Vitória para inglês ver

A vazia Vila Belmiro e coro desanimado entoado das arquibancadas traduziam o sentimento do torcedor santista em relação ao time. Após uma sequência de atuações desastrosas contra Bahia, Nacional-URU e Grêmio, um duelo contra um adversário em crise na série C não empolgaria, de fato. Para pouco mais de três mil torcedores, o Santos venceu o Luverdense por 5 a 1, na Vila Belmiro, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O resultado não traduz a essência da partida e, acima de tudo, não deve ser levado a sério pelo torcedor alvinegro.

Logo no começo da partida, o Santos de Jair Ventura mostrou, mais uma vez, a apatia que tem irritado o torcedor. O início preguiçoso do Peixe permitiu que a equipe do Mato Grosso não corresse riscos. Então, aos dez minutos, o castigo pela falta de iniciativa. O lateral-direito Itaqui cobrou falta cometida por Alison, a bola viajou para a área santista. Sem corte da defesa, ela chegou ao gol de Vanderlei, que se atrapalhou com o tempo de bola e a viu morrer no fundo de sua rede. A torcida, que protestava desde o começo da partida, reagiu positivamente. ”Santos, o time da virada. Santos, o time do amor”, gritavam os 3480 presentes.

Voltemos, pois, ao que interessa. O Santos passou a pressionar o Luverdense em busca do empate, é verdade, mas Rodrygo jogava sozinho. O início de Gabriel, mais uma vez, foi tenebroso. Errava tudo o que tentava. Testou a paciência do torcedor.

Rodrygo não fez gol, mas segue evoluindo (Reprodução/Guilherme Dionízio/Estadão)

A preguiça santista era tanta que os adversários trocaram passes por mais de um minuto, enquanto os donos de casa assistiam passivamente. Não deu outra: vaias.

O empate veio aos 24 minutos e fez os visitantes se fecharem no campo de defesa. Mais uma vez, o time expôs seu maior defeito: a falta de competência para romper linhas e criar jogadas. O Luverdense foi se soltando e teve a oportunidade de descer para o vestiário na frente. Vanderlei se redimiu, após falha no primeiro gol, e evitou o gol de Paulo Renê. Com o fim do primeiro tempo, sonoras vaias novamente. Péssimo primeiro tempo.

Na segunda etapa, os gols saíram e o Santos venceu por um placar elástico. Gabriel alcançou o hat-trick, Gustavo Henrique balançou as redes e o jovem Yuri Alberto também deixou o seu. Golear é sempre bom, mas o Peixe não fez mais do que a sua obrigação.

O Luverdense tem um time muito ruim. Defensivamente, após um momento de lucidez, deixou muitos espaços. Com isso, sempre que acelerou o jogo, o Peixe deu muito trabalho ao goleiro Diogo Silva. De tanto insistir, balançou as redes em cinco oportunidades.

O jogo, contudo, não pode ser o parâmetro.

Victor Ferraz voltou ao time após longo período na reserva – motivado, inicialmente, por uma luxação no ombro. No ataque, o camisa 4 foi bem, deu duas assistências, mas não foi testado na defesa, seu calcanhar de Aquiles. O meio-campo, diga-se, segue sendo o ponto fraco. Jean Mota segue posicionando excessivamente aberto pela esquerda, atrapalhando Dodô, o mais técnico do time. Vitor Bueno até deu uma assistência para o gol de Gustavo Henrique, mas, no geral, foi o mesmo jogador que tem qualidade, mas que vive de lampejos. É inegável que é mais jogador que Léo Cittadini, mas ainda precisa provar.

Quem segue de fora é Vecchio, limado da equipe por Jair Ventura. Me questiono sobre como o argentino mantém-se motivado, já que foi sacado do time quando era o mais regular – ou o único que tentava produzir ofensivamente no meio-campo – e não ganha minutos dentro de campo contra o Luverdense.

No domingo, o Santos receberá o Paraná, lanterna do Brasileirão. Vencer, para subir na tabela, é obrigação. O próximo adversário à altura é o São Paulo, que receberá o time da Vila no Morumbi, no dia 20 de maio.

Jair Ventura alterou algumas peças contra o Luverdense. Até o clássico, porém, precisa alterar a postura de seu time.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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