Caso Allemandi: o Scudetto de Ninguém

Escândalo na histórica temporada 1926/1927 do Campeonato Italiano resultou em um título sem dono

Em 1927, o Torino, do Trio Maravilha Julio Libonatti, Adolfo Baloncieri e Gino Rossetti, foi protagonista de uma revolucionária e polêmica edição do Calcio. Isso porque, em novembro daquele mesmo ano, após a equipe de Turim ter conquistado o campeonato, a Federação Italiana, liderada pelo fascista Leandro Arpinati, revogou a conquista do título. O episódio ficou conhecido como Caso Allemandi, um dos primeiros escândalos do futebol italiano, e resultou no famoso “Scudetto de Ninguém“.

O Scudetto sem dono

A liga unificada

A intervenção do regime fascista no futebol italiano resultou na criação de um novo modelo de campeonato. Anteriormente, o torneio nacional possuía 42 equipes divididas em duas ligas, a Norte e a Sul. Os vencedores de cada lado se enfrentavam em uma final de dois jogos e decidiam o campeão. Contudo, a temporada 1926/1927 foi totalmente revolucionária para os moldes italianos e unificou toda a Terra da Bota.

Graças a um documento, a Carta de Viareggio, a nova edição do Calcio reuniu 20 clubes das regiões norte e sul, divididos em dois grupos de 10, em um único torneio. A ideia, baseada no nacionalismo fascista, era acabar com a dicotomia que tomava conta do esporte mais popular do mundo no país e estender o campeonato a nível nacional. Ainda mais, o sistema de finais e mata-mata também foi modificado. Agora, as seis melhores equipes, três de cada grupo, se juntariam em uma nova chave e decidiriam o título no formato pontos corridos.

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Leandro Arpinati, presidente da Federação Italiana nos anos 20 Foto: Storie di Calcio

Desenvolvimento da nova era

O molde atualizado do Campeonato Italiano fez com que as equipes metropolitanas se sobrepusessem sob as provincianas. Isso se deve pelo fato do aumento do profissionalismo proporcionado por grandes capitais financeiros aos times de mais renome. Assim, todos os seis finalistas eram de fato expressões das quatro maiores cidades do norte: a atual campeã nacional, Juventus, os dois milaneses em crescimento, Inter e Milan, além de Genoa, Bologna e Torino.

Título, Caso Allemandi e indefinição

Ao final de todos os confrontos do hexagonal final, quem se sagrou campeão foi o Torino, a única equipe entre as seis que nunca havia tido a glória nacional. Comandado tecnicamente pelo Trio delle Meraviglie, composto por Julio Libonatti, Adolfo Baloncieri e ligure Gino Rossetti, o time de Turim terminou o chaveamento com 14 pontos, dois a mais que o vice-colocado Bologna. Porém, em novembro de 1927, quatro meses após o fim do Calcio, o título foi revogado pelas autoridadaes.

Segundo a Federação Italiana, antes de um derby entre Torino e Juventus, um dos líderes do time grená, Dr. Guido Nani, teria subornado o lateral-direito da Velha Senhora, Luigi Allemandi. Dessa forma, com a intenção de ter o atleta em seu lado e contar com sua ajuda para vencer o duelo, Nani oferecera 25.000 liras ao rival. Todavia, no dia do encontro, em 5 de julho, Allemandi não demonstrava sinais de entrega e, mesmo com o resultado favorável aos Granatas, o dirigente teria se recusado a pagar as 10.000 liras restantes do combinado ao jogador.

Elenco do Torino “campeão de 1927” Foto: The Gentleman Ultra

Posteriormente, Francesco Gaudioso, o dito intermédio entre ambas as partes, teria vazado o acordo a um jornalista, que divulgou o escândalo. Sendo assim, Leandro Arpinati, presidente da Federação, após série de investigações, retirou a conquista do Torino e baniu Allemandi dos gramados para sempre, mesmo o lateral nunca tendo admitido ter recebido dinheiro de Guido Nani. Mas no ano seguinte, 1928, o defensor recebeu uma carta de anistia do governo, cancelando sua pena e permitindo seu retorno ao futebol.

Então quer dizer que o título foi repassado ao vice-campeão, certo? Errado! O troféu não foi concedido ao 2º colocado, Bologna, mesmo com o regulamento prevendo tal ação caso algo acontecesse ao vencedor. Logo, até o presente momento, tanto Torino, quanto Bologna já entraram com diversas ações na justiça pedindo o direito a conquista, cada um apresentando suas versões sobre as diversas controvérsias no processo. Porém, o caso nunca foi, de fato, reaberto, como foi prometido pela FIGC (Federazione Italiana Giuoco Calcio) e o Scudetto de 1927 segue sendo o único sem um vencedor. 

Luigi Allemandi, pilar do escândalo do Scudetto sem dono Foto: Storie di Calcio

Foto destaque: Reprodução/Storie di Calcio

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Sobre Leonardo Abrahão

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Meu nome é Leonardo, tenho 19 anos, paulista e estudante de jornalismo. Futebol no sangue desde pequeno e para sempre. Sonho em trabalhar com esse esporte por toda a vida e acompanhar de perto as grandes competições.

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