Ajax x Bayern 1973 – A vitória e o marco do futebol total

Duelo mostrou um futebol envolvente e de superioridade com a magia mostrada pelo estilo de jogo
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Durante toda a história do futebol existiram times lendários e estilos de jogos envolventes. No entanto, quando duas equipes com modelos diferentes se enfrentam em uma das maiores competições do planeta (Champions League), essa disputa muda de patamar: Ajax x Bayern de 1973 foi um desses jogos que marcam o esporte. Dessa maneira, Johan Cruyff de um lado x Franz Beckenbauer do outro, dois jogadores que fazem parte dos maiores de todos os tempos, colocaram a escola holandesa e alemã à prova.

Nessa semana a coluna Quebrando Muros, traz o confronto válido pelas quartas de final da Champions de 1973, no qual dois grandes times com filosofias vencedoras combateram. Portanto, o Ajax vinha de uma fase vencedora e era o bicampeão da Liga dos Campeões, enquanto o Bayern via surgir uma base recheada de futuros craques. Entretanto, no jogo de ida os holandeses triunfaram por 4 x 0 e na volta os alemães descontaram, 2 x 1. Contudo, o grande confronto do campeonato foi esse duelo porque marcou dois esquadrões, duas ideias e duas lendas uma de cada lado.

FUTEBOL TOTAL DO AJAX

Na década de 1960-1970, o Ajax formou um dos maiores times de todos os tempos. Assim, eram comandados dentro de campo pelo camisa 14, Johan Cruyff e fora pelo treinador Rinus Michels que criou esse estilo de jogo (futebol total). Assim, esse modo de jogar ficou conhecido também como Carrossel holandês, pois foi base da seleção da Holanda em 1974.

Os jogadores saem constantemente de suas posições originais e são substituídos por outros, sem perder a sua estrutura de jogo. Assim, nenhum jogador tem uma posição de jogo fixa, qualquer um pode ser o atacante, o meio campista e o zagueiro. No entanto, o Futebol total depende muito da capacidade de adaptação de todos. Funciona com esportistas atentos taticamente, alternando posições em alta velocidade – em outras palavras, todo desportista está apto a exercer qualquer outra função. Entretanto, cobra um grande esforço técnico e físico dos atletas.

O clube holandês estava vivendo um momento especial, aquela geração é considerada por muitos como um dos melhores times ou o melhor que já existiu. Assim, conquistaram grandes feitos: Campeão Mundial Interclubes (1972), Tricampeão Liga dos Campeões (1970-1971, 1971-1972 e 1972-1973), Campeão da Supercopa da UEFA (1973), Tricampeão Holandês (1969-1970, 1971-1972 e 1972-1973) e Tricampeão da Copa da Holanda ( 1969-1970, 1970-1971 e 1971-1972).

Dessa maneira o futebol foi dominado pelos Godenzonen no final da década de 60 até 1973. Time-base do Ajax: Stuy; Suurbier, Vasovic (Blankenburg), Schilcher e Krol; Neeskens, Haan e Mühren; Rep(Swart), Cruyff e Keizer (Van Djik) . Técnicos: Rinus Michels (1965-1971) e Stefan Kovács (1971-1973).

BÁVAROS DO BAYERN DE MUNIQUE

Na Alemanha havia um time desconhecido e sem grandes nome, até o inicio dos anos 70. Todavia, a década de 70 começou promissora com talentos vindo da base como Beckenbauer, Sepp Maier e Gerd Müller que buscavam a Bundesliga. Assim, os jovens se juntaram aos nomes que estavam no plantel e formaram a estrutura desse esquadrão que despontava para brilhar.

O padrão de jogo da equipe alemã era a cadência, ataque preciso e perfeito, segurança na zaga e no meio campo. Consequentemente, levava poucos gols e marcava muitas vezes, graças ao goleador Gerd Müller. Assim, contava com uma defesa segura liderada por um dos maiores defensores da história, um meio de campo que acelerava e diminua dependendo da circunstância que a partida desdobrava e tinha um artilheiro nato no comando de ataque.

Deste modo, primeiro a nível nacional depois os títulos continentais e o mundo. Assim, as taças foram: Tricampeão da Liga dos Campeões (1973-1974, 1974-1975 e 1975-1976), Campeão Mundial Interclubes (1976) e Tricampeão Alemão (1971-1972, 1972-1973 e 1973-1974). Desse maneira, o esquadrão bávaro dominou basicamente no triênio de 1974 até 1976.

Time base do Bayern de Munique: Sepp Maier; Johnny Hansen, Schwarzenback, Beckenbauer e Paul Breitner (Udo Horsmann); Kapellmann, Franz Roth e Bernd Dürnberger (Rainer Zobel); Rummenigge (Conny Torstensson), Gerd Müller e Uli Hoeneß. Técnicos: Udo Lattek (1970-1975) e Dettmar Cramer (1975-1977).

TABELA DA CHAMPIONS E DISPUTA NA COPA

Ajax x Bayern – 1973 aconteceu nas quartas. Assim, o caminho das equipes foi fácil na primeira fase os holandeses não jogaram e os alemães venceram por 7 x 1, o Galatasaray. Logo depois, na segunda fase, aplicaram goleadas e avançaram. Contudo, nas quartas no primeiro jogo foi 4 x o para o Ajax e no segundo 2 x 1, Bayern. O primeiro gol saiu em chute da intermediária e no rebote Haan abriu o placar. Seguindo, Mühren pegou uma sobra no meio da área, pulou e acertou para marcar um belo gol. Por fim, os dois últimos gols foram de cabeça e para fechar Cruyff marcou no meio de dois adversários cabeceando no canto de baixo do goleiro, 4 x 0.

Sendo assim, nas semifinais, Ajax enfrentou o Real Madrid e venceu no agregado por 3 x 1. Por fim, na grande final, duelou contra a Juventus e triunfou por 1 x 0, para levantar o tricampeonato da Champions League.

Ajax x Bayern de 1973, marcou um duelo de equipes e também de países. Deste modo, a base das seleções da Holanda e Alemanha que vieram a disputar a final da Copa do Mundo de 1974 eram desses dois esquadrões. Sendo assim, a disputa foi acirrada, mesmo com um futebol aclamado pela crítica os holandenses não venceram e o resultado foi 2 x 1, para os alemães.

DECLÍNIO DE AJAX E BAYERN

O criador do Futebol Total, Rinus Michels não ficou todo o período no Ajax, saiu em 1971 para o Barcelona. Assim, Cruyff seguiu para o Barça, depois do tri europeu (1973) e Neeskens saiu em 1974, contribuíram para desfazer aquele time lendário. Por outro lado, o Bayern em 1977, Beckenbauer saiu para jogar nos EUA, no New York Cosmos, junto de Pelé. Assim, a saída foi crucial para encerrar o ciclo daquele time, que continuou dominando nacionalmente mas sem o brilho e conquistas europeias.

 

LISTA DE MAIORES TIMES – REVISTA INGLESA (FOUR FOUR TWO)

1 – Ajax (HOL) de 1965 a 1973
2 – Milan (ITA) de 1987 a 1991
3 – Real Madrid (ESP) de 1955 a 1960
4 – Barcelona (ESP) de 2008 a 2011
5 – Liverpool (ING) de 1975 a 1984
6 – Inter de Milão (ITA) de 1962 a 1967
7 – Santos de 1955 a 1968
8 – Benfica (POR) de 1959 a 1968
9 – Bayern de Munique (ALE) de 1967 a 1976
10 – Torino (ITA) de 1945 a 1949
11 – Celtic (ESC) de 1965 a 1974
12 – Manchester United (ING) de 1995 a 2001
13 – Independiente (ARG) de 1971 a 1975
14 – Juventus (ITA) de 1980 a 1987
15 – Dynamo Kiev (UCR) de 1985 a 1987
16 – Boca Juniors (ARG) de 1998 a 2003
17 – Preston North End (ING) de 1888 a 1889
18 – Borussia Monchengladbach (ALE) de 1970 a 1979
19 – Budapest Honved (HUN) de  1950 a 1955
20 – Nottingham Forest (ING)  de 1977 a 1980

MELHORES MOMENTOS DO JOGO DE IDA

Foto Destaque: Reprodução / Site footlegende.fr

Nicollas Almeida

Sobre Nicollas Almeida

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Escolhi o jornalismo porque queria contar histórias, participará dela também. Já estagiei na assessoria de imprensa de um órgão do governo do Rio de Janeiro. Fiz trabalhos voluntários no meio religioso e político, participei de um programa de debate na rádio na faculdade.

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