Cancela 2019: tragédias no futebol marcam início de ano

Em apenas 44 dias, várias mortes já ocorreram em pouco espaço de tempo

Na madrugada de sexta-feira passada (8), o centro de treinamento do Flamengo, mais conhecido como Ninho do Urubu pegou fogo e resultou na morte de 10 jogadores da base e três jovens feridos, deixando um deles em estado grave. O início do incêndio começou depois que um ar-condicionado deu curto-circuito e pegou fogo, fazendo com que, em seguida, um a um explodisse. Os atletas estavam em contêineres que eram usados como alojamento para as categorias de base do Rubro-Negro. Na semana seguinte eles mudariam para uma nova instalação, o módulo inaugurado em 2016, o qual era destinado ao elenco principal.

Cinco dias se passaram e poucas conclusões foram feitas. Em apenas três dias depois do ocorrido, outro alojamento pegou fogo no futebol carioca, dessa vez no Bangu. Isso nos faz refletir que em nenhum lugar estamos seguros. Nem mesmo onde eram para ter as melhores condições, como os grandes clubes. Se uma notícia como essa abalou a todo um país e continente afora, imagina a família desses jovens atletas que estavam batalhando e buscando o sonho de se tornarem jogadores de futebol profissional.

Querer encontrar culpados não trás de volta a vida desses adolescentes, mas é preciso que assumam as responsabilidades e busquem concertar os erros. Perguntas surgem a todo o momento, mas respostas que são boas, nada. Como dá para fazer compras milionárias em jogadores? Construção de novo alojamento, academia e muitas outras mordomias para o elenco profissional enquanto os jogadores da base dormiam em contêineres, com coisas antigas e até gambiarras? Perguntas e mais perguntas.

Agora não adianta ficar jogando a responsabilidade de um lado para o  outro, todos tiveram uma parcela de culpa ao negligenciarem os seus papeis. Seja o Flamengo ao não dar um suporte melhor aos seus atletas e continuar com o alojamento na área em que não era pra existir, ou a Prefeitura do Rio por não ter interditado o CT quando já havia multado o clube 31 vezes e, mesmo assim, continuava funcionando. Essa tragédia serviu de aviso para outras instituições ficarem atentas e terem tudo correto, porque uma fatalidade como essa pode acontecer quando menos se espera.

A dor de perder um ente querido é inimaginável, ainda mais quando se trata de jovens entre 14 a 16 anos, que tinham um futuro promissor pela frente, fazendo o que mais amava. O que era diversão e trabalho ao mesmo tempo: jogar futebol. O mundo pode ser terrível às vezes, o que era pra ser mais uma noite de sono tranquila, talvez com sonhos de seus futuros, estando na equipe profissional do time, podendo finalmente dar uma condição melhor para sua família e ver risos e alegria, se transformou em chamas pesadas destruindo todo um trabalho, uma saudade, um amanhã.

Público homenageia clube no Ninho do Urubu (Reprodução/ThiagoRibeiro/Agif/Estadão)

MAIS TRAGÉDIAS

Outra tragédia que ocorreu nesse ano no futebol foi o desaparecimento do avião que levava Emiliano Sala de Nantes, França, para Cardiff, no País de Gales, no dia 21 de janeiro. O atacante argentino vinha fazendo uma ótima temporada no Nantes, o que acabou levando Cardiff a realizar a compra mais cara da história do clube galês. Tudo estava indo bem até o avião desaparecer dos radares quando atravessava o Canal da Mancha.

Logo, as notícias começaram a surgir e os questionamentos de o que teria causado a queda da aeronave e se Sala e o piloto estariam vivos. Mas foi somente no dia 3 de fevereiro, depois que a família do jogador pediu que retomassem as buscas que foram encontrados pedaços do avião. Em meio a eles era possível ver um corpo, que logo foi levado para análise e sendo confirmado na quinta-feira (7) que o corpo era de Emiliano Sala.

E nesta terça-feira (12), o ex-goleiro da seleção inglesa, Gordon Banks, morreu aos 81 anos, depois de uma batalha contra um câncer nos rins. Em 1966, foi campeão mundial em casa, levando apenas três gols na campanha. Mais foi no Mundial de 1970 que Banks entrou para os maiores da história ao defender a cabeçada de Pelé, que ficou conhecida como a “Defesa do Século”.

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/1095260526605684737?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1095260526605684737&ref_url=https%3A%2F%2Fgloboesporte.globo.com%2Ffutebol%2Ffutebol-internacional%2Ffutebol-ingles%2Fnoticia%2Fcampeao-mundial-em-1966-e-autor-de-defesa-do-seculo-contra-pele-gordon-banks-morre-aos-81-anos.ghtml

Em um início de ano com muitas mortes no cenário esportivo, tivemos também a perda de um dos maiores jornalistas do país. Trata-se de Ricardo Boechat, que morreu nesta segunda-feira (11) em uma queda de helicóptero que atingiu um caminhão na Rodovia Anhanguara, em São Paulo. Mesmo não sendo do jornalismo esportivo, Boechat foi considerado o melhor da mesa redonda durante a apresentação de um programa esportivo da Band. Ricardo Eugênio Boechat fará uma enorme falta no jornalismo, mas conseguiu deixar no seu legado os seus ensinamentos e o amor pela profissão.

“O primeiro instrumento que você precisa ter é interesse pelas coisas, curiosidade. Leia, acompanhe os acontecimentos, informe-se, tenha prazer em fazer isso.” – Ricardo Boechat.

Juliana Gandard

Sobre Juliana Gandard

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Juliana Gandard é estudante de jornalismo e escritora. Descobriu no futebol uma nova paixão. Ama um desafio e quer conhecer o mundo. Através das palavras tenta ajudar as pessoas e mostrar que mesmo quando as coisas não estão fáceis, sempre há esperança.

Juliana Gandard
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Juliana Gandard é estudante de jornalismo e escritora. Descobriu no futebol uma nova paixão. Ama um desafio e quer conhecer o mundo. Através das palavras tenta ajudar as pessoas e mostrar que mesmo quando as coisas não estão fáceis, sempre há esperança.

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