A Era da Extinção do Futebol

- Um conto em que o Covid-19 destrui todas as possibilidades do esporte mais amado do mundo voltar às atividades
A Era da Extinção do Futebol

É o fim. Sim, acabou. O futebol não existe mais. Foi uma linda história de amor. Mais de 100 anos de muita cultura interrompidos pelo Coronavírus. É a Era da Extinção do Futebol. O ano de 2020 ficará para sempre marcado no calendário futebolístico.

Tapetes verdes, acostumados a sentir o pesado sabor das chuteiras de mais de 22 jogadores, hoje estão abandonados. Male male quero-quero pisam pisam. Mas o relvado insiste em ser pisado. Quem sabe um tufo de grama saltando após um carrinho, porque não? Qualquer três pulinhos com o pé direito, por favor. Volta, futebol, nunca te pedi nada.

A Era da Extinção do Futebol

As arquibancadas permanecem vazias. Milhares de assentos às moscas. Cai chuva, faz sol, e ninguém para guardar lugar. Não há canções para empurrar os jogadores, porque estes também estão extintos. Nem bandeirões, corneteiros, pipoqueiros, turma do amendoim, aquele 12º jogador, nada.

Fantasmas tomaram conta das arenas e não há quem cace o vilão que veste a camisa 19. É mais doloroso que um Maracanazo e um 7 x 1. É uma goleada acachapante e um rebaixamento frustrante. Tomamos chapéu e caneta de uma só vez. E não há nada que possamos cobrir ou escrever, figurada e literalmente. Volta, futebol, nunca que pedi nada!

Quarentena

Mantos estão criando poeira. Ou viraram pijama em dias de quarentena. A bola segue cheia, assim como saco de todo torcedor esperando a volta do Mr. Emoção. A angústia já tomou conta, estamos presos na Era da Extinção Futebolística. O grito preso na garganta vai nos deixando sem ar. Como quando caímos numa cama de gato. Estamos contaminados com a Infutfobia, assim extinguiremos também.

Foram-se os Dinossauros, os Maias, Atlântida e agora o futebol. Gol contra! Um meteoro microscópico atingiu nosso esporte bretão. Só queria empurrar meu time, ir ao estádio ou ao menos ver pela televisão. Gritar gol sem saber o resultado do jogo, voltar a sentir a emoção. Suor na mão, frio na barriga e palpitação. Volta, futebol, nunca te pedi nada.

Isolamento social

A coruja já hibernou na forquilha. Não me fizeram falta, mas eu sinto falta. Extravasar, xingar a mãe do árbitro e discutir no bar não é mais possível, pois estamos em isolamento social. O futebol acabou e o mundo vai acabar. E ela só quer dançar. La Pelota, só quer rolar.

Ser chutada, às vezes maltrada, mas por alguns poetas muito bem acariciada. Apita, juiz, diz que o jogo vai recomeçar. Para quem mais precisamos apelar? Deuses, santos, reis, alienígenas, robôs, mitos, bruxos, fenômenos?Todos querem a volta do football, soccer, ludopédio, cuju, pelada.

Infutfobia é o medo de ficar sem futebol. Mas só o torcedor raiz sabe o que é isso. E sente no peito uma forte dor de dias sem a bola estar em jogo. Quarta e domingo sem futebol é como churrasco sem carne, arroz sem feijão e Claudinho sem Buchecha. Fut, eu não existo longe de você. E quarentena é o meu pior castigo. Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio está de mal comigo.

Pois é, com todos nós! Eu sei que temos que pensar na saúde em primeiro lugar, mas eu te quero saudável também. Essa extinção está me matando muito. Sei que é pleonasmo, mas é o que eu sinto. Volta, futebol, nunca te pedi nada.

Fio de esperança

Mas ainda há esperança de ressurgirmos das cinzas. Com tantos acréscimos e sem Golden Goal, temos uma chance. Na bacia das almas, aos 45′ do 2º tempo, vamos tirar o mal de cima da linha e salvar o time do descenso. O caos é momentâneo e vamos reverter a extinção. A pele arrepiará novamente, vamos pular feito loucos e rodar a camisa em comemoração pela volta do mais amado esporte do universo.

Portanto, obrigado, BBB, Netflix e Lives, você foi um ótimo suplente, mas já está na hora do meu camisa 10 vestir a braçadeira de capitão e guiar seus devotos ao título. E para ser campeão só basta voltar. Zeramos o tempo. Estamos numa nova era. Assim, A. c. e D. c. terão um novo significado. Maldito Coronga que deixou nosso fut lesionado. Mas já está saindo do DP para o time titular. Volta, futebol, nunca te pedi nada.

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

Eric Filardi já escreveu 1211 posts nesse site..

Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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