Futebol chinês aposta em ascendência para “driblar” limite de estrangeiros

Mercado futebolístico chinês, em geral, deve começar a apostar cada vez mais nessa estratégia para aumentar a qualidade de seu campeonato e diminuir os custos com estrangeiros badalados

Com as novas regras do futebol chinês o torneio passou a poder contar com um quarto estrangeiro no elenco, sendo que apenas três podem estar em campo simultaneamente. Este último pode ficar no banco e substituir outro gringo em campo. Visando “driblar”, de forma limpa, essa regra, alguns clubes chineses optaram por correr atrás de jogadores com ascendência chinesa ou que jogam em Hong Kong, Macau e Taiwan, que são territórios chineses, mas atuam de forma independente e, ainda assim, não contam como uma vaga de estrangeiro, mesmo tendo cada um seu campeonato nacional.

A ideia principal é contar com “estrangeiros locais” e que tenham a experiência de outra escola (Europeia ou Sul-Americana) para agregar valor ao elenco. Isso tudo para trazer sucesso ao futebol local e, consequentemente, à Seleção Chinesa. Com isso, o nível vem aumentando e o emprego de estrangeiros, sem ligação com a China, vem diminuindo. As apostas chinesas são de jogadores do segundo escalão europeu, alguns asiáticos, e pegar jogadores que podem se naturalizar. Vamos citar abaixo casos de jogadores que se naturalizaram, seja por ascendência ou muito tempo vivendo no país, sendo que alguns chegaram a Seleções Nacionais.

Jogadores chineses que não nasceram na China

Roberto Siucho, contratado pelo Guangzhou Evergrande e emprestado ao Shanghai Shenxin, nasceu em Lima, no Peru. O atacante começou na base do Universitario, uma das potências do futebol peruano, e chegou a atuar na Seleção Sub-17 e Sub-20 do Peru, onde disputou o Sul-Americano Sub-17 (2013), e dois Sul-Americanos: o Sub-20 (2015) e o Sub-20 (2017). O avô de Siucho era da cidade de Dachong, condado de Xiangshan, em Guangdong, na China. Seu nome de família, ou sobrenome, em chinês é Xiao. Ele está em processo de naturalização e por não ter defendido a Seleção Peruana principal, poderá escolher se quer a Seleção do Peru ou da China.

Outra prova disso é o Beijing Guoan, de Renato Augusto. Sua equipe optou por trazer estrangeiros sem forte apelo comercial ou financeiro, como o sino-norueguês Hou Yongyong, como é conhecido na China, mas que nasceu John Hou Sæter, em Trondheim, na Noruega. Hou tem mãe chinesa e em 23 de fevereiro de 2019 fez sua estreia na Supercopa da China de 2019 contra o Shanghai SIPG. Substituindo Chi Zhongguo aos 71 minutos, se tornou o primeiro jogador naturalizado a jogar em um clube chinês.

Além dele, os Pequineses trouxeram Li Ke, outro jogador estrangeiro de ascendência chinesa. Nascido Nicholas Harry Yennaris, mas conhecido no futebol como Nico Yennaris, o atleta é inglês, de Leytonstone. O volante de 25 anos começou nas categorias de base do gigante de Londres, Arsenal. Com poucas chances no clube, rodou por times pequenos da Inglaterra em busca de espaço, Brentford a sua melhor temporada, entre 2014 e 2018, chegando ao Guoan este ano. Ele tem pai cipriota e mãe chinesa, o que o faz agregar muito ao time de Pequim, sem um alto custo ou ocupar vaga de estrangeiro.

https://twitter.com/futebolnaveiabr/status/1032357030546366464

Timothy Alexander Chow, conhecido como Tim Chow, atua no Henan Jianye e nasceu em St Helens, na Inglaterra. O inglês começou nas base do Wigan, onde se profissionalizou. O jogador de 25 anos não ocupa vaga de estrangeiro porque seu avô era de Ningbo e se mudou para Taiwan após a Segunda Guerra Mundial, antes de se mudar novamente para o Reino Unido. Ficou provado que Chow tem nacionalidade taiwanesa depois de ir a Ningbo para procurar a certidão de nascimento de seu avô. Chow afirmou que estaria interessado em representar a Taipei Chinesa (Seleção que representa a República da China, popularmente conhecida como Taiwan, uma ilha chinesa, diferente da República Popular da China, que representa o país inteiro).

Andrew James Russell, conhecido apenas por Andy Russell, joga no Hebei China Fortune e nasceu em Southampton, na Inglaterra. O zagueiro mudou-se para Hong Kong, na época Hong Kong Britânica, com seus pais, quando tinha apenas um ano e meio de idade. Ele retornou à Inglaterra para cursar a faculdade na Universidade de Manchester. Se profissionalizou pelo Happy Valley, de Hong Kong, jogou em pequenos clubes na Inglaterra e retornou à Hong Kong em 2014. Passou pelo futebol da Malásia e em 2018 chegou à China, no Liaoning. Em 2019 se juntou ao Hebei e não ocupa vaga de estrangeiro, agregando valores da escola inglesa.

Alexander Oluwatayo Akande, conhecido como Alex Akande ou Alex Tayo Akande, joga pelo Dalian Yifang. O jogador é oriundo de Lagos, na Nigéria. O jogador começou nas categorias de base do Eastbourne Borough, da Inglaterra, onde jogou no Sub-19. Se profissionalizou pelo Walthamstow, da 9ª divisão inglesa. Em 2008 chegou ao Tai Chung, de Hong Kong. Mas depois de viver por mais de sete anos em Hong Kong, obteve sua cidadania honconguesa e tornou-se elegível para jogar pela seleção de Hong Kong em outubro de 2015. Foi imediatamente convocado e tem como destaque um poker, quatro gols, contra a Seleção de Taipe Chinesa, no dia 9 de novembro de 2016, num 4 x 2, e tem 10 tentos por sua seleção.

Tyias Charles Browning, conhecido como Tyias Browning, é um zagueiro inglês que joga pelo Guangzhou Evergrande. Nasceu em Merseyside, na cidade de Liverpool, e começou nas categorias do Everton. Jogou por empréstimo no Wigan, Preston e Sunderland, antes de se juntar ao time chinês. Pela Seleção Inglesa atuou no Sub-17, Sub-19 e Sub-20. O zagueiro têm um avô chinês, o que também o faz ter dupla nacionalidade.

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.


 

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