é que a medida que novas teorias táticas aparecem elas sejam aprimoradas e depois superadas. É provável que no futuro os intervalos sejam menores e cada vez mais intensos, mas independentemente do que acontecer, o grande vencedor será o fã do esporte, que terá partidas cada vez mais disputadas.

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