Opinião: um prejuízo cada vez maior

- O discurso de pouco tempo de trabalho já é incoerente, mas o futebol apresentado pelo Santos segue lastimável
Opinião: um prejuízo cada vez maior

Sou veementemente contra a demissões repentinas de técnicos de futebol. Ainda mais no Brasil, onde o profissional luta para se equilibrar em uma corda bamba localizada acima de uma cova de leões. Na maioria dos casos, a decisão das imediatistas diretorias precede o fim da fase de adaptação, à qual estão submetidos quaisquer treinadores. O caso do Santos, porém, não se enquadra nesse cenário. Com Jair Ventura à frente da equipe, o futebol está cada vez pior. E, a continuar assim, o prejuízo tende a ser maior: uma temporada sem chances de título e de muita raiva para o torcedor.

Em sua apresentação, Jair Ventura prometeu que o Santos não abdicaria de seu DNA ofensivo. A promessa veio em resposta às indagações sobre o estilo de jogo que implantou no Botafogo. No Rio de Janeiro, o filho do ‘furacão da Copa de 1970' consolidou um esquema tático reativo, ou seja, aquele que privilegia a defesa e a saída no contra-ataque. A aposta deu certo até que exauriram-se os recursos do time – e isso aconteceu no último campeonato brasileiro, quando o time da estrela solitária sucumbiu às expectativas.

Mudaram as estações, nada mudou

Agora, como comandante do time da Vila Belmiro, o roteiro segue sendo o mesmo. O Peixe joga desta forma covarde desde o estadual. Um jogo emblemático, neste sentido, foi o clássico contra o São Paulo, no Morumbi, onde as equipes voltam a se enfrentar neste domingo. Naquela oportunidade, o alvinegro jogou por uma bola. Taticamente, foi amassado pelo Tricolor, que não triunfou por incompetência ofensiva. O Santos venceu com um gol de Gabriel, após uma das poucas escapadas ofensivas.

Vez ou outra, a aposta pode dar certo. Mas é pouco para um time com uma camisa como a do Santos. Se é inadmissível que uma equipe se porte desta forma em um clássico, ocasião na qual o jogo tende a ser franco, aberto, como não dar razão ao mais fanático e irracional torcedor, que esbraveja ao ver o time de futebol essencialmente ofensivo sofrendo para derrotar o Luverdense?

Pois, sim! Mesmo jogando com os reservas, perder para o Luverdense, um clube mal colocado na terceira divisão do futebol nacional, é inaceitável. Nem tanto pelo resultado, mas pela falta de vontade do time.

O elenco do Santos é fraquíssimo e isto não é novidade para ninguém. A culpa da diretoria é imensa, já que escorar-se na sangria das finanças é uma desculpa para lá de esfarrapada. O calcanhar de Aquiles do clube é, hoje, a falta de alternativas ofensivas. Não há transição, tabelas, triangulações. Jogadores, como o terrível Jean Mota, posicionam-se de forma equivocada em campo e comprometem o desenho tático da equipe. E, durante o jogo, não se esboça uma reação. Por 90 minutos, os comandados de Jair Ventura apresentam um futebol letárgico, moroso e apático.

No horizonte, pouca esperança

O Peixe está entre os oito finalistas da Copa do Brasil. Já avançou de fase na Libertadores. Mas, até o momento, os adversários nessas competições não arrancam suspiros. Pela competição nacional, o adversário veio do Mato Grosso. No campeonato continental, Estudiantes e Nacional estão longe da melhor fase. Mesmo assim, as atuações foram abaixo da crítica – afinal, o 5×1 contra a equipe de Lucas de Rio Verde é um placar que nem deveria ser considerado pelo torcedor.

Preocupa o torcedor a situação do time no Brasileirão. Em quatro jogos, o Santos teve duas derrotas. Uma para o Bahia, que tem um time bem ruim. A outra, um atropelo, para o envolvente Grêmio.

A continuar desta forma, teremos bola para enfrentar Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Palmeiras, até o final do ano? O sonho do tetracampeonato na Libertadores se manterá, se o adversário for River Plate ou Racing? Dentro de campo, o clube jogará de igual para igual? Ou manterá a postura covarde e omissa?

Jair Ventura é uma decepção. A torcida já não engole as promessas de José Carlos Peres, o presidente.

O tempo passa, mas o futebol apresentado pelo Santos parou no tempo.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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