Ajax encanta o mundo do futebol

Clube holandês foi eliminado pelo critério do gol marcado fora de casa e não conquistou vaga na final

Ajax é um herói da mitologia grega. Lutou com destreza e bravura na lendária Guerra de Troia, onde foi um dos principais guerreiros. No entanto, a teimosia era seu principal defeito. Séculos depois, seu nome serviria de inspiração para o nascimento do AFC Ajax, um clube de futebol, que por ironia do destino manteve a personalidade do soldado. Ao longo de sua história os holandeses exibiram ao mundo um DNA encantador, o qual, por mais que isso configure uma anomalia biológica, mas não futebolística, foi concebido por dois homens, ou melhor, dois heróis: Rinus Michels e Johan Cruyff.

A dupla conquistou a primeira orelhuda do clube de Amsterdã em 1970-1971. O conceito tático de Michels era sustentado na movimentação constante dos jogadores tanto na fase defensiva quanto ofensiva. Para sua aplicação, o esquema requeria polivalência, uma vez que seus jogadores não tinham posições fixas no campo e ficavam livres para se movimentar por todos os setores. Contudo, o técnico que implementou o futebol total e com ele transformou a equipe holandesa em uma potência europeia deveria fazer o mesmo com a seleção nacional.

Assim, Rinus assumiu a Holanda, mas isso é história para uma outra hora. Johan seguiu e conquistou, de forma consecutiva, mais duas Champions. Quando saiu, fez história em outro eliminado e levou consigo todo o brilho do time Alvirrubro, que caiu no ostracismo. Porém, graças a uma nova safra de pratas da casa, como Van de Saar, Seedorf, Frank de Boer, Davids e Kluivert, a Europa reverenciava novamente o mais icônico clube holandês que se sagrava , em 1994-1995, tetracampeão europeu.

Desde então futebol e dinheiro passaram a caminhar de mãos dadas. Desse modo, clubes mudaram de patamar. Grandes viraram médios. Médios se transformaram em grandes. Pequenos se configuraram em médios. E países como a Holanda, foram perdendo o protagonismo de antes na maior competição de clubes do planeta, pois não usufruem do mesmo aporte financeiro de outros países, nos quais o intercâmbio de jogadores é maior. Reside neste fato o motivo de tamanha euforia do mundo futebolístico pelo feito realizado por Erik ten Hag e seus comandados.

Segundo o Football Money League, levantamento anual da Deloitte, o Ajax faturou na última temporada € 92 milhões, cerca de R$ 405 milhões, que não o credenciam a frequentar a lista dos 30 clubes de maior arrecadação no continente. Mas, ser teimoso às vezes é bom. E teimosia é marca da juventude. Jovem é sinônimo de Ajax. Com média de idade de 24 anos, a equipe possui um faturamento oito vezes menor do que o Real Madrid, cujo orçamento atinge os € 750 milhões, ou seja, R$ 3,3 bilhões. Todavia, como diria Cruyff:

“Por que não se pode superar um clube mais rico? Eu nunca vi um saco de dinheiro fazer gol”.

Nas oitavas de finais, o atual tricampeão sucumbiu em pleno Santiago Bernabéu, 1 x 4. Chocolate! Para chegar até aí os holandeses passaram pela pré-Champions e saíram invictos da fase de grupos, onde enfrentaram o Bayern de Munique e o Benfica, sendo 2º colocado com duas vitórias e quatro empates. Tratar a bola com carinho, envolver o adversário, honrar e praticar a filosofia de futebol implementada dentro do clube foram aspectos visíveis desde as primeiras partidas do torneio. E quando todos esperavam uma mudança… O Ajax foi teimoso novamente.

A Juventus, que chegava as quartas de final graças a uma atuação de gala de Cristiano Ronaldo contra o Atlético de Madrid, era a favorita. Isso mesmo, era. Na Holanda, 1 x 1. Na Itália, 1 x 2. O Ajax pode ter menos dinheiro, mas teve mais futebol. Futebol, esse jogo que contém a incerteza permanente, um desfecho sempre diferente e muitas reviravoltas de situação. Ele é imprevisível e aí está toda sua beleza. A queda para o Tottenham na semifinal entra em conflito com outra frase de Cruyff, que afirma:

“É tudo muito simples: se você faz um gol a mais do que o adversário, você vence”.

Ao final da partida, o agregado marcava 3 x 3. Pelo critério do gol marcado fora de casa o time de Londres vai a Madrid disputar a final – com muitos méritos diga-se. Mas, como no vídeo postado pelo clube em suas redes sociais, diz “cabeça erguida, peito estufado”. O Ajax fez história.

Pedro Ferri

Sobre Pedro Ferri

Pedro Rodrigues Nigro Ferri já escreveu 230 posts nesse site..

Pedro Rodrigues Nigro Ferri, 19, nascido em Assis-SP. Jornalista em formação pela Faculdade da Cásper Líbero e um fiel devoto. Católico? Protestante? Não, corinthiano. Sou mais um integrante do bando de loucos e nunca me conheci sem essa doença. Frequentador de arquibancada, sou apaixonado por torcidas. Sabe aquela música do seu time? É, eu canto ela no chuveiro. Supersticioso ao extremo e disseminador da política "NÃO GRITA GOL ANTES DA BOLA ENTRAR!".

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