Vavá: a passagem mexicana do ‘’Peito de Aço’’

Qualquer apaixonado pela Seleção Brasileira sabe que Vavá foi um dos maiores artilheiros que passou por ali. Mas poucos sabem curiosidades históricas da brilhante trajetória de Edvaldo Izidio Neto. De títulos únicos, passando pela carreira internacional, até a frustração por nunca ter sido técnico do time de coração, uma coisa sempre marcou seu caminho: sua paixão por futebol.

O pernambucano, nascido em Recife, em 1934, começou sua carreira na terra natal. Dessa maneira, jogou pelo América-PE, ainda em 1948. Ganhou seu primeiro título enquanto jogava nas categorias de base do Sport. Posteriormente, contratado pelo Vasco da Gama, se tornou um dos maiores artilheiros do clube, com 191 gols, e ali encontrou seu time do coração.

Vavá jogando pelo time do coração: o Vasco. Reprodução/Revista Esporte Ilustrado

Carreira Meteórica

Foi nas Copas que alcançou o patamar de grande estrela do futebol brasileiro. O nosso ”Peito de Aço” disputou duas finais, a de 1958 e a de 1962. Em ambas o Brasil saiu vitorioso. Nesse meio tempo, teve a oportunidade de conseguir um título inédito: é o único jogador no mundo a marcar gols em duas Copas do Mundo consecutivas. Ainda mais, se tornou o terceiro maior artilheiro da Seleção, título que divide com Ademir de Menezes e Jairzinho, com nove tentos.

Tinha como características o vigor físico, grande reflexo, intuição, aproveitava todas as oportunidades e tinha uma entrega absoluta. Justamente seu oportunismo e gana de fazer gol a qualquer custo, foram o que lhe renderam o apelido de ”Peito de Aço'’, que lhe acompanhou por toda carreira.

Responsável pelo gol da virada brasileira em 1958, chamou a atenção do futebol europeu. Contratado pelo Atlético de Madrid, se tornou um dos jogadores brasileiros mais bem sucedidos na Europa. Conta com duas Copas del Rey, onde desbancou o Real Madrid duas vezes consecutivas, e com o título de vice-artilheiro da Liga dos Campeões de 1958-59.

Vavá ao lado de outro craque: Pelé. Reprodução/Revista do Esporte

Rebatizado: ” El Toro”

Também na carreira internacional teve uma passagem, nem tão lembrada, mas igualmente marcante e grandiosa. Dessa maneira, também se aventurou no futebol mexicano. Jogou no América de 1964 até 1967. Assim, disputou duas temporadas.

Depois assinou com o Toros Neza, em 1967. Ali entrou para a história do time, com uma atuação tão brilhante que lhe rendeu um novo apelido: ”El Toro”. Fazendo um paralelo entre o símbolo do próprio clube, o touro, e também, relembrando sua bravura já exaltada ao ser chamado de ”Peito de Aço”. Permaneceu um ano na liga.

Ainda lá fora, jogou pelo time americano San Diego Toros, na Espanha pelo Elche, e, por fim, encerrou sua carreira na Portuguesa, onde ganhou o estadual de 1963. Tinha um carinho pelo time paulista, mas não se comparava com o amor pelo Vasco. Depois de pendurar as chuteiras, se dedicou a ser técnico.

Trajetória como técnico, frustrações e amor pelo futebol

Assim, ele auxiliou Telê Santana a comandar a equipe júnior brasileira no Mundial de 1981. Ali, acima de tudo, ensinou a importância de defender a nossa camisa e de aproveitar aquela oportunidade. Chegou a treinar times internacionais. Foi desempenhando essa função que experimentou sua maior frustração profissional: nunca ter sido chamado para treinar o Vasco da Gama.

Vavá mais idoso com amigo e filhos. Da direita para esquerda: Vavá, Vasinho,William Gamboni e Duda. Reprodução/Arquivo Pessoal William Gamboni

Até os últimos dias de vida, a bola foi a sua maior paixão. Vavá gostava de assistir as partidas em bares enquanto tomava vinho espanhol. Sentia prazer em contar detalhes da sua trajetória no esporte, chegando a se emocionar ao falar sobre as Copas que jogou. Dessa maneira, o jogador morreu em 2002, por uma parada cardíaca, deixando a esposa e quatro filhos. Proporcionalmente ao seu amor pelo futebol, é a nossa gratidão por todas as alegrias e glórias que trouxe à Seleção Brasileira.

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

Mayara Ferreira
Eu escolhi o jornalismo porque sempre amei me comunicar, quando era criança brincava que era apresentadora de um programa. Já realizei vários projetos discentes na minha faculdade como revista, jornal, podcast, blog e atualmente estou desenvolvendo um telejornal junto ao meu grupo.

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