Vamos falar sobre marketing?

Contratações de grandes astros causam frisson entre torcedores. O departamento de marketing empenha-se para elaborar uma apresentação que cative seu torcedor e o aproxime do novo contratado. Venda de camisas e ações promocionais são algumas das medidas tomadas pelo clube para alavancar os lucros. Realidade na Europa, idealismo no Brasil.

Em 2014, o Real Madrid contratou James Rodríguez junto ao Monaco, da França. O clube merengue desembolsou a quantia de 80 milhões de euros para contratar o artilheiro da Copa realizada no Brasil. Em 48 horas após o anúncio de sua contratação, o clube vendeu 345 mil camisas nas quais o lendário número 10 estava estampado. Cada peça custava 97 euros, portanto, levantou-se o montante de € 33,4 milhões (R$ 100,2 milhões). Sim, em 48 horas o Real Madrid recuperou 41,75% do investimento sem James ter sequer estreado. Na atual janela de transferências, o Manchester United contratou Zlatan Ibrahimovic gratuitamente. O novo dono da camisa 9 chegou com status de grande astro da equipe, dentro e fora de campo: em uma semana, o United arrecadou R$ 326 milhões com a venda de 2.977 camisas do atacante. Tendo em vista que o United ambiciona a contratação de Pogba, em um acordo que giraria em torno de R$ 481 milhões, em uma semana, cerca de 68% do valor destinado à compra do volante francês foi adquirido através da imagem de Ibrahimovic.

Mas voltemos nossas atenções para o Brasil: nos últimos anos, nomes como Ronaldo, Adriano, Deco, Ronaldinho e outra infinidade de grandes jogadores voltaram a pisar em gramados brasileiros. A pergunta que fica é a seguinte: o que explica o baixo retorno financeiro obtido pelas equipes nacionais? Em primeira análise, os departamentos de marketing de nossos clubes carecem de inteligência. A imagem dos grandes jogadores é muito mal utilizada. Não é preciso ir muito longe para obter tal constatação: quão bem usada foi a imagem de Pelé, o rei do futebol, o maior de todos os tempos? Em contraponto, Leandro Damião foi apresentado em passeio de bondinho pelas ruas de Santos e Alexandre Pato ganhou clipe de apresentação enaltecendo a ”locospirose” que contaminou o atacante.

Sob outro prisma, destaca-se a pirataria. Você desce do ônibus e caminha pelas ruas em direção ao estádio e depara-se com varais esticados ocupados por camisas, bandeiras e faixas penduradas. Foi assim com Ronaldo no Corinthians, Ronaldinho e Adriano no Flamengo, Ganso no São Paulo, Robinho no Santos. Exemplos não faltam, esta é a verdade. Outro questionamento surge: o que os clubes ganham com isso? A resposta é mais que óbvia.

Então não existe pirataria na Europa? Claro que existe! Entretanto, são adotadas medidas a fim de amenizar o prejuízo dos clubes de alguma forma. Na França, além de ser proibida a fabricação e comercialização destes produtos, o uso é passível de punição. Pune-se quem estimula tal mercado. Na Itália, por outro lado, clubes firmam parcerias com vendedores ambulantes, que pagam uma taxa menor para comercializar os produtos de forma legal.

O comércio ilegal de materiais esportivos é incentivado pelo alto preço dos produtos oficiais, sem dúvida. Mas não se pode ignorar o fato de ter havido no Brasil a ascensão de uma nova classe média, que beneficia-se da facilidade na obtenção de crédito para adquirir bens materiais. Embora não seja um quadro que aceite argumentações simplistas, cabe às autoridades competentes a elaboração de uma legislação semelhante à francesa, a fim de punir a produção e utilização de produtos piratas. Esta é uma alternativa a ser adotada para que os clubes brasileiros possam lucrar com a venda de seus produtos e sair do marasmo financeiro que os assolam.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

BetWarrior


Poliesportiva


André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

    Artigos Relacionados

    Topo