Não é mistério para ninguém a relação quase simbiótica que o Paris Saint-Germain tem com jogadores brasileiros. Essa historia vai muito além do próprio Neymar, trata-se de uma longínqua  parceria. Entretanto, no todo, o PSG já contou com 32 jogadores brasileiros em seu elenco. Raí, Ronaldinho, Leonardo, Nenê, e assim por diante. Porém, em 1991 começou uma bela e vitoriosa jornada, estava chegando em Paris o talentoso meia brasileiro, o Valdo. Na coluna  Além dos Blues desta semana, vamos reviver as memorias dessa lenda esquecida.

Valdo Cândido Filho iniciou sua carreira nas categorias de base do Figueirense. Porém, antes mesmo de se firmar na equipe principal, já despertava o interesse de grandes times. Assim, em 1984, o meia acabou indo para o Grêmio. No total, foram quatro anos vitoriosos, conquistando quatro estaduais consecutivos. Era apenas questão de tempo até chegar investidas dos times europeus. Contudo, em 1988, aos 24 anos, o jovem meia deixava o tricolor e embarcava para terras portuguesas, o destino era o gigante Benfica.

Benfica e seleção

Um pouco antes de chegar ao Velho Continente, Valdo já se tornava um jogador presente na seleção. Assim, ainda quando atuava no Grêmio, com 22 anos, foi convocado pelo Telê Santana para compor o elenco da Copa do Mundo de 1986. Porém, aquela seleção tinha muitos jogadores remanescentes da copa de 1982, entre eles, Sócrates , Zico, Junior, Falcão e Oscar. O jovem meio-campista acabou sendo reserva e o Brasil foi eliminado nas quartas de final pela França.

Chegando aos Encarnados, em sua primeira passagem, ficou de 1988 até 1991. Entretanto, não demorou muito tempo para o brasileiro cair nas graças da torcida. Assim, logo nos primeiros anos foi um dos protagonistas na conquista de duas ligas Portuguesa, uma Supertaça e levando o vice campeonato da Taça Europeia de 89, perdendo de 1 x 0 para o Milan de Gullit e Van Basten.

O começo da Hegemonia PSG

Após sair com status de ídolo do Benfica, Valdo chegou para ser a peça chave do time parisiense. No final dos anos 80 e começo dos anos 90, o futebol francês foi dominado por um só time, o Olympic de Marseille. Até então, nunca tinha se visto tamanho protagonismo, foram quatro campeonatos franceses, uma copa da França e a tão almejada orelhuda, em 1993.

Os Les Olympiens foram o primeiro (e único) time francês a ser campeão da Champions League. Porém, após um escândalo de corrupção envolvendo seu presidente, o clube foi obrigado a jogar a segunda divisão e teve seu titulo francês de 1992-93 retirado.

Portanto, a partir da queda do gigante, o jovem time de Paris começou sua caminhada para dominar o pais. Assim, depois de fechar com patrocinadores e conseguir investimento, o PSG trouxe jogadores de ponta e técnicos experientes, o fim do jejum de títulos era questão de tempo.

Valdo faz parte diretamente desse ponto de virada do PSG, ele era um dos principais nomes da robusta lista de contratações que o clube fez em 1991. Além de trazer o meia, trouxe os zagueiros Ricardo Gomes e Geraldão, alguns anos mais tarde chegaria um jovem meio campo, campeão da Libertadores e do Mundial de clubes pelo São Paulo, era conhecido como O terror do Morumbi e seu nome era Raí.

Valdo, o herói de classificação

Logo na temporada de 91, o PSG já deu uma amostra da força de sua equipe que ainda estava em formação, foram apenas 11 pontos de diferença com o primeiro colocado, o Olympique de Marseillle. Entretanto, já em 1992 o clube fez os últimos ajustes e formou assim o time que começaria a dinastia. Valdo era 10 e faixa, o armador do time. Portanto, com a chegada do atacante liberiano George Weah tudo acabou se encaixando.

Assim, começou a jornada pelo título da Copa da UEFA. Logo, em março de 1993, o time parisiense iria enfrentar o poderoso Real Madrid nas quartas de final. A partida de ida foi no Santiago Bernabéu e terminou com vitória merengue, 3 a 1 para os donos da casa. Porém, o jogo de volta, no Parque dos Príncipes, foi decidido pelo camisa 10 brasileiro, a quem diga que foi a melhor atuação da carreira dele com a camisa do time francês.

Os dois gols que garantiram a classificação do PSG saíram dos pés do craque. Um chute rasteiro que passou ao lado do goleiro e uma cobrança de falta na medida, que encontrou a cabeça do zagueiro Koumbouré para liquidar a vitória de 4 a 1. Entretanto, o Paris Saint Germain acabou sendo eliminado na semifinal para a poderosa Juventus de Roberto Baggio.

Chegada do Raí e fim do Jejum

Apesar da derrota no torneio continental, o clube comandado pelo português Artur Jorge estava em ótima forma. Contudo, o atacante Weah vivia uma fase artilheira graças ao brilhante garçom que era o Valdo.

Após encerrar certos jejuns de títulos nacionais, com a conquista da Copa da França e do Campeonato Francês, o foco agora era na liga dos campões. Entretanto, o time parisiense não poupou esforços para trazer o meia brasileiro Raí, recém bicampeão da Copa Libertadores da América com o São Paulo de Telê Santana. Assim, o camisa 10 agora tinha uma sombra, e as expectativas em torno dessa contratação eram grandes.

Em busca da orelhuda

O sonho de qualquer jogador é ganhar a Champions League, é o tipo de conquista que pode mudar o patamar de um clube. Porém, a troca de treinador acabou mexendo um pouco com a estrutura da equipe. Saí Artur Jorge, entra o francês Luis Fernández que havia sido eleito o técnico da temporada 1993/94, graças ao seu trabalho elogiadíssimo no Cannes. Entretanto, ele acabou fazendo mudanças pontuais no plantel, escalando Raí e Valdo para jogarem juntos, o camisa 10 mais aberto e ofensivo e o ex-tricolor mais centralizado na armação.

Foi uma campanha extraordinária. Weah, Valdo, Ginola e Raí davam show em campo, um futebol muito tático e preciso. Assim, acabaram passando da fase de grupos com aproveitamento de 100%, e, ainda por cima, superando o Barcelona de Romário nas quartas de final. Entretanto, acabou parando no poderoso Milan de Maldini, Gullit e Van Basten. Todavia, somente após 25 anos o PSG conseguiu chegar a uma final de Liga dos Campeões novamente.

Fim da era PSG e de volta a terras portuguesas

Após 4 anos na cidade luz, Valdo estava de malas prontas para Portugal, Benfica era o destino novamente. Lá, ainda pelo PSG, foram 147 jogos e 14 gols. Além de quatro títulos conquistados (campeão da liga francesa em 1994, duas copas da França em 93 e 95 e uma copa da liga em 95). Assim, apesar da passagens igualmente muito boas no Benfica e em times brasileiros, até o próprio Valdo reconhece que o auge de sua carreira foi no Paris Saint-Germain.

Hoje, aos 55 anos de idade, um dos últimos meias clássicos que o futebol brasileiro produziu é o treinador da seleção do Congo e almeja classificar a equipe para a Copa Africana e a Copa do mundo de 2022, no Catar.

Foto Destaque: Reprodução/ Gazeta Esportiva

Felipe Pitas
Sou um assíduo admirador da Comunicação, apaixonado por entretenimento, entre eles o futebol e a cultura pop.

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