Análise do 1º turno do Brasileirão

- São Paulo e Internacional surpreendem, Santos é a decepção

O primeiro turno chega ao fim e com ele muitas surpresas. Quem poderia imaginar que o campeonato seria liderado por São Paulo e Internacional? Quem esperava que o Santos entraria numa briga interminável contra a zona de rebaixamento? Pois é, o campeonato mais imprevisível do mundo provou seu adjetivo, batendo recordes de demissões de comandantes (foram 19 ao todo), só na primeira metade da competição.

São Paulo 2018
(Divulgação/São Paulo)

A falta de organização interna de algumas equipes, fizeram com que muitos times desapontassem, como Santos, Vasco, Corinthians e Atlético-PR. O que se contrapõe aos organizados, que conseguiram surpreender até o torcedor mais pessimista, caso de São Paulo, Internacional e (por que não?) América-MG. A organização interna está sendo fator essencial para que as equipes triunfem, no Brasileirão.

(Divulgação/Santos)

O próprio tricolor paulista sofreu bastante com a exposição de sua diretoria nos anos passados (o que muitos apontam como fator principal da “sonolência” da equipe). O Inter foi igual, em 2016 após a eliminação na Libertadores, a diretoria foi alvo de protestos e ficou em foco, o resultado no final daquele ano amarga os Colorados: pela primeira vez em sua história, o Internacional havia sido rebaixado.

Quem vive o dilema de crise interna há muito tempo é o Vasco. Apesar de ter dois jogos a menos que os demais clubes, a equipe cruzmaltina parece não querer acordar do pesadelo, maltratando o torcedor, namorando com a zona de rebaixamento, por mais um ano. Acompanhando o rival, Fluminense e Botafogo parecem brigar para se manter na parte de cima da tabela. O tricolor carioca sofreu muito com o desmanche da equipe. Mesmo com Pedro salvando, o Flu aparenta não ter forças suficientes para brigar por título, no Brasileirão. Já o Fogão, com a perda de seu treinador (Alberto Valentim, campeão do Campeonato Carioca) ao mercado árabe, busca fazer o “feijão com arroz” para se manter na parte de cima da tabela. Para isso, Zé Ricardo foi contratado.

Zé Ricardo (Divulgação/Carlos Gregório Jr/Vasco)

Se o assunto é desorganização interna, não pode faltar o Corinthians. A desordem começa com a eleição de Andrés Sanches (que muitos dizem ser forjada), mas mesmo assim, Fabio Carille conseguiu contornar a situação. Só que o problema aumenta a cada dia. Com um título de campeonato brasileiro e o bi-campeonato do Paulistão, Carille foi treinar o Al-Wehda, deixando a equipe. Para seu lugar, Osmar Loss foi efetivado, mas não obteve o mesmo sucesso que seu antecessor. Com muitas vendas “a preço de banana”, o Corinthians não consegue fazer uma boa sequência, mesmo tendo um período pós Copa bom, se classificando para as semi-finais da Copa do Brasil.

Osmar Loss tenta seguir com sua melhor sequência de vitórias
Osmar Loss tenta seguir com sua melhor sequência de vitórias (Reprodução/Marcos Ribolli/Globo Esporte)

Voltando ao famigerado Z4, outra equipe alvinegra está querendo “conhecer novos ares” é o Santos. Após um 2017 totalmente decepcionante, o ano de 2018 parecia ser mais agradável ao torcedor santista, mas não foi isso que aconteceu. Com presidente novo, técnico novo e patrocinador novo, apenas uma coisa não se inovou: a má gestão interna, que reflete diretamente no estilo do time em campo. Durante mais da metade do primeiro turno, a equipe foi comandada por Jair Ventura, mas após coleção de mal resultados, a demissão veio. Para seu lugar, o experiente técnico Cuca foi contratado. O novo treinador chegou junto com três novas contratações (Bryan Ruiz, Carlos Sanchez e Dérlis Suarez) e promete tirar o time dessa situação desconfortável, além de ir longe na Libertadores.

Carlos Sánchez (Reprodução/Juan Mabromata/AFP

O Flamengo, mesmo na terceira colocação, não entregou o bastante para deixar o torcedor feliz. Com a colocação alta e a vaga na semi-final da Copa do Brasil, o que chateou o torcedor, foi a derrota nas oitavas de final da Libertadores para o Cruzeiro, suficiente para tirar o sorriso do rosto do carioca. Além da derrota para a equipe mineira, o pós Copa do clube da Gávea foi bastante ruim, perdendo a liderança para o São Paulo, e a vice-liderança para o Inter.

Equipes como Palmeiras e Cruzeiro, que estão vivos na Libertadores e Copa do Brasil, parecem apenas “cumprir tabela”, priorizando outras competições. O alviverde trocou de treinador, apostando no medalhão Luiz Felipe Scolari, enquanto o Cruzeiro continua com o trabalho de Mano Menezes. As equipes vivem um cenário muito parecido: além de se enfrentarem na semi final da Copa do Brasil, ambas ganharam o jogo de ida das oitavas de final, fora de casa e por 2 x 0. Mesmo em posições altas, o título não parece ser a prioridade das equipes.

O técnico Felipão, da SE Palmeiras, durante treinamento, na Academia de Futebol (Divulgação/Palmeiras)

Dos recém promovidos, apenas duas equipes não integram a parte de cima da tabela: Paraná e Ceará. Os dois são os últimos e penúltimos, respectivamente. Ambas, também, trocaram de treinador. O tricolor paranaense demitiu o técnico Rogério Micale, ouro olímpico com a seleção brasileira, e o alvinegro cearense demitiu Jorginho, apostando no jovem treinador Lisca. Pelo comando do Ceará, Lisca ainda não foi derrotado e promete lutar “até o último suspiro” para manter o Vozão na elite do futebol brasileiro.

(Reprodução/Internet)

Se o pelotão de frente continuar a disparar, será muito difícil ver novos integrantes no G6, pois o sexto colocado tem cinco pontos de diferença para o sétimo, enquanto o sétimo tem sete pontos de diferença para o primeiro time fora da zona de rebaixamento. Mas, como diz o velho ditado “o futebol é imprevisível”, ou seja, nada está definido.

E você, acha que pode pintar alguma novidade ao fim da temporada?

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Sobre Igor Tonetti

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Amante do maior espetáculo da Terra, da maravilha, que não é considerada umas das sete mundias, mas, se nela estivesse, seria a principal. Como todo brasileiro, a paixão pelo futebol vem de berço. Sem muito sucesso com os pés, decidi trilhar meu caminho através das mãos, só que, ao invés de luvas, uso apenas papel e caneta. Busco sempre informar, sem medo de mostrar minha opinião e, também sem medo, de mudar quando assim for necessário.

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Igor Tonetti
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