Apenas 6 dos 14 clubes brasileiros que irão às Copas Libertadores e Sul-Americana em 2019 têm times femininos montados

Exigência de pré-requisitos da Conmebol faz times correrem atrás de montar categorias femininas

Uma equipe feminina com pelo menos uma categoria juvenil; Suporte técnico, equipamento e infraestrutura para treinamento e jogos e participar de competições nacionais e/ou regionais são as exigências feitas pela Conmebol para que os clubes de Série A possam vir a disputar as principais competições do continente em 2019. Flamengo, Internacional, Grêmio, Santos, Corinthians e Chapecoense são os únicos, até então, a olharem para o futebol feminino.

Quais os times já estruturados?

As Sereias da Vila, como é conhecido o time feminino do Santos, são as maiores campeãs estaduais e bicampeãs da Libertadores, este ano o tri escapou nos pênaltis. Além de estarem garantidas na série A1 do Campeonato Brasileiro de 2019, estão se movimentando para manter as categorias de base sub-14 e sub-16.

“É um time que está tranquilo e estruturado. Vai estar um passo à frente de muitos que estão se formando hoje”, disse Emily Lima, técnica da equipe e ex-técnica da Seleção Brasileira.

Santos, campeão do Campeonato Paulista Feminino de 2018 em cima do Corinthians (Divulgação/Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

O Clube de Regatas do Flamengo continua sua parceria com a Marinha, que fica com a administração, já tendo sua vaga garantida para 2019. Com relação a obrigatoriedade de ter, ao menos, um time de base, além do clube ter consciência da nova regra, garante que irá fazer, embora esteja aguardando a posse do novo presidente e a decisão de qual categoria será escolhida.

O atual campeão gaúcho de futebol feminino, Grêmio, está com o livre acesso para o próximo ano na Série A2 do Brasileirão, a competição que disputou em 2018. Quanto à base, lançará as categorias sub-15 e sub-17. O seu rival, o Internacional, vice-campeão do estadual e também participante da Série A2 do Brasileiro, possui tanto escolinhas com meninas a partir de 6 anos de idade, como também seleções de base, sendo duas delas sub-14 e sub-16, além de trabalhar com sub-15 e sub-17.

A Chape continuará sua parceria com a ADELL (Associação Desportiva Lourdes Lago), que esteve a frente do clube este ano no Campeonato Catarinense e na Série B do Brasileiro. Na Liga de Desenvolvimento da Conmebol, o clube da Chapecoense está na disputa com times sub-14 e sub-16.

O Corinthians, Campeão Brasileiro Feminino de 2018, assegurou sua vaga na Série A1 do próximo ano e lugar na disputa da próxima competição da Copa Libertadores da América. Para 2019, terá um time sub-17.

Corinthians foi campeão brasileiro feminino de 2018 — Foto: Bruno Teixeira/Agência Corinthians

Corinthians, campeão da Série A1 do Brasileirão Feminino 2018 (Divulgação/Bruno Teixeira/Agência Corinthians)

E os demais times?

Já dentre os clubes classificados às competições e que ainda não têm seus times femininos montados, em Minas Gerais, temos o Cruzeiro e Atlético-MG. Ambos buscam parcerias, pois deixaram para última hora e procedendo dessa maneira, economizam tempo e dinheiro.

Veja as maiores goleadas do clássico Atlético e Cruzeiro

(Divulgação/MRV no Esporte)

A raposa, conseguindo seu acesso à Copa Libertadores por, mais uma vez, ser campeã da Copa do Brasil, ainda está a espera da definição do calendário feminino para 2019, mas tem um projeto em andamento. Algumas negociações com o Ipatinga e com universidades estão em progresso. Mesmo sendo um projeto parceiro, o diretor de futebol do Cruzeiro, Marcone Barbosa, afirmou que o clube assumirá toda a responsabilidade da modalidade e utilizará, no time, apenas o nome Cruzeiro.

O galo diz que, conforme Plínio Signorini, diretor de administração e de controle do Atlético-MG, o parceiro será oficializado nos próximos dias e que terá um contexto social por trás, objetivando trazer jogadoras em processo de formação onde eles pretendem fornecê-las bolsa-auxílio e seguro saúde. Para isso, o clube vai criar um departamento de autonomia própria para treinar uma equipe com 25 jogadoras de até 21 anos para que possam disputar o Campeonato Mineiro de 2019, que tem início em agosto.

No Paraná, o Athletico Paranaense, encaminhado à Copa Libertadores de 2019 por ter vencido a Copa Sul-Americana, firmou uma parceria com o Foz Cataratas, time feminino paranaense formado em 2010, mas que já carrega cinco títulos estaduais desde então, além de uma Copa do Brasil em 2011. Dessa forma, o clube já entraria direto na disputa da Série A1 do Brasileiro, pelo fato do Foz Cataratas já estar nessa divisão. A respeito da categoria de base, o diretor de futebol, Rui Costa, disse que o tema ainda se encontra em discussão.

Time profissional feminino do Foz Cataratas, parceiro do Athletico-PR para a próxima temporada (Divulgação/Assessoria de Imprensa do Foz Cataratas)

Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, informou que já está em seguimento a criação do time feminino, inclusive com o acerto com uma comissão técnica e que essa parceria se estende à categoria de base. Time masculino foi campeão do Brasileirão 2018 incontestavelmente e carimbou o passaporte para a Libertadores seguinte.

O São Paulo manterá uma parceria com o Centro Olímpico para a categoria de Base. Para o profissional, Raí, diretor executivo e ex-jogador do clube, tem a ideia de lançar uma equipe própria. Um departamento está sendo elaborado para organizar todo o planejamento da categoria.

O Bahia, único time do nordeste classificado à Copa Sul-Americana, fechou a parceria com o time feminino atual vice-campeão, Lusaca. Segundo a assessoria de imprensa tricolor, o Bahia-Lusaca disputará o próximo Campeonato Estadual, a Copa do Nordeste e os torneios sub-17 e sub-20. Djailton Conceição, presidente do Lusaca, disse que o Bahia fornecerá apoio logístico, material esportivo e a estrutura do Fazendão para as atletas e também as demais despesas. A expectativa do dirigente é que, com o incentivo, o clube, tenha mais projeção e siga na disputa por títulos.

O Vitória bateu o Lusaca por 2 a 0 no Barradão — Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / EC Vitória

Lusaca, vice-campeão do Campeonato Baiano de Futebol Feminino 2018 (Divulgação/Maurícia da Mata/EC Vitória)

Com relação aos clubes cariocas, o Botafogo limitou-se meramente a dizer que o clube está em tratativas para estruturar o futebol feminino por meio de parcerias e o Fluminense fechou uma parceria com as Daminhas da Bola. Essa iniciativa surgiu na cidade da Baixada Fluminense e conta com equipes que vão do sub-11 ao profissional. O novo parceiro tem a chancela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O time terá tanto o profissional quanto as categorias de base sub-15 e sub-17.

As Daminhas da Bola usarão uniforme tricolor ano que vem (Reprodução/Leo Burlá/Uol Esporte)

Para refletir

Este é o cenário entre os clubes brasileiros classificados para a Libertadores e Sul-Americana. Questões plausíveis a serem levantadas seriam: “Quantos e quais desses clubes realmente criaram ou criarão um time feminino porque realmente se importam com a visibilidade da mulher no esporte e acreditam no seu talento e não pela imposição de uma instituição?” “Essa exigência continuará valendo pelos próximos anos?” “Qual a confiabilidade?”

Algumas grandes jogadoras e ex-jogadoras profissionais, como Aline Pellegrino e Andressinha, têm se preocupado acerca da obrigatoriedade de se criar equipes femininas e não pela obviedade, apesar de também reconhecerem que um bom trabalho vem sendo feito.

A torcida é para que com essas novas regras adotadas, aumente a procura da prática do esporte por parte das mulheres, cresça o incentivo, a divulgação, o investimento, além da disposição e do interesse do público que gosta do esporte. O futebol é um só. Pena que ainda não é o mesmo para todos.

Raisa Guglielmi

Sobre Raisa Guglielmi

Raisa Guglielmi já escreveu 19 posts nesse site..

Meu nome é Raisa Cavalcanti Guglielmi, 28 anos, nascida em Criciúma-SC e residente em João Pessoa-PB desde os 8 anos de idade. Bacharel em Física pela Universidade Federal da Paraíba, onde, na época, estudei na Universidade de Oslo (Noruega) por um ano. Ano passado, após uma grande repercussão de uma história de amor com o Cruzeiro Esporte Clube, em que vendi diversas coisas para ir à final da Copa do Brasil, no Mineirão, fui chamada para participar de um programa de futebol em uma TV local e, a partir daí, começou a despertar dentro de mim uma paixão pelo Jornalismo Esportivo, unindo ao fato de que jogava futebol desde criança, o que já me aproximava bastante dos esportes. Hoje sou estudante de jornalismo e a cada dia mais encantada pela área. Espero vir a somar à equipe e, principalmente, apoiar e dar visibilidade às minorias.

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Meu nome é Raisa Cavalcanti Guglielmi, 28 anos, nascida em Criciúma-SC e residente em João Pessoa-PB desde os 8 anos de idade. Bacharel em Física pela Universidade Federal da Paraíba, onde, na época, estudei na Universidade de Oslo (Noruega) por um ano. Ano passado, após uma grande repercussão de uma história de amor com o Cruzeiro Esporte Clube, em que vendi diversas coisas para ir à final da Copa do Brasil, no Mineirão, fui chamada para participar de um programa de futebol em uma TV local e, a partir daí, começou a despertar dentro de mim uma paixão pelo Jornalismo Esportivo, unindo ao fato de que jogava futebol desde criança, o que já me aproximava bastante dos esportes. Hoje sou estudante de jornalismo e a cada dia mais encantada pela área. Espero vir a somar à equipe e, principalmente, apoiar e dar visibilidade às minorias.

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