Auge premeditado

Um garoto magricela surgiu na Vila Belmiro. Nada de anormal até então, pois é tradição do clube praiano revelar grandes atletas no mundo da bola. Neymar Júnior, o nome no verso da camisa. A demonstração de suas capacidades foi imediata: liso, rápido e abusado. Ainda assim, seguia-se a cartilha litorânea e todos o viam como promessa não merecedora de alarde. “Ele tem apenas 18 anos, está caindo nas graças do povo porque sabe fazer graça com os pés”.

E o tempo foi passando, os jogos foram acontecendo. Dentro dos gramados o pesadelo da zaga se personificava nas comemorações dançantes do moleque. “A qualidade técnica no Brasil decaiu, os zagueiros europeus jamais o deixariam praticar esses lances”. Uma partida lendária, Santos contra Flamengo. No lado rubro-negro, Ronaldinho Gaúcho em campo. Então veio o voo do santista, marcadores ao chão, goleiro inconsolável e um gol digno de prêmio Puskas. “Esse garoto é realmente bom, mas eu já disse que na Europa a história é outra”.

Depois de conquistar a América e experimentar o gosto amargo de uma derrota acachapante em pleno mundial de clubes, veio a transferência. O gramado catalão aguardava ansioso, uma promessa brasileira que estava prestes a vestir as cores do Barcelona. “Agora eu quero ver, a Europa não é campeonato paulista”. O começo da jornada além-mar aconteceu sem estardalhaço. Alguns gols, exibições apenas satisfatórias. Enfim, chega a Copa do Mundo no Brasil. A Seleção Brasileira escorada no talento raro de seu único craque. O Esquadrão de Ouro dependente, opaco e pouco convincente. Um peso injusto para carregar sozinho. Uma entrada violenta, suja e desleal. Um desfalque irreparável. Uma desclassificação pavorosa e torturante. Lágrimas antes e após a semifinal, gol da Alemanha. “Ele é bom, mas a Seleção não pode depender de um jogador”.

Forma-se o Tridente latino-americano. Uma ventania brasileira, uma lenda argentina e uma fera uruguaia. Imbatíveis. Entrosados. Letais. E assim, o rapaz “desacreditado” mostrou-se nivelado com o futebol de boleiros consagrados. Campeonato Espanhol. Copa do Rei. Liga dos Campeões da Europa. Gol no
último minuto, na última partida da competição continental. Novas lágrimas, agora dosando uma explosão de alegria. Tríplice coroa. Lá está o mesmo nome no verso da camisa 11: “Neymar Jr”.

“Com um time desses qualquer um pode jogar, quero ver conseguir chegar entre os melhores do mundo”… O gênio contundido. Lionel Messi afastado. Equipe ferozmente desfalcada. Para quem irá a artilharia agora? Um chapéu abusivo, uma finalização cirúrgica, um gol antológico. O Camp Nou rendido, narradores embriagados. O campeonato espanhol tem um novo artilheiro, depois de anos sob domínio de CR7 e La Pulga. A cereja do bolo se aproximava, o mesmo nome que lá atrás estampara o verso daquela camisa larga do Santos surge entre os três melhores jogadores sobre a face da terra.

Caso ainda reste alguma dúvida esse nome é Neymar… “Neymar Júnior”.

Douglas Molgado

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Douglas Molgado Affonso. 1989. FIAM-FAAM. Twitter: @douglasmolgado)

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