CBF discute a volta do futebol no Brasil

- A maior entidade do futebol no Brasil, a CBF, procura novos protocolos para que a bola possa voltar a rolar em breve
CBF discute a volta do futebol no Brasil

Assim como em muitos outros países no Mundo, o futebol brasileiro ainda está paralisado devido a pandemia causada pela Covid-19, doença que assolou o globo em 2020. A coluna Rasgando o Verbo de hoje levanta a pauta sobre os critérios para a volta do esporte no Brasil, e o posicionamento da CBF.

Ainda não se sabe tudo sobre a doença, no entanto, as informações que os cientistas passam é que é altamente contagiosa. Esse é um dos principais empecilhos para a prática do futebol no país, por ser um esporte que exige muito contato físico.

Atualmente, o Brasil tem mais de 460 mil pessoas infectadas com o vírus e mais de 28 mil mortes contabilizadas.

2020: o ano que o futebol parou

Em um primeiro momento, os clubes estão buscando estancar a sangria em seus departamentos econômicos. Além disso, pensar numa possível volta é primordial para a sobrevivência de muitas equipes no cenário nacional.  Os times femininos e os amadores são os que mais sofrem com essa pausa.

O Ministério da Saúde entende o futebol no Brasil como uma atividade relevante no contexto brasileiro. Isso significa que a paralização do esporte impactou de forma extensa diversas áreas voltadas ao meio esportivo no Brasil. O Ministério acredita, ainda, que a volta do esporte possa auxiliar na diminuição do deslocamento social.

Por isso, o órgão, juntamente com a Confederação Brasileira de Futebol (a CBF) estão em busca de um novo protocolo para que a atividade possa voltar a acontecer, da forma mais normal possível.

No entanto, a CBF apresentou um documento denominado “Guia para retomada progressiva”, elaborado com o auxílio de médicos dos clubes. Nessa minuta, a entidade propõe critérios e protocolos para garantir a segurança de atletas e staff durante as novas ações para que o futebol possa se reapresentar.

Apesar de se mostrar favorável ao retorno gradual, o Ministério da Saúde aponta questões importantes quanto ao procedimento indicado no documento, divulgado pelo Globo Esporte. O órgão divulgou:

“Cabe ressaltar que no momento, a disponibilização de testes rápidos no sistema de saúde encontra-se saturada diante das necessidades da população brasileira… Diante da afirmação acima, na proposta apresentada, não fica evidenciado onde serão realizados os testes, periodicidade e critérios de retestagem, e como serão assistidos caso o diagnóstico dos atletas seja positivo.”

https://twitter.com/cbf_futebol/status/1263615886465925124?s=21

CBF pressionada

Recentemente Flamengo e Vasco reacenderam a discussão sobre a volta do futebol no Brasil. Os dirigentes dos clubes se reuniram com Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, para conversar sobre o assunto. O presidente se mostra favorável ao retorno das atividades.

Entretanto, no Rio de Janeiro, a situação não está melhorando. Os dados atuais (atualizados em 30/05) indicam que o estado já tem mais de 44 mil casos confirmados, e destes, 4.865 foram fatais.

Mesmo assim, o governador Wilson Witzel (PSC) já inclui a volta do futebol como uma das bases de flexibilização. Witzel prevê que o Rio de Janeiro pode lidar com a volta do esporte ainda na primeira fase, e contando com pelo menos 50% do publico dentro dos estádios. O presidente do Flamengo, Rodolfo Landin, afirmou:

“Por que não voltar o futebol? Só porque a curva da pandemia está ascendente? Mas está ascendente porque outras atividades não estão usando o nosso protocolo. Qual protocolo lojas de construção? O futebol ta dando exemplo”.

Alguns países já estão voltando, ou estão programando uma volta. No entanto, é preciso lembrar que esses países estão cumprindo os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já estão em uma escala de regressão do vírus.

Calendário x contratos

Outra questão importante a ser discutida é o calendário. Já era fato que no Brasil, as datas sempre foram algo muito discutível. Recentemente, em entrevista ao Futebol na Veia, o Diretor Executivo de Futebol do Santo André, Edgard Montemor, falou sobre a questão dos calendários.

Para ele, a maioria das equipes estão insatisfeitas com o esquema atual, já que, os clubes maiores jogam muito, e os outros clubes têm agenda somente para o primeiro semestre do ano, como é o caso do próprio Santo André.

Essa questão envolve, além das equipes, televisão e as cotas a serem pagas e muitas questões contratuais, onde equipes que têm um calendário mais curto, fizeram contratos até o meio do ano, e agora perderam grande parte de seus jogadores.

Caso a CBF e as outras Federações decidam pela volta do esporte, ou insistam em terminar os campeonatos dentro de campo, pode haver times que sejam prejudicados.  Uma possível mudança no esquema de datas poderia ser uma solução para a questão.

No entanto, Rogério Caboclo, presidente da entidade afirmou que uma mudança na formulação das competições, como por exemplo, fazer com que o Campeonato Brasileiro volte a ser mata-mata, substituindo o atual esquema de pontos corridos, é uma solução de último caso.

O dirigente falou, ainda, que os estaduais deverão ser encerrados em campo. É importante ressaltar que, a decisão pela mudança ou não, é dos clubes.

Opinião: A CBF não pode ceder à pressão dos grandes

É mais do que óbvio que a paralização, e a chagada do Coronavírus ao Brasil, colocou absolutamente tudo de cabeça para baixo. A rotina de todos, como era conhecida, desapareceu, dando lugar a um momento de distanciamento social – coisa muito difícil para a cultura brasileira – isolamento e quarentena.

No futebol não seria diferente, já que ele também faz parte da sociedade. A própria OMS reconheceu a relevância do esporte dentro do cenário social no Brasil. Entretanto, é preciso ter cautela. Não será a base de força e pressão que a volta será certa.

Não adianta os times grandes, como o Flamengo, pressionarem as entidades e os governantes para apressar esse processo. Eles têm à sua disposição centro de treinamento de ponta e outros apetrechos que os clubes menores não dispõem.

Os clubes precisam, sim, de uma forma de viabilizar seu funcionamento e sua existência nesse momento. Muitos tiveram que mandar funcionários embora e não conseguem cumprir seus compromissos contratuais. O futebol feminino sofre, pois ainda não se tornou algo sustentável aqui no país.

A CBF não estava pronta para gerir uma crise dessa amplitude. Não está apta para ajudar os clubes que estão precisando de ajuda. Os outros querem a volta mesmo que sujem suas mãos de sangue, pensando em um protocolo que só deve funcionar para a parte rica do futebol.

Ainda não está na hora. Sem que haja uma segurança sanitária, não adianta pressionar a volta, os clubes devem cobrar da CBF um posicionamento para que ela possa ajudar a preservar seus funcionários e empregos.

Foto:  Lucas Merçon/FFC

Valéria Contado

Sobre Valéria Contado

Valéria Contado já escreveu 162 posts nesse site..

Eu sou a Val Contado, finalmente jornalista (uhul!), apaixonada por futebol há 24 anos, desde quando meu pai colocou em mim o uniforme do nosso time do coração. Adepta da arte da resenha, falar e respirar futebol é o que eu mais gosto de fazer.

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Valéria Contado
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