Uruguai x Costa Rica: o nascimento da zebra da Copa do Mundo de 2014 (Foto: Reprodução/Laurence Griffiths/Getty Images/VEJA)

A Coluna Marcas da Copa vem nesta terça-feira (1) relembrar a história do confronto Uruguai e Costa Rica  que começou antes daquela tarde de sábado, em 14 de junho de 2014. Isso porque, quando os grupos da Copa do Mundo no Brasil foram definidos, na Costa do Sauípe, no dia 6 de dezembro de 2013, a seleção da América Central, contra a sua vontade, passou a carregar o fardo de “saco de pancadas” do evento que ocorreria no ano seguinte. É fato, tanto você, assim como eu, julgamos que seria impossível que os costarriquenhos vencessem, ou ao menos empatassem, algum jogo em um grupo com três seleções campeãs mundiais.

PRÉ-JOGO

O mar azul-celeste nas arquibancadas do Castelão esperava ver um show de sua seleção, ainda que os comandados de Oscar Tabárez tivessem conseguido a vaga para a Copa somente na repescagem, diante da Nova Zelândia. A base do time era a mesma que quatro anos antes havia alcançado o 4° lugar na Copa da África do Sul.

Do outro lado, os costarriquenhos retornavam ao maior evento de futebol do planeta após oito anos. A torcida compareceu ao Castelão em número menor se comparado aos uruguaios, mas, juntamente com o apoio dos milhares de brasileiros, igualou o barulho.

Se para muitos o fato da Costa Rica estar no grupo da morte era motivo de “menosprezo”, para o treinador Jorge Luís Pinto, a oportunidade de jogar contra três campeãs mundiais era algo para se apoiar e se motivar.

“Ao contrário do que todos pensam, senti alegria e motivação pelo grupo. Motivou-me extraordinariamente a condição de enfrentar três campeões do mundo. Vamos jogar sem temor, sem medo. Podemos ganhar”, disse o treinador.

Mesmo sem Luis Suárez, que foi poupado por Oscar Tabárez já que se recuperava de uma cirurgia no joelho e não estava 100%, a expectativa da torcida, jornalistas e até mesmo da seleção uruguaia era de que esse fosse o jogo mais tranquilo da primeira fase para a Celeste Olímpica. Convenhamos, todos nós pensamos que Cavani e Forlán não deixariam com que sentíssemos falta de “El Pistolero”.

AS IDAS E VINDAS DO 1° TEMPO

A proposta da seleção costarriquenha era clara. Se defender sob todas as circunstâncias e aproveitar as poucas brechas deixadas pelo Uruguai. Por outro lado, a Celeste Olímpica sabia da importância do resultado, já que 99,9% das pessoas acreditavam que Itália e Inglaterra bateriam a Costa Rica nas próximas rodadas.

Admita, quando Cavani converteu o pênalti sofrido por Lugano, aos 23 minutos, você pensou “agora abriu a porteira”. Eu sei disso porque esse foi o pensamento de todo mundo. A grande questão é que não foi isso que aconteceu. Todos nós estávamos errados sobre o que iríamos testemunhar naquela tarde em Fortaleza.

Mais tarde, quando Campbell (anote esse nome) bateu de longe e assustou Muslera foi a hora de pensarmos “ok, lance isolado, dificilmente vai acontecer outro desse”. Mais uma vez estávamos errados. O sinal de alerta foi ligado no momento em que González quase completou para o gol o escanteio vindo da esquerda. O Uruguai só foi assustar de novo com Forlán batendo de fora e a bola desviando, fazendo com que o “desconhecido” Keylor Navas fizesse milagre.

Cavani comemora o gol marcado (Foto: Reprodução/Robert Cianflone/Getty Images/VEJA)
Cavani comemora o gol marcado (Foto: Reprodução/Robert Cianflone/Getty Images/VEJA)

O ‘CASTELAZZO' URUGUAIO

A Costa Rica acreditava, isso era claro na forma em que se projetava ao ataque, ganhando cada vez mais confiança, principalmente no 2° tempo. E foi assim, acreditando, que Gamboa evitou a saída da bola pela linha de fundo e cruzou. Campbell dominou e estufou as redes. Sim, era possível! Tanto que quatro minutos depois veio a virada. Me recordo de minutos antes, em uma falta parecida, Duarte aparecer sozinho e quase marcar. No lance do 2° gol lembro de Luís Roberto prever “olho no Duarte, essa jogada está cantada”. Não deu outra, Bolaños levantou na cabeça do zagueiro, que só tirou de Muslera.

O Uruguai parecia não ter forças para reagir. Mesmo atrás no placar, pouco levou perigo ao gol de Navas. Dessa forma, o jogo ficou confortável para a Costa Rica, que viria a matar o confronto aos 39 minutos. Campbell, lembra dele? Além do gol, serviu Ureña com perfeição, e o atacante só rolou por baixo de Muslera para chocar o mundo.

Para nós brasileiros, o “Maracanazzo” é um marco, ainda que grande parte de nós não tenha vivenciado aquela derrota amarga em casa. Entretanto, a nossa “vingança” veio 64 anos depois, claro que em proporções menores, já que a partida disputada no Castelão integrava a primeira fase. Mas ainda assim, a Costa Rica fez os brasileiros felizes.

COPA DO MUNDO É OUTRA HISTÓRIA

Eram seis vitórias do Uruguai e dois empates em oito confrontos entre as duas seleções na história. Entretanto, números não entram em campo, ainda mais em Copa do Mundo. Nesse tipo de campeonato, concentração e foco são as chaves do sucesso. Claro que jogadores bons são essenciais, mas nada adianta isso se não somado ao que disse anteriormente.

As milhões de pessoas ao redor do mundo que assistiram aquele jogo no Castelão, viram o dia em que a Costa Rica assumiu o papel de Davi e venceu o seu primeiro Golias. A festa dos, aproximadamente, 4,8 milhões de habitantes do país da América Central se estendeu por vários lares ao redor do Brasil e do mundo, afinal todo mundo gosta de ver uma zebra vencendo um favorito. Entretanto, a exceção é quando isso acontece com a gente.

A lamentação no banco do Uruguai após a derrota para a Costa Rica (Foto: Reprodução/Getty Images)
A lamentação no banco do Uruguai após a derrota para a Costa Rica (Foto: Reprodução/Getty Images)

Foto Destaque: Reprodução/Laurence Griffiths/Getty Images/VEJA

Renan Liskai
Muito prazer! Sou Renan Liskai, paulista, natural de Santo André. Desde 1998 falando, respirando, sorrindo, chorando e enlouquecendo por futebol. A vida de goleiro não deu certo, mas o jornalismo sempre esteve ali. Descobri que se não podia estar dentro de campo ou das quadras, eu poderia estar do lado de fora, mas sempre vivendo tudo isso. Sou daqueles que não perde um jogo de futebol por nada, seja ele qual for. Costumo dizer que esse esporte é assunto mundial e que não há uma pessoa no mundo que nunca tenha falado sobre tudo que acontece dentro e além das quatro linhas. Assim como todo mundo, carrego uma história e experiências. Sou filho, irmão, neto, amigo e sempre serei um eterno aprendiz dessa vida.

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