A Seleção Brasileira precisa de Neymar?

Jogador se lesionou num amistoso pré-Copa América e desfalcou sua seleção na competição, mas foi convocado por Tite mesmo sem estar jogando
A Seleção Brasileira precisa de Neymar?

A Seleção Brasileira foi campeã da Copa América do Brasil 2019 sobre o Peru, por 3 x 1, em 7 de julho de 2019. Na ocasião, Éverton “Cebolinha”, Gabriel Jesus e Richarlison garantiram o 9º título Canarinho. Paolo Guerrero, de pênalti, fez o único tento inca. Apesar da boa vitória, a Seleção passou por momentos de desconfiança durante o torneio. Mas, aos trancos aqui, barrancos ali, outras ótimas atuações, foi passando por seus adversário, sem sofrer gols até a final e, enfim, levantar o caneco. Mas e Neymar, fez falta? Vamos a análise, pois o técnico Tite convocou o jogador nesta sexta-feira (16) para os amistosos contra Colômbia e Peru.

A preparação

A Seleção realizaria dois amistosos antes da Copa América começar. Porém, nitidamente eram adversários para “ganhar confiança”, visto que enfrentariam Qatar e Honduras. Na primeira partida, ainda com Neymar, o time ficou na tensão. O camisa 10, e astro mor do time, havia sido acusado (1º de junho) de ter estuprado a modelo brasileira Najila Trindade, em Paris, em uma visita da mulher ao craque do PSG, na França. No dia 5 de junho, data do primeiro amistoso, contra o Qatar, o clima era tenso. Ninguém queria saber do jogo, apenas se Neymar era ou não culpado. Mas, com apenas 21 minutos em campo, o atacante lesionou feio o tornozelo e foi cortado do grupo que disputaria a Copa América.

Após a vitória por 2 x 0, as perguntas eram sobre Neymar, se o grupo estava focado, se estavam dando apoio ao camisa 10, se acreditavam que o jogador era inocente e afins. Com isso, veio o jogo contra Honduras, já sem Neymar, e o jogo fluiu. Obviamente que o rival ajudou, não metia medo em ninguém, e teve um jogador expulso quando já estava 2 x 0. Gabriel Jesus, Richarlison e Philippe Coutinho brilharam na goleada por 7 x 0. Já sem a sombra de Neymar, a Seleção ganhava respeito. Então, veio o início da competição.

Copa América

No grupo A, junto a Bolívia, Venezuela e Peru, as coisas andaram. Para começar, uma convincente vitória sobre os bolivianos, com dois gols de Coutinho e um de Éverton. Entretanto, nada além da obrigação. Bem como um triunfo sobre a Venezuela, certo? Errado! Os venezuelanos amarraram o jogo, o Brasil teve três gols corretamente anulados e o placar não saiu do zero. Assim, a Seleção saia da Fonte Nova, na Bahia, com apenas um ponto e sob vaias. A desconfiança bateu e uma pulga ficou atrás da orelha para enfrentar os peruanos, até então com os mesmos quatro pontos dos brasileiros. E a pergunta surgia: “e se tivéssemos Neymar?”. O duelo chegou e qualquer desconfiança foi deixada para trás. 5 x 0 nos Incas em uma uma atuação de gala.

Daniel Alves comandava a equipe, tanto na braçadeira, quando na liderança técnica e tática, e ditava o ritmo da equipe, juntamente com Arthur e Coutinho. Casemiro mostrava-se um onipresente volante caprichoso na cobertura. A zaga era impecável e impenetrável, contando com a entrosada dupla de zaga formada pelos parisienses Thiago Silva e Marquinhos. Filipe Luís ia bem na esquerda, provando que Marcelo não fizera falta na função e Alisson era o paredão, comprovando os motivos de ter levado o Liverpool ao título da Champions. Não podemos esquecer o ataque. O trio formado por Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Éverton Cebolinha deu super certo. Este último, por sinal, virou xodó do narrador Galvão Bueno e, como não, da torcida brasileira, aliando dribles a boas exibições, assistências e gols, conquistando de fato a vaga que era de Neymar.

E vinha a retórica: “Quem precisa de Neymar?”

Eis que veio o mata-mata, frente ao fraco Paraguai, time que não havia vencido uma partida sequer e que com dois empates chegou as quartas de final. Mais um jogo truncado, o Brasil acorrentado. Dominava o jogo, tinha mais chances, mas a bola não entrava. Pênaltis. O zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, perdeu o primeiro do Paraguai, e Derlis González, do Santos, perdeu o último. Na Seleção Brasileira ficou incumbido de cobrar o último pênalti o atacante Gabriel Jesus (já falei que não tinha Neymar?), por vezes contestado e que havia perdido um pênalti aos 94 minutos de jogo, no duelo anterior, frente ao Peru, quando o jogo estava 5 x 0 para o Brasil. Mas Tite lhe dera outra oportunidade de refazer a história na competição. O camisa 9 não desperdiçou a cobrança e classificou a Seleção à semifinal.

A Argentina

Frente à Argentina, o Brasil sofreu. Tomou 14 ataque chutes a gol, por mais que apenas dois fossem direto a Alisson. Por outro lado, de quatro chutes que a Seleção deu, três foram ao gol e dois entraram. E o primeiro gol foi uma pintura coletiva. Coutinho deu uma caneta em Paredes, mas Otamendi afastou. A bola sobrou com Daniel Alves, que chapelou Marcos Acuña, ameaçou cruzar e Paredes se jogou para cortar. Mas quem cortou foi Dani, deixando o volante no chão, driblando-o para o meio e tocando na direita para Firmino, que só cruzou no meio da área para Gabriel Jesus marcar seu primeiro gol na Copa América aos 17 minutos do 1º tempo.

No 2º tempo, foi de Jesus que saiu o tento final. A Argentina atacava. Mas a zaga brasileira afastou o perigo com Thiago Silva. Gabriel Jesus dominou de peito chapelando Juan Foyth, que pensou que a jogada seria paralisada por um possível pênalti de Daniel Alves em Aguero. O árbitro não parou. E nem Jesus. O camisa 9 foi para cima da defesa argentina, disputou e ganhou bola de Germán Pezzella, deixou Otamendi para trás, caído no chão e, antes de cruzar, ainda driblou novamente Foyth, que também ficou no chão, e rolou para Firmino marcar e dar a vitória ao Brasil.

A final

Frente aos peruanos, time do qual golearam na fase de grupos, o Brasil disputaria a final. E sem Neymar. Assim, logo aos 15 minutos, Daniel Alves faz lançamento para Gabriel Jesus, na direita. O camisa 9 levou o lateral esquerdo Trauco para dançar, driblando-o, e depois cruzando na área. A bola passou pelo miolo e sobrou para Éverton marcar o primeiro e assumir a artilharia do campeonato. Aos 41′, a bola bateu na mão de Thiago Silva e o pênalti foi marcado para o Peru.

Aos 44′ Guerrero cobrou e fez a defesa brasileira levar o primeiro gol no torneio. Mas nada que assustasse, pois quatro minutos depois Arthur fez boa jogada pelo meio e tocou para Jesus, que bateu no canto e colocou o Brasil em vantagem novamente. Contudo, aos 42′, Éverton sofreu pênalti que Richarlison cobrou, como um prêmio após superar uma caxumba durante a Copa, e fechou o placar, dando o título a Seleção Brasileira: sem Neymar.

Afinal, Neymar merecia/deveria ser convocado?

Neymar vive um momento delicado na carreira. Lesões, acusação de estupro, pressão dos torcedores e da mídia, críticas pós-Copa e por aí vai. Não vem jogando, acabou de se recuperar de uma lesão no tornozelo, que inclusive o tirou da Copa América. Mas um fato é: NINGUÉM PODE ABDICAR DE TER NEYMAR. É um jogador fora de série, fenomenal, monstruoso e muito adjetivos. Porém, isso quando realmente quer jogar. Neymar com a cabeça boa, centrada, é fundamental para a Seleção Brasileira. Tite, com toda sua psicologia às vezes indecifrável, gosta de tratar o lado humano e gosta ainda mais do camisa 10. Portanto, vai dar votos de confiança ao craque.

Qualidade técnica de Neymar é comparável a dos melhor do mundo, como Messi e Cristiano Ronaldo. Estando 100% é referência técnica. Consegue muitas vezes levar time nas costas. Contudo, definitivamente, a Seleção Brasileira mostrou que não precisa de Neymar. Por outro lado, se o time ganhou um Copa América sem Neymar, teve um entrosamento absurdo, um bom ataque e uma defesa impecável. Quem dirá com ele, não?! Mas, como todo torcedor é passional, muito vão dizer que a Seleção Brasileira não precisa de Neymar. Sempre vão se dividir as opiniões. Entretanto, o técnico que não levar Neymar é louco. Acredito que está certo Tite de o convocar. Mas Felipão não convocou Romário em 2002 e foi acusado de ser louco. Porém, aquela loucura deu certo. Você prefere loucura ou sanidade?

Foto destaque: Reprodução/Instagram

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.


 

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