Análise: erros individuais tiraram a liderança do Santos

Após outra atuação para esquecer, não há mais o que justifique a permanência de Felipe Aguilar no time titular do Santos

De todas as manifestações sobre o decepcionante empate entre Santos e Fortaleza, na Vila, na tarde do domingo, 25, a mais precisa, e que resume, com maestria, o sentimento do torcedor santista foi cunhada pelo jornalista Mauro Beting. “O amor pela bola não pode ser tão maior que o namoro pelo placar em jogos assim”, disse, em seu blog no portal UOL.

A frase brinca com a máxima de Jorge Sampaoli, o “amor pelo balón”. Ela sintetiza sua filosofia de jogo, que valoriza a posse de bola a todo custo. Mas a opinião de Beting é precisa porque ilustra o que pensa o santista que, nesta rodada, viu o Flamengo assumir a liderança.

Nas redes sociais, não será difícil encontrar torcedores afirmando, categoricamente, que Sampaoli é o responsável por resgatar o prazer dos santistas em ver os jogos do clube. Aquele Santos moribundo e apático, treinado por Levir Culpi e Jair Ventura, deu lugar a um time ofensivo, elétrico. Uma simbiose perfeita, o tal “DNA ofensivo” elevado à última potência.

Se o Santos assumiu a liderança e se tornou candidato ao título, Sampaoli é o principal responsável. Por outro lado, se a euforia foi substituída pela angústia, o “careca elétrico”, como é chamado, também tem sua parcela de culpa.

A gana pela vitória do argentino é espetacular. Ele gosta do espetáculo, e não se cansa de dizer que o Santos precisa honrar a fama de ser o time de Pelé. Mas sua falta de pragmatismo cria um desequilíbrio em certas ocasiões. Em um campeonato de pontos corridos, como o Brasileirão, há jogos em que o time precisa ser mais conservador.

Capítulo a parte

O tropeço diante do Fortaleza é um capítulo a parte na trajetória santista. Se em outros jogos, como contra o São Paulo, Sampaoli escalou mal, contra o Leão do Pici o argentino foi bem. No momento de maior pressão do time tricolor, Sampaoli tirou Sasha e colocou Jean Mota, justamente para equilibrar o meio-campo.

Os erros individuais custaram os dois pontos perdidos. Se o time que quer ser campeão não pode abrir 3 a 0 e ceder um empate jogando em casa, um jogador que reclama de não ser escalado, como Jean Mota, não pode perder a bola do jogo. A finalização do camisa 41 foi patética. O fazedor de gols da equipe, Eduardo Sasha, também não pode desperdiçar um gol na pequena área.

Do meio-campo para trás, outra tarde para esquecer de Felipe Aguilar. Mais uma atuação horrorosa do colombiano, que parece não ter condições psicológicas de se manter em alto nível após um deslize. O zagueiro falhou nos três gols. No derradeiro lance, nos acréscimos, mergulhou de forma inexplicável para tentar fazer o corte.

O capitão Victor Ferraz também falhou. Dois gols saíram de seu lado. No tento de empate, ele marca pelo meio, deixando a ala esquerda do ataque do Fortaleza em superioridade numérica.

Na coletiva de imprensa, Sampaoli foi correto ao dizer que os defensores se destacam quando falham porque estão mais próximos do gol, o que pode tornar o erro fatal. Mas o Santos teria um fim de jogo mais tranquilo, se o ataque tivesse matado o jogo.

Meritocracia

No campeonato paulista, o zagueiro Luiz Felipe falhou no gol de Clayson, na primeira partida daquela semifinal. Daquele jogo em diante, perdeu espaço. Em jogos nos quais o Peixe atua com três zagueiros, até Jorge e Pará, laterais, foram improvisados.

Aguilar foi indicado por Sampaoli, e vivia boa fase. Mas chegou o momento de ser substituído. Em todos os jogos em que comete uma falha, elas são cruciais para a derrota santista. Foi assim contra o Ituano, na goleada sofrida na primeira fase do Paulistão. Ele também falhou contra o Vasco, na Copa do Brasil. Por fim, as lamentáveis atuações contra São Paulo e Fortaleza.

Fundo do poço

O Santos chegou à liderança jogando um bom futebol, mas perdeu o posto para o Flamengo em seu pior momento na competição. É difícil acreditar que algo possa ser pior do que tem sido nas últimas rodadas. O time envolvente, que venceu jogos fora de casa contra Grêmio e Ceará, fortes em seus domínios, tem sucumbido no momento mais propício para criar a famosa gordura.

Sampaoli mais uma vez terá uma semana cheia para treinar a equipe. O Peixe enfrenta a Chapecoense na Arena Condá, sábado, 19h. O Verdão do Oeste está na zona do rebaixamento. Mesmo fora de casa, voltar com três pontos para a Vila é fundamental para quem almeja ser campeão.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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