Best: polêmico ídolo do United faria 74 anos

- Jogador conhecido por sua grande habilidade e vida de estrela, faleceu em 2005
Best

Hoje a coluna Parabéns ao Craque homenageia George Best, que caso estivesse vivo, completaria 74 anos de idade. O norte-irlandês teve grande destaque na década de 1960 ao chegar no Manchester United, onde, sem sombra de dúvidas, é um dos maiores jogadores da história. Ele é o pioneiro da mística da camisa 7 do clube de Old Trafford. Entretanto, não soube administrar a vida de astro que passou a ter, e conviveu, durante toda a carreira, com problemas com o álcool, o que causou a sua morte em 2005. Além disso, Best é conhecido até os dias de hoje por suas icônicas frases, que serão relembradas ao longo desse texto.

“Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres bonitas e carros velozes. O resto eu desperdicei”

Nascido em Besfalt, capital da Irlanda do Norte, em 1946, George foi “capturado” por Bob Bishop, olheiro do Manchester United no país do Reino Unido, aos 15 anos. Bishop avisou à comissão técnica ao vê-lo jogar: “Eu acho que encontrei um gênio”. Best estreou pelo profissional do clube na temporada de 1963/64, aos 17 anos. Assim, começou a encantar os amantes de futebol com inteligência e dribles diferenciados, chegando a ser comparado com Garrincha, que em 1962 tinha sido o maior nome do futebol mundial. O camisa 7 era atacante, jogava na ponta direita e tinha uma habilidade realmente impressionante.

“Odeio táticas, elas me aborrecem. O que me importa são meus dribles, chego a sonhar com eles”

Em seu segundo ano no principal time do United, conquistou seu primeiro título. O time sagrou-se campeão do Campeonato Inglês pela 6ª vez em sua história. Best foi titular, com apenas 18 anos, do grande time que tinha o maior jogador escocês de todos os tempos, Denis Law, além de Nobby Styles, Brian Kidd e o maior ídolo da história dos Diabos Vermelhos, Sir Bobby Charlton, sob o comando do lendário Matt Busby. O jogador já começava a ficar conhecido também por gostar das noitadas, mas seu desempenho em campo era tão encantador que isso era deixado de lado.

George Best | Homens que você deveria conhecer #21 – PapodeHomem

Reprodução/Getty Images

“Eu sou o cara que levou o futebol das páginas internas para a capa de jornais”

Na temporada seguinte, a equipe conquistou a Supercopa da Inglaterra e, posteriormente, priorizou o torneio europeu. Desse modo, nas quartas de final da Liga dos Campeões de 1965/66, o Manchester enfrentou o Benfica de Eusébio, que havia sido bicampeão europeu no início da década (1961 e 1962) e tinha como base ainda aquele time. Na jogo de ida no Old Trafford, vitória apertada de 3 x 2 para os ingleses.

Na volta, no Estádio da Luz, Busby optou por uma estratégia cautelosa, de estudo do adversário nos primeiros 15 minutos de partida. Best desobedeceu, e com 12 minutos o placar já estava 2 x 0 a favor com dois gols dele. A partida terminaria com um resultado expressivo conquistado em Portugal: 5 x 1 para o United. Dessa forma, voltando a Inglaterra, George Best tinha de vez se tornado uma estrela, os jornais do país destacavam sua atuação apelidando-o de “O Quinto Beatle”. No entanto, eles foram eliminados na fase seguinte pelo Partizan Belgrado, da Iugoslávia.

“Dizem que eu tentei dormir com sete misses mundo. Não é verdade. Foram apenas quatro. As outras três vieram atrás de mim”

A alcunha foi ganhando força. O britânico tinha estilo de galã de cinema, estava sempre rodeado de belas mulheres e carros valiosos. Mas o que mais chamava atenção, até então, era seu desempenho dentro de campo, em que demonstrava uma habilidade acima da média. Além disso, era normal que faltasse treinos ou chegasse atrasado, o que acarretava em punições a ele. Em 1966/67, mais um título inglês para os Red Devils. Este seria o último título de Campeonato Inglês do clube durante 26 anos. O United voltaria a ser campeão apenas em 1993.

“Se eu tivesse nascido feio, vocês não ouviriam falar de Pelé. Dou-me muito bem com as garotas, gosto de divertir-me, de tirar prazer do dinheiro que ganho e por isso não me dedico inteiramente ao futebol”

A temporada seguinte seria o auge da carreira de Best. A equipe venceu, no início do período, mais uma Supercopa da Inglaterra, e voltou a disputar a Liga dos Campeões. Dessa forma, a orelhuda iria, finalmente, para a sala de troféus do Teatro dos Sonhos. Nas semifinais, enfrentaram o Real Madrid, que já era hexacampeão do maior torneio da Europa. Na ida no Old Trafford, 1 x 0 para o United, gol de Best. No volta no Santiago Bernabéu, empate por 3 x 3, e, assim, iriam enfrentar na final novamente o Benfica, engasgados com o atropelo em sua casa dois anos atrás.

Contudo, Eusébio e companhia realmente não tinham sorte contra os Vermelhos de Manchester. A partida, no Wembley Stadium, terminou em 1 x 1 no tempo normal, mas George Best abriu a porteira na prorrogação, fez 2 x 1, e a decisão terminou em 4 x 1 para os ingleses. O norte-irlandês entrou de vez para a história do clube ao marcar gols decisivos para o primeiro título europeu da história de um clube da Inglaterra.

“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”

O ano de 1968 é memorável tanto para o Manchester United como para Best, que foi o artilheiro do Inglês daquele ano com 28 gols, com o time sendo vice-campeão por dois pontos para o rival Manchester City. Ele ganhou, com 22 anos, o Ballon D’or, da France Football, dado ao melhor jogador do continente europeu na temporada, o prêmio individual mais valioso da época. O troféu da Champions significava a consagração para “The United Trinity”, a Santíssima Trindade do United, formada por Best, Law e Charlton. Além disso, nada mais justo esse título também ser conquistado por Matt Busby, treinador que, assim como Bobby Charlton, foi um dos sobreviventes do desastre aéreo do clube em 1958, que teve 23 mortos.

Entretanto, Best pareceu ter vislumbrado de vez. Após chegar no ápice da carreira tão novo, foi constantemente notícias dos tabloides ingleses, que falavam sobre suas festas, namoradas e, principalmente, bebidas. Ele também passou a se meter em brigas, dentro e fora do clube, e seu rendimento nos gramados caiu consideravelmente. A verdade é que, não só sua trajetória no futebol, mas também sua vida, começaram a entrar em queda livre após sua temporada mais impactante.

Ficheiro:Manchester The United trinity.jpg

Reprodução/Pinterest

“Infelizmente não há antídoto contra o alcoolismo. A bebida foi o único adversário que não consegui superar”

O Manchester United também não esteve bem nos anos seguintes. As campanhas na liga eram fracas e também não conseguia um título de copa. Best enfrentava cada vez mais problemas e a gota d’água foi a aposentadoria de Busby em 1971, um dos poucos que passavam a mão na sua cabeça. A mídia o tratava como celebridade, um músico ou um diplomata, o que influenciou na decadência do jogador. Em 1972, decidiu se afastar do futebol, mas voltou em 1973, na desastrosa temporada do Manchester, que culimou no rebaixamento do Campeonato Inglês. O ponta-direita foi considerado um caso perdido.

“Se você me fizesse escolher entre passar por quatro jogadores e marcar um gol de trinta jardas contra o Liverpool ou ir para a cama com a Miss Universo, seria uma escolha difícil. Felizmente, eu fiz os dois”

Assim, George Best começou a rodar por clubes do mundo todo sem nenhuma perspectiva de retomada da carreira. O atacante passou por equipes da África do Sul, Irlanda, Estados Unidos e Austrália, até pendurar de vez as chuteiras em 1984, com 38 anos, no Tobermore, time de seu país de origem. Ele também chegou a atuar pelo Fulham (1977) e pelo Bournemouth (1983), clubes do país onde conquistado quase tudo. Ademais, O Quinto Beatle estava afundado em dívidas com bares, lojas comerciais e credores, e sofria de depressão.

Divulgação/Roberto Saponari

“Nasci com um grande dom que algumas vezes tem um lado destrutivo. Queria superar todo mundo em campo quando jogava e, da mesma maneira, queria superar todo mundo nas minhas saídas noturnas”

Best está no seleto grupo de grandes jogadores do futebol mundial que não disputaram uma Copa do Mundo. A Irlanda do Norte esteve perto de disputar o torneio de 1966 na Inglaterra, que sagrou-se campeã, mas perdeu a vaga no último jogo das eliminatórias. Também não conseguiram vaga para a Copa de 1970 no México, perto do auge técnico do jogador, e disse: “pela primeira vez em minha vida eu desejaria ser inglês por pelo menos um mês”, já que a seleção inglesa se classificou, e ele seria titular absoluto naquele time. Ao todo, entre 1964 e 1977, disputou 37 partidas pela sua seleção e fez 9 gols.

“Não morram como eu”

A frase acima foi dita por George Best no seu leito de morte após deixar a imprensa fotografá-lo, em 2005, em um hospital em Londres. Ele faleceria cinco dias depois, em 25 de novembro, com múltipla falência dos órgãos devido à cirrose. Todavia o ex-jogador conseguiria ainda receber uma última grande homenagem. Desse modo, Pelé mandou uma carta a ele, quando já estava internado, que no final estava assinada: “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”. Tal texto foi considerado por ele “o último brinde de minha vida”. Em uma outra oportunidade, Best já tinha revelado a boa relação dos dois, quando afirmou: “Pelé me disse que eu era o melhor jogador do mundo. Essa foi a maior homenagem que recebi”.

Foto: News of the World

Reprodução/News of the World

Maradona good. Pelé better. George Best.

O lema citado é pronunciado diversas por fãs do Manchester United e sobretudo por norte-irlandeses, que o consideram o maior jogador de futebol de sua história. Estátuas, aeroportos… não faltam reverências ao melhor do mundo em 1968. Com uma cabeça um pouco fora do lugar e um anti-profissionalismo total, o que fica de George Best são as memórias de lances de habilidade inigualáveis, os 179 gols em 470 jogos pelos Diabos Vermelhos, diversas homenagens e frases históricas.

Foto destaque: Reprodução/manchesterunitedlalala.com

Nestor Ahrends

Sobre Nestor Ahrends

Nestor Machado Fagundes Ahrends já escreveu 26 posts nesse site..

Estudante de jornalismo (ESPM-Rio). 19 anos. Nascido e criado em Petrópolis-RJ. Apaixonado por futebol e amante de esportes em geral.

0 0 vote
Article Rating
365 Scores

BetWarrior


Nestor Ahrends
Nestor Ahrends
Estudante de jornalismo (ESPM-Rio). 19 anos. Nascido e criado em Petrópolis-RJ. Apaixonado por futebol e amante de esportes em geral.

Artigos Relacionados

Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Topo
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x